Uma das melhores séries de ficção científica da TV atual está de volta. Antes da estreia da terceira temporada de Silo, em 3 de julho na Apple TV, vale revisitar como terminou o segundo ano, quais mistérios foram revelados, o destino dos principais personagens e por que os próximos episódios prometem finalmente responder à pergunta que acompanha a série desde o início: como a humanidade foi parar debaixo da terra?
Baseada na trilogia best-seller de Hugh Howey, Silo acompanha uma sociedade de dez mil pessoas que vive em uma gigantesca estrutura subterrânea, sem saber exatamente o que aconteceu com o mundo exterior. Ao longo das duas primeiras temporadas, Juliette Nichols, interpretada por Rebecca Ferguson, descobriu que praticamente tudo o que lhe ensinaram era uma mistura de verdades, meias-verdades e segredos cuidadosamente preservados.

A segunda temporada começou exatamente após os acontecimentos do final do primeiro ano. Depois de sobreviver à sua “limpeza” e deixar o Silo 18, Juliette descobriu que não estava sozinha. O mundo devastado escondia dezenas de outros silos e, entre eles, um em especial parecia ter se tornado uma espécie de cidade fantasma.
Foi ali, no Silo 17, que ela encontrou Solo, personagem interpretado por Steve Zahn. Aos poucos, a série revelou que aquele silo havia sido palco de uma rebelião muitos anos antes. Os habitantes conseguiram abrir as portas para o exterior e acabaram morrendo em massa. Único sobrevivente, Solo passou décadas vivendo sozinho entre os escombros, guardando os traumas de uma tragédia que ele testemunhou ainda criança.
Enquanto Juliette tentava sobreviver no Silo 17, o Silo 18 caminhava para uma crise cada vez maior. Bernard Holland, interpretado por Tim Robbins, fazia de tudo para manter a ordem, mas sua autoridade começava a ruir. Mechanical, liderado por Knox e Shirley, se aproximava da revolta aberta, Robert Sims começava a questionar as ordens recebidas e até o xerife Billings já demonstrava desconforto com as mentiras que sustentavam aquela sociedade.
Ao mesmo tempo, Juliette se transformava em um símbolo de esperança. Para muitos habitantes, ela havia se tornado uma espécie de mártir, uma prova viva de que a verdade era muito mais complexa do que os líderes do silo admitiam.
Uma das descobertas mais importantes da temporada veio através de Lukas Kyle. Transformado em aprendiz de Bernard, ele teve acesso ao Legacy, uma biblioteca secreta reservada aos líderes do silo. Foi ali que começou a perceber a dimensão do sistema que governava aquelas comunidades subterrâneas.
Nas profundezas do silo, Lukas encontrou uma enorme porta escondida sob a água e entrou em contato com uma inteligência conhecida como Algorithm. A revelação mais assustadora envolvia a existência do Safeguard, um protocolo capaz de exterminar toda a população de um silo por meio de gás tóxico caso a situação saísse do controle. Em outras palavras, nem mesmo os líderes eram indispensáveis. O sistema havia sido construído para sacrificar uma comunidade inteira, se necessário.
Enquanto isso, Juliette finalmente encontrava uma forma de retornar ao Silo 18. Sua missão, porém, não era liderar uma revolução, mas impedir uma tragédia. Ao limpar novamente as câmeras externas, ela tentava mostrar aos habitantes que o mundo continuava inabitável e que sair para a superfície significaria uma morte certa.
A revelação sobre o Safeguard abalou até Bernard. Pela primeira vez, ele compreendeu que também era apenas mais uma peça de uma máquina muito maior. Desesperado, correu para encontrar Juliette, mas os dois acabaram presos na câmara de descontaminação em meio ao caos e ao fogo, deixando em aberto o destino dos personagens.
Mas foi a cena final que mudou completamente a escala da série.

Nos últimos minutos, Silo abandonou o presente e voltou 352 anos no passado. Em Washington, muito antes da construção dos silos, um congressista chamado Daniel Keene encontrou a jornalista Helen Drew em um restaurante. A conversa aparentemente banal sobre uma bomba suja rapidamente deixava claro que algo muito maior estava em movimento e que ambos estavam prestes a ser arrastados para uma cadeia de eventos com consequências irreversíveis.
O pequeno dispensador de PEZ em forma de pato visto na cena era o mesmo objeto encontrado por Juliette séculos depois, estabelecendo uma ligação direta entre passado e futuro.
Foi uma mudança importante em relação aos livros. Em Wool, primeiro volume da trilogia, a história termina sem mostrar as origens dos silos. A série decidiu antecipar elementos de Shift, segundo romance de Hugh Howey, preparando o terreno para uma narrativa mais ambiciosa.
Outras mudanças também chamaram a atenção dos leitores. Judicial e Robert Sims ganharam muito mais importância na adaptação, Lukas teve sua participação ampliada e Solo recebeu um desenvolvimento mais extenso do que no material original. O ritmo das revelações também é significativamente mais lento do que nos livros, permitindo que os mistérios sejam explorados ao longo de várias temporadas.
Agora, a terceira temporada promete unir definitivamente as duas linhas narrativas.
Segundo a sinopse oficial, a nova fase mostrará a história de origem ambientada séculos antes, enquanto continua acompanhando os acontecimentos no presente. Juliette sobreviverá aos eventos do final da segunda temporada, mas retornará sofrendo de perda de memória, justamente quando o Silo 18 tenta se recuperar da rebelião e passa a enfrentar uma nova ameaça.

Ao mesmo tempo, nos chamados “Tempos Anteriores”, Helen Drew, interpretada por Jessica Henwick, e o congressista Daniel Keene, vivido por Ashley Zukerman, começarão a desvendar uma conspiração que acabará desencadeando acontecimentos catastróficos e irreversíveis.
Além de Rebecca Ferguson, retornam Common, Harriet Walter, Chinaza Uche, Avi Nash, Alexandria Riley, Shane McRae, Remmie Milner, Rick Gomez, Billy Postlethwaite, Clare Perkins, e Steve Zahn. Entre os novos nomes estão Jessica Henwick, Ashley Zukerman, Laura Innes, Jessica Brown Findlay, Morven Christie, Reed Birney, Matt Craven e Colin Hanks.
Renovada antecipadamente para uma quarta e última temporada, Silo entra agora na fase em que a série deixa de ser apenas um mistério sobre uma comunidade subterrânea para se transformar em algo muito maior: uma história sobre as escolhas que levaram a humanidade ao colapso e sobre quem decidiu, séculos antes, quem mereceria sobreviver.
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