A pergunta de Marathon Man ainda assusta 50 anos depois

“Is it safe?”

Poucas perguntas provocaram tanto medo no cinema. Fora de contexto, ela parece quase banal. É seguro? Está tudo bem? Podemos prosseguir? Repetida por Laurence Olivier diante de um Dustin Hoffman preso a uma cadeira de dentista, tornou-se uma ameaça capaz de atravessar gerações.

Cinquenta anos depois, talvez continue sendo a síntese perfeita de Maratona da Morte (Marathon Man): um filme sobre pessoas que acreditavam ter sobrevivido ao passado até descobrirem que o passado não havia desaparecido. Estava apenas esperando uma oportunidade para voltar.

Lançado em 1976, o thriller dirigido por John Schlesinger e escrito por William Goldman a partir de seu próprio romance pertence a um dos anos mais extraordinários do cinema americano. Foi também o ano de Taxi Driver, Network, Rocky e Todos os Homens do Presidente, filmes que, cada um à sua maneira, tentavam compreender um país violento, cansado e profundamente desconfiado de suas instituições.

Mesmo dentro desse grupo impressionante, Marathon Man ocupa um lugar particular. Nenhum deles transformou a paranoia política em uma experiência tão íntima, física e dolorosa. Não basta descobrir que o governo mente, que agentes secretos escondem informações ou que as pessoas mais próximas podem não ser exatamente aquilo que parecem. Em Marathon Man, a História entra em casa, atravessa a família e alcança o corpo.

O filme não pergunta apenas se podemos confiar no governo, nos serviços de inteligência, nos amantes ou nos próprios irmãos. Pergunta se algum lugar pode realmente ser seguro enquanto crimes enterrados continuam produzindo dinheiro, poder e silêncio.

Um homem que corre do passado

Dustin Hoffman interpreta Thomas “Babe” Levy, um doutorando em História na Universidade Columbia que escreve sobre a presença da tirania na vida política americana. O tema não é uma escolha apenas acadêmica. Seu pai teve a reputação e a carreira destruídas durante o macarthismo e acabou cometendo suicídio. Babe tenta limpar seu nome, como se compreender aquela perseguição pudesse finalmente organizar a história de sua própria família.

Seu irmão mais velho, Henry “Doc” Levy, interpretado por Roy Scheider, gostaria que ele deixasse o passado para trás. Para Doc, insistir na investigação sobre o pai é permanecer aprisionado a um homem que ele prefere descrever como fraco, alcoólatra e suicida. Para Babe, abandonar o assunto seria aceitar a versão criada por seus perseguidores.

Os dois irmãos escolheram caminhos opostos para enfrentar a mesma ferida. Babe procura respostas nos livros. Doc escolhe a ação, o segredo e o poder.

Babe também corre. Está treinando para uma maratona, mas a corrida não funciona apenas como preparação conveniente para as perseguições que virão. Ela revela algo essencial sobre o personagem. Babe corre porque acredita que pode controlar o próprio corpo quando todo o resto parece fora de controle. Corre para organizar a ansiedade, testar os limites e talvez fugir de uma herança familiar que ainda não sabe como carregar.

O título ganha, assim, uma dimensão muito maior. Babe não está se preparando apenas para completar uma prova. Toda a sua trajetória é uma longa tentativa de resistência.

O filme utiliza imagens de Abebe Bikila, o atleta etíope que venceu descalço a maratona olímpica de Roma em 1960, além de manter fotografias de grandes corredores no quarto de Babe. O ideal não é apenas velocidade, mas resistência, disciplina e capacidade de continuar apesar da dor.

A câmera também corre com ele. Marathon Man esteve entre os primeiros longas a utilizar a então recém-criada Steadicam de Garrett Brown. O equipamento permitiu que Schlesinger acompanhasse Hoffman pelas ruas com uma liberdade que não sacrificava a estabilidade da imagem. Não observamos Babe de longe. Somos levados a correr ao lado dele, como se Nova York fosse um labirinto vivo, respirando em seu encalço.

