Toda semana, os rankings de audiência acabam contando histórias interessantes sobre o momento de cada plataforma. Algumas confirmam tendências já conhecidas, outras mostram fenômenos inesperados e, de vez em quando, revelam algo maior sobre a forma como o público vem consumindo séries e filmes.
O retrato desta semana mostra exatamente isso: o streaming está cada vez menos dependente de lançamentos e cada vez mais sustentado por bibliotecas fortes, franquias e sucessos capazes de sobreviver por meses ou anos.


Netflix: Jennifer Lopez domina os filmes; produções internacionais lideram as séries
Nos filmes, a semana pertence a Jennifer Lopez. Office Romance estreou diretamente no primeiro lugar, algo bastante previsível para uma estrela que há décadas mantém enorme popularidade junto ao público da Netflix. Mas o fenômeno não para aí. A presença de Monster-in-Law no Top 10 mostra um efeito que já vimos acontecer com outros astros: espectadores descobrem ou revisitam trabalhos antigos depois de um novo lançamento. É uma espécie de nostalgia instantânea.
O restante da lista reforça aquilo que a Netflix faz melhor do que qualquer concorrente: oferecer um pouco de tudo. Há espaço para animações, filmes de ação, thrillers, true crime e até para a gigantesca versão de Liga da Justiça de Zack Snyder, que continua demonstrando uma resistência impressionante.
Entre as séries, o primeiro lugar pertence a Teach You a Lesson, mais uma prova de que o público brasileiro abraçou definitivamente as produções asiáticas. Mas talvez a permanência do documentário sobre Michael Jackson entre os mais vistos seja ainda mais significativa. Documentários e séries ligadas a personagens famosos continuam encontrando uma audiência fiel, enquanto títulos como Sweet Magnolias e The Four Seasons demonstram que dramas leves seguem tendo vida longa.


HBO Max: Euphoria continua sendo um fenômeno
Nos filmes, My Mother’s Wedding lidera uma lista bastante sustentada pelo catálogo. Não há um fenômeno dominante, mas sim uma audiência espalhada entre thrillers, ação e produções mais antigas, reforçando o peso da biblioteca da plataforma.
Já nas séries, a história é outra. Euphoria continua em primeiro lugar e talvez seja um dos maiores fenômenos de permanência do streaming em 2026. Poucas produções conseguem continuar culturalmente relevantes tantos anos depois da estreia, mas é o que as despedidas fazem: todos querem ver um pouco mais.
O restante da lista confirma a diversidade da HBO Max. Rick and Morty segue praticamente inabalável, From continua crescendo graças ao boca a boca, enquanto realities, sitcoms e produções turcas dividem espaço no ranking. Poucas plataformas apresentam um público tão variado.


Disney+: Toy Story continua sendo uma máquina
Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a força da Pixar, basta olhar o ranking de filmes. Toy Story 5 lidera, mas a verdadeira notícia é que quatro filmes da franquia aparecem simultaneamente entre os dez mais vistos. Quase trinta anos depois do lançamento do original, Woody e Buzz continuam sendo ativos poderosíssimos para a Disney. Ter Taylor Swift na trilha sonora também ajuda.
Nas séries, o esperado aconteceu: The Testaments, continuação de The Handmaid’s Tale, estreou no topo. Mas a segunda posição de Not Suitable for Work mostra que a produção encontrou uma audiência maior do que muitos imaginavam, apesar das opiniões divididas. Chegou inclusive a liderar o ranking por alguns dias, mas parou na segunda posição, o que é bem alto para a série.
Entre franquias de Star Wars e a força praticamente inesgotável de Bluey, a Disney continua vivendo do equilíbrio entre nostalgia e público familiar.

Prime Video: romances dominam
Nos filmes, Jack Ryan: Ghost War confirma mais uma vez a força da franquia criada em torno do personagem de Tom Clancy. O catálogo da Amazon continua bastante orientado para ação e entretenimento tradicional.
Mas é entre as séries que aparece a principal tendência da semana. Every Year After lidera, seguida por Off Campus, enquanto The Summer I Turned Pretty permanece no Top 10. O Prime Video parece ter encontrado um público extremamente fiel para romances voltados ao público jovem feminino.
Ao mesmo tempo, Spider-Noir e The Boys impedem que a plataforma fique restrita a um único perfil de espectador. É justamente esse equilíbrio que vem fazendo da Amazon uma das plataformas mais consistentes de 2026.

Paramount+: o império de Taylor Sheridan continua crescendo
Nos filmes, é impossível não sorrir ao ver Top Gun: Maverick novamente no topo. Quase quatro anos depois do lançamento nos cinemas, Tom Cruise continua demonstrando um poder de permanência raro. O restante da lista reforça a preferência do público da Paramount+ por ação, nostalgia e entretenimento clássico.
Nas séries, Taylor Sheridan continua sendo praticamente um gênero próprio. Dutton Ranch lidera, enquanto Marshals, Yellowstone e Tulsa King também aparecem entre os mais assistidos. É difícil imaginar outra plataforma tão dependente de um único criador, mas, por enquanto, a estratégia segue funcionando.

Apple TV: Cape Fear estreia forte, mas F1 continua sendo o fenômeno
Nos filmes, a história da semana continua sendo F1. Cerca de seis meses depois de chegar ao streaming, a produção permanece em primeiro lugar. É algo extraordinário. Pouquíssimos filmes conseguem manter esse nível de popularidade por tanto tempo. É a força de Brad Pitt como estrela porque até Wolfs está no ranking.
Mais interessante ainda é observar o restante do ranking. The Gorge, Greyhound, The Family Plan, Luck e Wolfs demonstram que os filmes da Apple finalmente começaram a construir uma verdadeira biblioteca. Pela primeira vez, a plataforma parece colher os frutos de anos de investimento.


Nas séries, Cape Fear estreia diretamente na liderança, excelente notícia para Javier Bardem e Amy Adams. Mas o que mais chama a atenção é a força do universo de For All Mankind. Star City aparece em quarto lugar, enquanto a série original ocupa a sexta posição. É exatamente o efeito que a Apple esperava ao expandir suas franquias.
E, claro, Ted Lasso continua fazendo aquilo que faz desde 2020: se recusando a desaparecer. Afinal, em poucos meses, vamos reencontrar nosso técnico favorito.
No fim das contas, talvez seja justamente essa a grande história da semana. O streaming está amadurecendo. E, cada vez mais, os vencedores são aqueles capazes de transformar sucessos individuais em bibliotecas que se alimentam de si mesmas.
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