TEM SPOILER!
A história de Baela Targaryen após a morte de Jacaerys Velaryon é uma das mais trágicas de Fire & Blood (Leia também: Como morrem os filhos de Rhaenyra Targaryen?). A filha de Daemon Targaryen sobrevive à Dança dos Dragões, mas paga um preço devastador: perde o homem que amava, seu dragão, seu pai, sua rainha e praticamente toda a geração à qual pertencia. Ao final da guerra, Baela se torna uma das últimas sobreviventes do conflito que destruiu a Casa Targaryen.
Com o trailer da terceira temporada de House of the Dragon confirmando que será Baela quem levará o corpo de Jace de volta para Dragonstone após a Batalha da Goela, sua trajetória está prestes a ganhar ainda mais importância na adaptação da HBO. E, de acordo com Fire & Blood, a morte de Jacaerys está longe de ser a maior tragédia que ela enfrentará.


Desde sua primeira aparição, Baela é apresentada como a filha mais parecida com Daemon Targaryen. Corajosa, impulsiva e ferozmente independente, ela herdou do pai não apenas a coragem, mas também a incapacidade de aceitar o destino que outros escolhiam para ela.
Filha de Daemon Targaryen e Laena Velaryon, Baela nasceu no centro de duas das famílias mais poderosas de Westeros. Era neta de Corlys Velaryon e da princesa Rhaenys Targaryen, e cresceu cercada por expectativas, privilégios e dragões. Ainda assim, desde a infância, recusou-se repetidamente a desempenhar o papel de dama nobre que esperavam dela.
Sua relação com Daemon sempre pareceu particularmente próxima. Ao contrário de Rhaena, que herdou parte da diplomacia e da sensibilidade da mãe, Baela herdou quase integralmente o temperamento do pai. Daemon reconhecia nela algo de si mesmo: a coragem, a obstinação e a recusa absoluta em se submeter.
Foi justamente essa personalidade que a colocou no centro de um dos acontecimentos mais importantes da história recente dos Targaryen: a briga em Driftmark que culminou na perda do olho de Aemond.

Após o funeral de Laena, Baela e Rhaena confrontaram Aemond por ele ter reivindicado Vhagar. A discussão rapidamente se transformou em luta física. Jacaerys e Lucerys intervieram para defender as primas, e o confronto terminou com Lucerys arrancando o olho de Aemond. A guerra que destruiria a família Targaryen já havia começado muito antes de ser oficialmente declarada e Baela estava no centro dela.
A ironia é que, naquele momento, ela era apenas uma menina defendendo a memória da mãe.
Também desde a infância, Baela estava prometida a Jacaerys Velaryon.
Em Fire & Blood, George R. R. Martin deixa alguma ambiguidade sobre se os dois chegaram a se casar formalmente antes da guerra. House of the Dragon, no entanto, transformou Baela e Jace em uma das raras histórias de amor genuínas da franquia. Criados juntos e prometidos desde crianças, os dois desenvolveram uma relação baseada não apenas em alianças políticas, mas também em amizade, admiração e afeto verdadeiro.
É justamente isso que torna a Batalha da Goela tão devastadora.
Na adaptação televisiva, Jace morre tentando salvar Baela durante o ataque da Tríade. Ao voar mais baixo para protegê-la, torna-se vulnerável e acaba abatido. É Baela quem testemunha sua morte. É Baela quem recupera seu corpo. E é Baela quem retorna a Dragonstone carregando não apenas os restos mortais do homem que amava, mas também a prova definitiva de que a guerra havia destruído tudo aquilo que Rhaenyra esperava preservar.