A tecnologia não está ali apenas para demonstrar uma inovação. Ela coloca a ansiedade do personagem dentro do movimento do filme.

O passado volta em Yom Kippur

Não parece casual que Marathon Man comece durante Yom Kippur, o dia de expiação, arrependimento e reparação no calendário judaico.

Enquanto Babe corre no Central Park, Klaus Szell retira de um cofre bancário uma lata que faz parte da operação envolvendo os diamantes de seu irmão, Christian Szell. Pouco depois, Klaus morre em uma colisão de automóveis, obrigando Christian a deixar seu esconderijo no Uruguai e viajar para Nova York.

A escolha de Yom Kippur produz uma ironia extraordinária. O filme começa em uma data associada ao reconhecimento da culpa justamente quando um criminoso que jamais demonstrou arrependimento retorna para receber o lucro de seus crimes.

Christian Szell não volta para confessar, reparar ou pedir perdão. Volta para buscar seus diamantes.

O personagem interpretado por Laurence Olivier é um criminoso nazista que acumulou riqueza a partir do sofrimento de judeus durante o Holocausto. O regime caiu, a guerra terminou e décadas se passaram, mas os diamantes continuam guardados em um banco americano.

As vítimas morreram. O dinheiro permaneceu.

Esse é um dos aspectos mais perturbadores de Marathon Man. Szell não retorna aos Estados Unidos para reconstruir o nazismo ou liderar um movimento político. O mal reaparece como patrimônio. O horror histórico foi convertido em riqueza privada, protegido por cofres, instituições e acordos silenciosos.

O filme entende que o passado não desaparece apenas porque os sobreviventes envelheceram, os documentos foram arquivados ou os criminosos encontraram novos endereços. Ele continua vivo no dinheiro acumulado, nas identidades falsas e nas redes de proteção que permitem que os culpados sejam tratados como colaboradores úteis.

O governo não perdeu Szell. Negociou com ele

Babe acredita que Doc trabalha no setor petrolífero. Depois do assassinato do irmão, descobre que ele fazia parte de uma agência secreta do governo chamada Divisão.

A revelação mais incômoda, porém, não é a verdadeira profissão de Doc. É a natureza de seu trabalho.

Doc atuava como intermediário em um acordo com Szell. Transportava os diamantes do criminoso para Paris enquanto Szell fornecia informações para a Divisão. O governo americano não havia fracassado em encontrá-lo. Sabia onde estava e havia decidido utilizá-lo.

Isso muda completamente a dimensão política do filme. O Estado não ignora o mal. Negocia com ele.

Szell permanece protegido não porque ninguém conheça sua identidade, mas porque continua sendo considerado útil. A Justiça é substituída por uma relação pragmática. Seus crimes importam menos do que as informações que ainda pode oferecer.

Marathon Man nasceu nos anos posteriores ao escândalo de Watergate e em um momento no qual o cinema americano estava profundamente interessado nas estruturas secretas do poder. Mas sua crítica vai além da desconfiança genérica no governo. O filme mostra uma instituição disposta a permitir que um criminoso nazista conserve sua liberdade e movimente uma fortuna roubada desde que a negociação produza algum benefício.

A impunidade não aparece como acidente. Aparece como política.

Doc também não é apenas o irmão heroico que tenta proteger Babe. Faz parte desse sistema. Ainda que possa ter começado a desconfiar do acordo ou tentado alterar seus termos, ele participou da operação que manteve Szell seguro.

Os dois irmãos vivem sob o peso da História, mas escolheram maneiras muito diferentes de se relacionar com ela. Babe tenta revelar uma injustiça. Doc aprende a conviver com os compromissos obscuros do poder.

Nenhum dos dois está protegido por sua escolha.

