Antes mesmo das câmeras começarem a rodar, a cinebiografia de Fred Astaire já ganhou um curioso conflito geracional. Quase cinco anos depois de ser anunciado como protagonista do projeto da Sony dirigido por Paul King, Tom Holland admitiu em entrevista à Esquire UK que está apreensivo com a recepção do filme. O motivo? Segundo o ator, boa parte da Geração Z simplesmente não sabe quem foi Fred Astaire.

A preocupação é compreensível. Afinal, Astaire pertence a um Hollywood que parece distante para quem nasceu décadas depois do auge dos musicais clássicos. O ator, dançarino e cantor, que morreu em 1987 aos 88 anos, construiu uma carreira de mais de sete décadas e protagonizou alguns dos filmes mais celebrados da história do gênero, muitos deles ao lado de Ginger Rogers. Ainda assim, para espectadores nascidos no século 21, seu nome talvez não tenha a familiaridade de um Homem-Aranha.
Curiosamente, quando a Sony anunciou o projeto, em dezembro de 2021, a escolha de Holland pareceu quase perfeita. Revelado nos palcos de Billy Elliot, onde passou dois anos se apresentando no West End, o ator britânico possui formação em balé, sapateado e ginástica. Seu talento para a dança, aliás, se tornou conhecido muito além do teatro quando viralizou em 2017 com a performance de “Umbrella”, de Rihanna, no programa Lip Sync Battle.
Na época, a ideia parecia reunir dois artistas separados por quase um século, mas unidos pela mesma combinação de leveza, precisão e carisma. Pela altura, pela dinâmica corporal e pela experiência em musicais, Holland surgia como uma escolha inspirada para interpretar uma das maiores lendas da dança no cinema.
O que mudou de lá para cá foi apenas uma constatação inevitável: nenhuma geração nasce conhecendo Fred Astaire. E talvez seja justamente aí que esteja a razão de existir do filme.

Quando Astaire chegou a Hollywood, nos anos 1930, um relatório de testes teria resumido seu potencial de forma pouco generosa: “não sabe atuar, ligeiramente calvo, consegue dançar um pouco”. A frase se transformou em uma das anedotas mais famosas da indústria. Ao longo das décadas seguintes, ele estrelou mais de 30 musicais e acabou sendo eleito pelo American Film Institute como o quinto maior astro masculino da história do cinema americano.
Mas a influência de Astaire nunca ficou restrita à geração que o viu dançar pela primeira vez. Martin Scorsese, Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e Michael Jackson cresceram admirando seu trabalho, embora todos tenham nascido anos depois de seus primeiros sucessos. O próprio Tom Holland pertence a uma geração distante daquele Hollywood em preto e branco e, ainda assim, encontrou na dança uma de suas maiores paixões.
A cinebiografia dirigida por Paul King, cineasta responsável pelos filmes de Paddington, deve acompanhar não apenas a ascensão de Fred Astaire, mas também sua relação com a irmã Adele Astaire, parceira dos primeiros anos de carreira. As filmagens estão previstas para começar em janeiro de 2027.
Talvez Holland esteja certo ao afirmar que muitos integrantes da Geração Z não saibam quem foi Fred Astaire. Mas essa nunca foi uma razão para deixar de contar uma história. Pelo contrário. É justamente assim que as lendas sobrevivem.
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