A relação entre Baela e Rhaena também adquire uma dimensão mais trágica em House of the Dragon.
Em Fire & Blood, as irmãs possuem personalidades diferentes, mas não existe uma rivalidade explícita entre elas. A adaptação da HBO, porém, transformou a ausência de um dragão na infância de Rhaena em uma ferida emocional permanente. Enquanto Baela herdou Moondancer, foi prometida ao herdeiro do Trono de Ferro e recebeu do pai uma atenção que Rhaena frequentemente percebia como desigual, sua irmã cresceu convivendo com a sensação de inadequação e abandono.
A decisão da série de transferir para Rhaena parte da trajetória de Nettles torna essa dinâmica ainda mais dolorosa. Quando Jacaerys morre e Baela retorna a Dragonstone carregando seu corpo, as duas irmãs já não ocupam mais os mesmos lugares na guerra. Baela tornou-se a principal herdeira política e emocional da facção negra; Rhaena, por sua vez, finalmente encontrou o dragão que acreditava lhe dar valor.
Paradoxalmente, é justamente nesse momento que as trajetórias das duas começam a se inverter. Baela perde o homem que amava, perde a guerra, perde o dragão e perde praticamente toda a família. Rhaena, ao contrário, emerge da Dança como uma das poucas Targaryen a preservar não apenas a própria vida, mas também seu dragão. Em muitos sentidos, House of the Dragon transforma a antiga rivalidade silenciosa entre as irmãs em uma das maiores ironias da história: a filha que sempre pareceu destinada à grandeza acaba sobrevivendo apenas para testemunhar a destruição de tudo o que amava.

O trailer da terceira temporada sugere ainda que será diante de Baela que veremos uma das primeiras grandes explosões emocionais de Rhaenyra após a morte do filho. A partir desse momento, Baela deixa de ser apenas a filha de Daemon ou a noiva de Jace. Ela se torna uma das figuras mais importantes do lado dos negros.
Durante o breve reinado de Rhaenyra em Porto Real, Baela permanece leal à rainha e se transforma em um símbolo da continuidade da facção negra. Mas o governo de Rhaenyra desmorona rapidamente. A população se revolta, as derrotas militares se acumulam e a família começa a se destruir por dentro.
Ao contrário de Rhaena, que permanece relativamente protegida no Vale, Baela continua escolhendo o perigo. Após a morte de Rhaenyra, ela protagoniza um dos atos mais corajosos de toda a Dança dos Dragões. Montando sua jovem dragão Moondancer, Baela enfrenta sozinha o rei Aegon II e seu dragão, Sunfyre.

O combate se torna uma das batalhas mais extraordinárias e trágicas de Fire & Blood. Embora Sunfyre seja maior, mais forte e muito mais experiente, Baela consegue infligir ferimentos devastadores. O preço, porém, é terrível: Moondancer morre, Sunfyre fica muito ferido e Baela é capturada gravemente machucada. Ela passa os últimos dias da guerra como prisioneira do homem cuja vitória havia destruído praticamente toda a sua família.
Ainda assim, Baela continua sendo Baela.
Ela se recusa a se tornar uma peça política. Recusa-se a abrir mão da própria independência. E, quando a guerra finalmente termina, volta a rejeitar o futuro que outros haviam planejado para ela.
Durante a regência de Aegon III (filho de Rhaenyra e Daemon), Baela se torna uma das mulheres mais populares de Porto Real. Alguns chegam a sugerir que ela poderia ser considerada herdeira do Trono de Ferro. Outros tentam utilizá-la politicamente por meio de casamentos estratégicos e disputas sucessórias.
Ela rejeita todos. Ou quase: ela foge e surpreende a todos quando se casa com Alyn Velaryon. Isso mesmo, as interações entre os dois na série devem ser acompanhadas com atenção. No livro, a origem de Alyn e Addam nunca é inteiramente esclarecida, mas, em House of the Dragon, é confirmado que eles são filhos de Corlys Velaryon. Ou seja, é tio biológico de Baela. O incesto nunca foi problema para os Targaryens e, pelo visto, tampouco para os Velaryons.

O casamento, porém, está longe de ser feliz. Alyn passa grande parte da vida no mar, construindo sua própria lenda, participando de guerras e acumulando amantes. Baela permanece em terra, transformada em uma sobrevivente de um mundo que deixou de existir.
E talvez seja justamente isso que torne Baela Targaryen uma das personagens mais trágicas de Fire & Blood.
Ela sobrevive à mãe que perdeu ainda criança, ao pai que admirava, aos avós que a criaram, ao homem que amava, ao dragão que montava e à rainha que escolheu servir. Sobrevive à guerra que destruiu toda a sua geração. Mas, no universo de Fire & Blood, sobreviver costuma ser muito mais doloroso do que morrer.

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