Quando até o amor faz parte da conspiração

Enquanto tenta concluir sua tese, Babe conhece Elsa Opel, interpretada por Marthe Keller. Ela parece oferecer uma vida que não depende do pai, de Doc ou da pesquisa. O trabalho acadêmico veio da família. A dor também. Elsa, ao contrário, parece ser algo que Babe escolheu sozinho.

É justamente por isso que a traição é tão cruel.

Os dois são assaltados no Central Park por homens vestindo ternos, uma escolha estranha demais para passar despercebida. Doc percebe imediatamente que não se tratava de um ataque aleatório. Os agressores trabalham para Szell. Mais tarde, Babe descobre que Elsa mentiu sobre sua origem e que também atuava como mensageira na conspiração.

Elsa invade o único espaço que Babe acreditava pertencer exclusivamente a ele. O perigo chegou por meio do irmão. O trauma veio do pai. Mas o amor parecia ser uma escolha própria.

Quando descobre que até aquela relação havia sido planejada e observada por outras pessoas, Babe perde mais do que uma namorada. Perde a certeza de que alguma parte de sua vida era realmente sua.

Todos ao seu redor sabem mais sobre ele do que ele próprio.

Essa é a engrenagem central da paranoia em Marathon Man. Babe não possui as informações, não conhece os códigos e não entende as perguntas que lhe fazem. É perseguido por uma história que desconhece, embora tenha passado a vida estudando História.

“Is it safe?”

Quando Doc é mortalmente ferido por Szell, consegue chegar ao apartamento de Babe, mas morre antes de explicar o que está acontecendo. Para Szell, o fato de Doc ter procurado o irmão só pode significar uma coisa: ele lhe contou algo sobre os diamantes.

Babe é sequestrado e preso a uma cadeira. Szell se aproxima com instrumentos odontológicos e repete a mesma pergunta:

“Is it safe?”

Babe não faz ideia do que ele quer saber.

Szell pergunta se é seguro retirar os diamantes do banco. Babe entende “seguro” no sentido mais elementar: estar protegido, permanecer vivo, escapar da dor. Um deles pergunta sobre dinheiro. O outro tenta responder sobre sobrevivência.

É praticamente o filme inteiro resumido em um mal-entendido.

Babe tenta todas as respostas possíveis. Sim, é seguro. Não, não é seguro. Nenhuma delas funciona porque ele não conhece a pergunta verdadeira.

Quanto mais fala, menos compreende. Quanto menos compreende, mais sofre.

A frase se tornou uma das mais célebres da história do cinema. O American Film Institute incluiu “Is It Safe?” entre suas grandes citações e colocou Szell entre os vilões mais assustadores do cinema. Também reconheceu Marathon Man entre os thrillers mais eletrizantes do gênero.

Mas a cena continua insuportável não apenas por causa da frase. Seu brilhantismo está na transformação de um espaço associado ao cuidado em instrumento de violência. A cadeira, a luz, a broca e os objetos metálicos pertencem a uma experiência reconhecível. O consultório deveria ser um lugar de alívio. Torna-se uma sala de tortura.

O médico, que deveria evitar a dor, controla cada movimento para produzi-la.

Schlesinger não precisa reconstruir campos de concentração nem mostrar grandes cenas de guerra. A violência histórica é condensada em uma boca aberta, um nervo exposto e um homem que não entende por que está sendo torturado.

A sequência que chegou aos cinemas já havia sido reduzida depois que a violência provocou forte reação em sessões de teste. Mesmo assim, tornou-se uma das cenas mais difíceis de assistir em todo o cinema americano dos anos 1970.

Laurence Olivier e a delicadeza do mal

Laurence Olivier constrói Szell sem recorrer aos excessos mais fáceis de um grande vilão. Não grita o tempo todo, não faz longos discursos nem demonstra um prazer espalhafatoso em torturar. É preciso, econômico e quase gentil.

Essa calma é justamente o que o torna aterrorizante.

