Depois de meses de especulação, o primeiro trailer da quinta e última temporada de The Bear finalmente chegou e, como era de se esperar, Christopher Storer parece determinado a encerrar a série exatamente como ela começou: em meio ao caos.
A boa notícia para quem saiu traumatizado pelo episódio especial “Gary” é que o acidente de Richie aparentemente não teve consequências graves. A tensão provocada pelo final da quarta temporada acabou funcionando mais como uma pegadinha emocional do que como uma tragédia. Ebon Moss-Bachrach aparece em praticamente todas as cenas importantes da prévia, agora como um dos líderes da cozinha ao lado de Sydney. É um fechamento interessante para dois personagens que começaram como rivais e terminaram se tornando parceiros. Talvez nenhum personagem tenha crescido tanto em The Bear quanto Richie.

Segundo a sinopse oficial divulgada pelo Disney+, a história começa na manhã seguinte à decisão de Carmy de abandonar a gastronomia. Sem dinheiro, sob ameaça de venda e com uma tempestade a caminho, Sydney, Richie e Natalie precisam se unir ao restante da equipe para manter o restaurante funcionando e tentar conquistar a tão sonhada estrela Michelin. Os oito episódios chegam ao Disney+ em 25 de junho.
Mas se alguém esperava uma reinvenção radical da fórmula, o trailer sugere justamente o contrário. A corrida contra o relógio continua. O dinheiro continua acabando. A sensação de que tudo pode desmoronar a qualquer momento continua sendo a força motriz da narrativa. O restaurante sofre uma inundação. As entregas são interrompidas. A comida pode acabar. Em determinado momento, alguém resume a situação quase como uma batalha perdida:
“Estamos em desvantagem numérica e de poder de fogo.”
O caos permanece sendo parte da identidade da série. Mas, depois de cinco temporadas, ele também se tornou uma pergunta. Até que ponto os Berzatto e todos aqueles atraídos para sua órbita sabem existir fora desse estado permanente de crise?
Sydney continua reconhecendo a toxicidade daquele ambiente. Ela reclama, se frustra e sabe exatamente o preço emocional de permanecer ali. Ainda assim, não consegue ir embora. Em muitos aspectos, parece tão ligada àquela família disfuncional quanto os próprios Berzatto. Existe quase uma dependência mútua entre aquelas pessoas.
As falas do trailer sugerem, porém, que desta vez a série está menos interessada em ansiedade e mais em pertencimento: “Não temos dinheiro.” “Mas temos um ao outro.” “E nada mais a perder.”
Há algo quase de filme de guerra na montagem, mas o que está em jogo já não parece ser apenas a sobrevivência do restaurante. É a sobrevivência daquele grupo.

A maior surpresa, porém, talvez seja outra. Embora a sinopse oficial apresente a saída de Carmy como o ponto de partida da história, Jeremy Allen White está longe de desaparecer. O trailer deixa claro que ele retorna ao restaurante e, aparentemente, está trabalhando sob a liderança de Sydney. Essa possível mudança de dinâmica já vem dividindo opiniões entre os fãs. Muitos enxergam a temporada como a consagração definitiva de Sydney. Outros consideram que a série tem sido dura demais com Carmy.
Confesso que faço parte desse segundo grupo.
Sydney é brilhante e merece tudo o que conquistou ao longo da série. Ainda assim, sempre considerei Carmy o verdadeiro gênio daquela cozinha. Nos últimos anos, tive a impressão de que a narrativa passou a tratar o personagem com uma severidade excessiva, ampliando seus defeitos enquanto diminuía suas virtudes. Como se o homem responsável por reunir aquelas pessoas tivesse se transformado em um obstáculo para elas.
Talvez essa seja exatamente a tese de Christopher Storer. Talvez The Bear esteja dizendo que genialidade e liderança são coisas diferentes. Ou que o talento extraordinário, quando alimentado por culpa, perfeccionismo e autodestruição, inevitavelmente se torna insustentável.
Ao mesmo tempo, o próprio trailer parece contradizer a ideia de que Carmy foi simplesmente descartado. Sua presença é constante nas imagens, e a sensação é de que a temporada final tentará encontrar um equilíbrio entre o reconhecimento do papel fundamental de Sydney e a necessidade de oferecer ao personagem de Jeremy Allen White uma conclusão menos amarga.
Curiosamente, as falas mais marcantes do trailer apontam para algo mais esperançoso. “Nosso tempo acabou.” “Não vou desistir.” “Vamos continuar funcionando.” “Cada segundo conta.”
Mas talvez o momento mais emocionante da prévia esteja em outra reflexão: “Passei tanto tempo fugindo desse lugar. E ele se tornou o melhor lugar para mim.”
A resposta vem logo em seguida: “Você fez isso. “Todos fizeram isso.”

É impossível não enxergar essas palavras como uma declaração de amor coletiva aos personagens e ao público. Afinal, se existe um tema recorrente em The Bear, é a ideia de que pessoas quebradas podem construir algo bonito juntas.
A fala final de Carmy parece resumir perfeitamente esse sentimento.
“Eu olho para todos vocês e amo cada um.” “É assim que mantemos esse lugar vivo.” “Esse é o Urso.”
A internet rapidamente observou que, apesar da presença do caos habitual, o trailer é menos frenético e mais emocional do que os anteriores. Existe uma sensação de despedida e gratidão nas imagens. E talvez seja por isso que a frase mais bonita da sinopse oficial seja também a mais reveladora: aquilo que torna um restaurante perfeito talvez não seja a comida, mas as pessoas.
No fim das contas, pode ser que Christopher Storer esteja dizendo que a estrela Michelin nunca foi o prêmio mais importante. O verdadeiro milagre foi fazer com que todos eles, inclusive Carmy, encontrassem uma família.
Sim, chef.
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