Depois de tanto reclamar, o trailer de Os Anéis de Poder me animou

Eu reclamei muito de Os Anéis de Poder e não vou fingir agora que meus problemas com a série desapareceram por causa de um bom trailer. Ainda assim, preciso admitir: as primeiras imagens da nova temporada me impressionaram e, contra boa parte das minhas expectativas, conseguiram me deixar sinceramente animada com o que vem por aí.

Talvez seja importante esclarecer que minhas críticas nunca partiram de qualquer purismo em relação à obra de Tolkien. Não li os livros e, portanto, não tenho como discutir com autoridade cada mudança de cronologia, personagem ou mitologia feita pela adaptação. Meu maior problema sempre esteve na própria protagonista.

A Galadriel de Os Anéis de Poder, pelo menos para mim, é uma personagem difícil de acompanhar e ainda mais difícil de amar. Ela é impulsiva, arrogante, egoísta e frequentemente incoerente. Em muitos momentos, parece incapaz de enxergar qualquer realidade que não seja a sua própria dor, sua missão ou sua obsessão. Há nela um narcisismo que a série nem sempre parece reconhecer como problema, tratando como força atitudes que, vistas de fora, muitas vezes apenas afastam a personagem do público.

Naturalmente, seria injusto exigir que Morfydd Clark interpretasse desde o início a mesma Galadriel vivida por Cate Blanchett nos filmes de Peter Jackson. Blanchett interpreta uma personagem muito mais madura, consciente de seu poder e atravessada por séculos de experiências que a Galadriel da série ainda não viveu. Existe uma distância temporal imensa entre as duas versões.

Mesmo levando isso em conta, porém, a diferença não está apenas na maturidade. A Galadriel de Blanchett possui uma grandeza que nasce também do autocontrole, da escuta e da consciência dos perigos de seu próprio desejo. A da série parece repetidamente dominada por esse desejo, sem que a narrativa encontre sempre uma forma convincente de transformar seus erros em verdadeiro crescimento.

Esse é, para mim, o grande obstáculo de Os Anéis de Poder. Todo o restante funciona muito melhor. A série tem beleza, escala, um elenco forte, um Sauron cada vez mais interessante e um universo no qual é fácil desejar permanecer. Meu problema nunca foi estar na Terra-média. Foi precisar atravessá-la seguindo uma protagonista que frequentemente me irritava mais do que me envolvia.

Finalmente chegamos à história que conheço

O novo trailer muda um pouco essa relação porque a série finalmente parece entrar na parte da história que conheço de verdade: o prólogo de O Senhor dos Anéis, os acontecimentos que explicam o mundo encontrado por Frodo, Gandalf, Aragorn e toda a Sociedade muitos anos depois.

Agora não estamos mais apenas diante de uma longa preparação ou de mistérios criados para a televisão. Estamos nos aproximando da criação do Um Anel, da expansão definitiva do poder de Sauron e da guerra que marcará para sempre a Terra-média. Sabemos que uma derrota imensa está por vir. Sabemos que os personagens caminham para tragédias, perdas e decisões cujas consequências atravessarão gerações.

E talvez seja exatamente isso que torne tudo tão emocionante.

Não há suspense sobre a vitória final desse momento da história. Sauron não será definitivamente destruído, a ameaça continuará existindo e o mundo que veremos nascer será marcado pela falha daqueles que tentaram detê-lo. Mas conhecer o destino não elimina a emoção. Em histórias como essa, muitas vezes acontece o contrário. Saber que os personagens estão caminhando para a ruína torna cada esperança ainda mais dolorosa.

Também existe a promessa de vermos uma Galadriel diferente. A personagem se reencontrará com Celeborn e, ao que tudo indica, a série finalmente poderá explorar uma dimensão dela que esteve praticamente ausente até aqui. Ver Galadriel se apaixonar, construir uma relação e talvez descobrir uma vida que não esteja organizada exclusivamente ao redor de Sauron pode ajudar a aproximá-la da mulher que um dia conheceremos.

Não se trata de acreditar que um romance resolverá seus problemas ou suavizará automaticamente uma personagem difícil. Mas talvez o amor, a perda e a consciência do desastre que se aproxima obriguem Galadriel a olhar para além de si mesma. E esse é o movimento que mais tenho esperado desde o início da série.

Um bom trailer ainda é apenas uma promessa

É claro que continuo desconfiada. Os Anéis de Poder sempre soube produzir imagens grandiosas, batalhas bonitas e trailers capazes de despertar curiosidade. O desafio é transformar essa promessa em episódios com ritmo, emoção e coerência.

Minha crítica à protagonista também não desaparece porque a temporada parece maior ou mais sombria. Para que a série realmente funcione, Galadriel precisa evoluir de maneira perceptível. Não basta dizer que ela é mais jovem do que a personagem de Cate Blanchett. É necessário mostrar como aquela mulher impulsiva, arrogante e tantas vezes incapaz de escutar se tornará a figura sábia, poderosa e assustadoramente consciente de si mesma que encontramos mais tarde.

Mas, desta vez, existe algo que me faltava nas temporadas anteriores: a sensação de que estamos finalmente caminhando para uma história que importa não apenas porque a série afirma que ela importa, mas porque conhecemos suas consequências.

Depois de reclamar tanto — e ainda acreditar que havia razões para reclamar — preciso reconhecer: fiquei impressionada com o trailer. A série ainda tem de me convencer em relação à sua Galadriel, mas agora possui a seu favor Sauron, o Um Anel, uma guerra inevitável e a aproximação da tragédia que abre a história de O Senhor dos Anéis.

Sabemos que quase tudo dará errado. Sabemos que uma derrota devastadora está por vir. E, ainda assim, talvez justamente por isso, será emocionante assistir.


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