Szell não se enxerga como um monstro. Age como alguém acostumado a exercer autoridade sobre o corpo dos outros. A violência não é um impulso. É um método.

Olivier contou a Hoffman que encontrou a chave da cena ao observar um jardineiro podando rosas com extremo cuidado. Percebeu que Szell deveria tratar a tortura como um artesão trata suas ferramentas: não com raiva, mas com atenção, técnica e uma espécie de delicadeza perversa.

É uma escolha extraordinária. Szell não parece perder o controle porque nunca precisou perder o controle para destruir alguém.

O trabalho rendeu a Olivier uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e o Globo de Ouro na categoria.

A atuação se torna ainda mais impressionante quando lembramos que o ator atravessava graves problemas de saúde durante as filmagens. Olivier tratava um câncer, dependia de fortes medicamentos e, segundo relatos da produção, às vezes tinha dificuldade para memorizar mais de poucas linhas por vez. Sua condição chegou a criar obstáculos para que fosse segurado pelo estúdio. Ainda assim, entregou uma interpretação baseada justamente na concentração, na voz, no ritmo e no absoluto domínio técnico.

Hoffman lembraria mais tarde que Olivier parecia um general no campo de batalha. Estava doente, mas, se fosse morrer durante o trabalho, morreria atuando.

“Por que você não tenta simplesmente atuar?”

O encontro entre Laurence Olivier e Dustin Hoffman produziu também uma das histórias de bastidores mais famosas do cinema.

Durante décadas, ela foi contada como o confronto definitivo entre duas escolas de interpretação. Hoffman, identificado com o Método americano, teria passado noites sem dormir para chegar realmente esgotado ao set. Ao vê-lo naquele estado, Olivier, representante máximo da tradição clássica britânica, teria perguntado:

“Meu querido rapaz, por que você simplesmente não tenta atuar? É muito mais fácil.”

A frase é perfeita demais para não sobreviver. Resume em poucas palavras a imagem construída em torno dos dois. Hoffman procura a verdade do personagem por meio do próprio corpo. Olivier recorre à técnica, à voz, à imaginação e ao controle.

Olivier nunca escondeu sua desconfiança em relação ao uso excessivamente literal do Método. Em On Acting, defendeu, em essência, que Stanislavski poderia acompanhar o ator durante o estudo e a preparação, mas não deveria ser levado para o set como uma obrigação permanente de sofrimento real.

A história, porém, é mais complexa e mais humana do que a lenda.

Hoffman explicou anos depois que não havia passado aquelas noites acordado apenas para interpretar o esgotamento de Babe. Estava atravessando um período pessoal difícil e saindo à noite. Olivier sabia disso. A pergunta foi uma provocação afetuosa, não uma tentativa de humilhar o colega ou destruir o Método americano. A anedota foi posteriormente simplificada até se transformar em uma disputa quase ideológica.

A correção não enfraquece a história. Torna-a melhor.

O encontro entre os dois continua representando maneiras diferentes de chegar ao mesmo lugar. Hoffman perdeu peso, começou a correr e chegava a algumas cenas realmente ofegante. Olivier selecionava gestos, ritmos e imagens capazes de produzir o efeito desejado sem precisar reproduzir literalmente a experiência do personagem.

Um procura sentir para poder atuar. O outro atua com tamanha precisão que nos obriga a sentir.

E a relação entre eles estava muito distante da rivalidade sugerida pela lenda. Depois das filmagens, Olivier foi à casa de Hoffman, levou uma coleção das obras de Shakespeare como presente e passou horas lendo trechos das peças para ele. Hoffman guardou a lembrança como uma demonstração de generosidade, resistência e amor pelo ofício.

Talvez por isso funcionem tão extraordinariamente juntos. Hoffman leva o esgotamento para dentro do corpo. Olivier transforma o controle do corpo em ameaça.

Um transpira, corre, grita e sangra. O outro observa.

