Como publicado no Blog do Amaury Jr./Splash UOL
Muito antes das plataformas de streaming transformarem a maneira como assistimos a filmes e séries, o Brasil já experimentava a novidade que mudaria a cultura do século 20. As primeiras exibições cinematográficas chegaram ao país em 1896, apenas alguns meses depois das históricas sessões dos irmãos Lumière em Paris. Mas é o dia 19 de junho que se consolidou como o Dia do Cinema Brasileiro. A data faz referência às imagens que Afonso Segreto teria registrado da Baía de Guanabara em 1898, consideradas tradicionalmente as primeiras filmagens realizadas em território nacional.
Mais de um século depois, a efeméride chega em um momento particularmente simbólico. Um ano após a histórica conquista do primeiro Oscar brasileiro, o cinema nacional vive uma fase de renovação e maior projeção internacional. Mais do que uma conquista isolada, a estatueta ajudou a ampliar o interesse do público pelas produções nacionais e reforçou a visibilidade de uma cinematografia que, por décadas, alternou momentos de prestígio, dificuldades financeiras, períodos de retomada e frequentes discussões sobre seu próprio futuro.


A verdade é que esse reconhecimento não surgiu do nada. Nos últimos anos, produções brasileiras passaram a marcar presença constante em festivais como Cannes, Veneza e Berlim, enquanto filmes e séries nacionais encontraram novas audiências graças às plataformas de streaming. Globoplay, Netflix, Prime Video, Disney, Max, Mubi e Looke ajudaram a ampliar o acesso a uma cinematografia que por muito tempo dependia quase exclusivamente das salas de exibição. Ao mesmo tempo, serviços como Telecine e Canal Brasil continuam desempenhando um papel importante na preservação e circulação dos clássicos e de produções independentes.
Esse movimento também é visível na diversidade dos projetos em desenvolvimento. O segundo semestre de 2026 promete trazer uma combinação de nostalgia, biografias e produções voltadas ao grande público. Entre os lançamentos mais aguardados está “Se Eu Fosse Você 3”, que marca o retorno da franquia protagonizada por Tony Ramos e Glória Pires quase duas décadas depois do último filme. A nova história acompanha Cláudio e Helena em uma fase diferente da vida, agora ao lado da filha Bia, já adulta e casada, até que uma situação inesperada volta a colocar toda a família diante da necessidade de se colocar no lugar do outro.
Outro destaque é “100 Dias”, dirigido por Carlos Saldanha e inspirado na travessia histórica de Amyr Klink pelo Atlântico Sul. O longa, escrito por Elena Soarez e Thais Tavares, transforma a aventura marítima em uma jornada íntima sobre medo, solidão e memória. Já o calendário dos próximos anos inclui “Nosso Lar 3 – Vida Eterna”, previsto para janeiro de 2027, além de “No Jardim do Ogro”, estrelado por Alice Braga.
Se existe uma característica capaz de definir o cinema brasileiro em 2026, ela é a pluralidade. Convivem lado a lado filmes populares e obras de autor, documentários, animações, dramas, comédias, produções independentes e projetos pensados para as plataformas. Não há mais um único retrato possível da cinematografia nacional. E talvez essa seja uma das maiores provas de sua maturidade.

Mais de 125 anos depois das primeiras imagens registradas no país, o Dia do Cinema Brasileiro de 2026 não é apenas uma celebração do passado. É também uma oportunidade de observar como uma indústria acostumada a sobreviver entre crises e recomeços continua encontrando novas maneiras de contar histórias. Depois do Oscar histórico conquistado em 2025, essas histórias parecem ser vistas com uma atenção e um entusiasmo que há muito tempo não se via.
No fim, a melhor maneira de celebrar a data continua sendo a mais simples de todas: assistir a um filme brasileiro. Seja em uma sala escura, em casa ou em uma plataforma de streaming, cada novo espectador ajuda a garantir que aquela tradição iniciada ainda no século 19 continue em movimento.
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