Uma das aventuras mais extraordinárias da história brasileira vai ganhar as telas do cinema. 100 Dias, novo longa dirigido por Carlos Saldanha, transforma a travessia histórica de Amyr Klink pelo Atlântico Sul em uma produção de grande escala, que combina aventura, drama, memória e superação.
O filme, estrelado por Filipe Bragança, tem estreia marcada para 29 de outubro de 2026 e é inspirado no best-seller Cem Dias Entre Céu e o Mar, obra autobiográfica em que Amyr narrou a viagem que o tornou a primeira pessoa a cruzar o Oceano Atlântico Sul sozinho em um barco a remo.
A chegada do projeto a Paraty, com uma ativação especial de 100 Dias, também dialoga diretamente com o universo da literatura e das adaptações audiovisuais. Afinal, antes de chegar ao cinema, a história de Amyr Klink conquistou gerações nas páginas de um livro que se tornou um clássico da literatura de aventura no Brasil.

Em 10 de junho de 1984, Amyr partiu de Lüderitz, na Namíbia, em um pequeno barco a remo. Cem dias depois, em 18 de setembro, chegou à Praia da Espera, no litoral baiano, concluindo uma travessia que era considerada impossível à época. Foram cerca de 3.700 milhas entre a África e o Brasil, em uma jornada marcada por solidão, resistência física, medo, disciplina e autoconhecimento.
No cinema, essa experiência ganha contornos épicos. Mais do que reconstituir um feito náutico, 100 Dias acompanha a transformação interior de um homem diante do oceano. Sozinho em alto-mar, Amyr enfrenta não apenas a força da natureza, mas também memórias, conflitos familiares e escolhas que ajudaram a moldar sua identidade.
A direção é de Carlos Saldanha, um dos cineastas brasileiros de maior projeção internacional, responsável por sucessos como A Era do Gelo e Rio. Agora, o diretor volta seu olhar para uma história profundamente brasileira, mas com vocação universal: a de alguém que decide avançar mesmo quando tudo ao redor parece dizer que aquilo não é possível.
O roteiro é assinado por Elena Soarez, de Casa de Areia, e Thais Tavares. A produção aposta em uma abordagem visual imersiva para transformar o oceano em personagem e traduzir, em imagens, a dimensão física e emocional da travessia.
No elenco, Filipe Bragança interpreta Amyr Klink. O ator, visto em produções como Ainda Estou Aqui e Domingo, assume um papel que exige não apenas entrega física, mas também intensidade emocional. A história depende do silêncio, da solidão e da força interna de um protagonista que passa grande parte da narrativa isolado no mar.
O filme também conta com Philippine Leroy-Beaulieu como Asa Klink, mãe de Amyr, além de Felipe Camargo como Jamil Klink e João Vitor Silva como Tymur Klink, pai e irmão do navegador. O elenco ainda reúne nomes como Duda Mamberti, Martha Nowill, Enzo Rosetti, Biel Cano, Gero Camilo e Andre Horace Polushin.
O livro que inspira o longa já ultrapassou 300 mil cópias vendidas no Brasil, um número expressivo para o mercado editorial nacional. Com a estreia do filme, a obra ganhará uma nova edição pela Companhia das Letras, reforçando o interesse renovado pela trajetória de Amyr e por sua travessia histórica.
A produção é da Ventre Studio, com coprodução da Buena Vista International, Boipeba Filmes, Trema Filmes, O2 Post e Total Post. A distribuição é da Buena Vista International, selo de produções locais da The Walt Disney Company.

A equipe técnica reúne nomes importantes do audiovisual brasileiro e internacional. A direção de fotografia é de Rodrigo Monte, de Senna; a direção de arte é de Cassio Amarante, de Xingu; o casting é de Marcela Altberg, de Elis; o figurino é de Kika Lopes; e a montagem é de Fernando Stutz. A trilha sonora original é assinada pelo compositor finlandês Tuomas Kantelinen.
Nos bastidores, a produção também teve sua própria longa travessia. Segundo Justine Otondo, produtora e sócia do Ventre Studio, Amyr Klink demorou dois anos para projetar o barco e realizar a viagem. Já o filme levou oito anos entre compra dos direitos, financiamento, produção e lançamento.
“Foram mais de oitocentas pessoas trabalhando incansavelmente. Como bem disse Amyr: ninguém navega sozinho. Nós também não”, afirma a produtora.
Para João Queiroz Filho, produtor e sócio do Ventre Studio, produzir 100 Dias é mais do que contar uma aventura marítima. É levar ao público uma narrativa brasileira sobre coragem, sonho, resiliência e a capacidade humana de seguir em frente diante do impossível.
A produtora Paula Cosenza também destaca a dimensão coletiva do projeto. Segundo ela, quando Amyr Klink confiou o desafio de transformar seu livro em filme, Carlos Saldanha parecia o comandante ideal para a travessia cinematográfica. “Ninguém melhor do que ele para transformar o que é extremamente brasileiro em algo de interesse mundial”, comenta.
Com apoio da ANCINE, do Ministério da Cultura, do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Lei Paulo Gustavo, e patrocínio de marcas como Havaianas, Itaú, C6 Bank, BNDES e Honda, o longa chega ao calendário do cinema nacional como uma das grandes apostas de 2026.
Ao adaptar Cem Dias Entre Céu e o Mar, 100 Dias tenta transformar uma façanha real em uma experiência cinematográfica de aventura e emoção. A travessia de Amyr Klink já era, por si só, uma história maior do que a vida. Agora, cabe ao cinema levá-la novamente ao público — não apenas como registro de um feito histórico, mas como reflexão sobre coragem, solidão, pertencimento e a força de continuar remando quando não há terra à vista.
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