As vítimas ainda reconhecem seu rosto

Há um momento no final de Marathon Man que amplia toda a discussão sobre memória.

Ao circular pelo distrito de joias de Manhattan tentando descobrir o valor de seus diamantes, Szell é reconhecido por sobreviventes do Holocausto. Um avaliador identifica seu rosto. Pouco depois, uma mulher idosa também o reconhece na rua e começa a gritar para que alguém o detenha.

As instituições aceitaram sua nova identidade. Os agentes negociaram sua liberdade. O sistema financeiro protegeu sua fortuna.

As vítimas, não.

Elas ainda sabem quem ele é.

É uma das grandes ironias do filme. Babe estuda a História porque teme que ela seja esquecida. Szell, por sua vez, descobre que a História também tem olhos — e que alguns deles continuam capazes de reconhecê-lo no meio da multidão.

O criminoso acreditou que bastava esperar. Que o tempo apagaria os rostos, enfraqueceria as testemunhas e transformaria seus crimes em um passado distante. Mas a memória sobreviveu ao lado dele.

Não é a Justiça que primeiro o encontra. São os sobreviventes.

O que Babe joga no lago

O confronto final não oferece uma vitória limpa. Babe leva Szell até as instalações hidráulicas do Central Park e tenta obrigá-lo a engolir os diamantes. Szell se recusa. Quando Babe joga a maleta escada abaixo, o criminoso se lança atrás da fortuna e acaba ferido pela própria lâmina. Morre tentando alcançar o patrimônio construído com a morte dos outros.

Não há julgamento. Não há confissão. Não há reparação institucional.

Szell é destruído pela mesma combinação de ganância e violência que definiu sua vida.

Do lado de fora, Babe joga no lago a arma que pertencera ao pai.

Esse gesto importa tanto quanto a morte de Szell. Durante todo o filme, Babe tenta honrar o pai reconstruindo sua história. No fim, compreende que preservar sua memória não precisa significar permanecer aprisionado à sua morte.

Ele não apaga o trauma. Mas recusa continuar carregando seu instrumento.

A sobrevivência não equivale à cura, assim como a morte do criminoso não devolve as vítimas, não recupera Doc e não desfaz as traições. Babe continua vivo, mas já não é o mesmo homem que corria pelo Central Park acreditando que disciplina, estudo e distância seriam suficientes para mantê-lo seguro.

Cinquenta anos depois, ainda é seguro?

Marathon Man continua sendo lembrado pela cadeira de dentista, pela atuação de Laurence Olivier e por uma pergunta repetida até se transformar em ameaça. Mas seu poder vai muito além dessa sequência.

O filme fala sobre a facilidade com que o mundo declara encerradas histórias que nunca foram realmente resolvidas. Fala sobre criminosos que atravessam fronteiras, mudam de identidade e preservam fortunas. Fala sobre governos que convivem com o mal quando essa convivência parece conveniente. E fala sobre filhos obrigados a carregar aquilo que os pais não conseguiram superar.

Também fala sobre a ilusão de que conhecer a História é suficiente para nos proteger dela.

Babe dedicou a vida a estudar o passado e ainda assim não percebeu que estava vivendo dentro dele. Doc conhecia os segredos do poder, mas esse conhecimento não foi capaz de salvá-lo. Elsa acreditou que poderia servir à conspiração sem ser destruída por ela. Janeway pensou que controlava todas as partes do acordo. Szell confiou que dinheiro, silêncio e tempo seriam suficientes para apagar seus crimes.

Todos estavam errados.

Sobretudo, Marathon Man entende que o passado raramente retorna de maneira grandiosa. Não precisa marchar novamente pelas ruas nem anunciar sua chegada. Às vezes, volta silenciosamente, atravessa um aeroporto, entra em um banco, abre um cofre e pergunta se é seguro.

Cinquenta anos depois, ainda não sabemos exatamente o que responder.


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