House of the Dragon, T.3, Ep.07 (Recap): preparação para o caos final

Quando comentei com minha irmã que ainda teremos um último episódio de House of the Dragon na semana que vem, ela fez a pergunta que provavelmente passou pela cabeça de muita gente: “E depois teremos que esperar outros dois anos?”. Provavelmente por isso, agora que a temporada está quase terminando e ainda há tanta coisa para acontecer, a distância em Westeros parece ter diminuído drasticamente. Alicent chega a Harrenhal em poucos dias, mas a montagem faz parecer que foram apenas algumas horas, enquanto outros personagens também circulam pelo continente com uma agilidade impressionante. Menos, claro, os homens que marcham para Tumbleton.

Guia completo de House of the Dragon

O penúltimo capítulo faz justamente o contrário de enrolar. Depois de uma temporada em que muitos personagens permaneceram presos aos mesmos lugares e conflitos, finalmente quase todas as peças se movimentam: Rhaena é descoberta, Daemon retorna, Alicent tenta matar Aemond, Ulf muda de lado, Sunfyre desperta e Rhaenyra encontra em Mysaria uma nova amante. Há tanta coisa acontecendo que alguns acontecimentos importantes quase não têm tempo para respirar. Enfim, vamos ao recap comentado.

Começamos em meio a um sonho ou profecia porque, sempre que temos Helaena, podemos tentar decifrar por meio dela o que está por vir. Os leitores de Fogo & Sangue, naturalmente, têm mais elementos para especular, até mesmo sobre o “homem cinzento” que ela conta a Rhaenyra ter visto. O problema é que as visões de House of the Dragon são tão enigmáticas que, muitas vezes, parecem existir apenas para que o público reconheça seu significado depois que tudo já aconteceu.

Helaena sonha que dá à luz Maelor e que soldados levam o filho, algo especialmente doloroso para quem sabe o que pode acontecer com ele. Também a vemos montada na lindíssima Dreamfyre, queimando uma multidão enfurecida que invade o Fosso dos Dragões. Em seguida, ela aparece com Jaehaera e possivelmente Jaehaerys em uma casa simples no campo, durante um dia ensolarado que se transforma quando a neve começa a cair e um eclipse escurece o céu. Tudo é muito etéreo, mas quem sabe, sabe — ou pelo menos acredita saber — o que pode significar.

Nem Helaena tem a oportunidade de compreender o que viu porque é acordada por Rhaenyra, curiosa e quase animada demais ao perceber que tem uma vidente à sua disposição, ou assim imagina. A rainha agarra a meia-irmã pelos braços e praticamente exige respostas: Helaena viu sua vitória? Sabe onde está Vhagar? Consegue localizar seus inimigos? Se Rhaenyra convivesse com leitoras de tarô, saberia que a banda não toca assim. Helaena não controla suas visões, nem necessariamente entende o que vê e, sobretudo, não está com a menor vontade de ajudar a mulher que a mantém prisioneira e a trata daquela maneira.

O fato é que Rhaenyra nunca foi tão popular quanto acredita e agora está conseguindo desagradar praticamente a todos, algo que apenas aumenta sua insegurança. Sua maneira mais prática de lidar com os problemas continua sendo afastá-los quando começam a exigir muita energia. No Pequeno Conselho, não há sinal de Corlys ou Daemon, enquanto Torrhen Manderly reclama de ter sido transformado no responsável pela crise financeira do reino. A paciência de todos já foi para o ralo.

Mysaria, mesmo sem ser mais completamente eficaz nos ouvidos da rainha, consegue alimentar a discórdia e as dúvidas em relação a Daemon. Surgiram relatos de Sheepstealer voando com alguém, o que significa que outra pessoa está dominando o dragão selvagem. Ou, como Mysaria aproveita para sugerir, será mesmo que se trata de alguém que Rhaenyra desconhece? A dúvida está plantada.

A missão também não ajuda Baela, cansada de correr atrás de Vhagar e Sheepstealer e convencida de que Rhaenyra apenas quer mantê-la ocupada e longe de Porto Real. Addam tenta aproveitar a proximidade e pede sua ajuda para assegurar o título dos Velaryon caso ele ou Alyn conquiste o favor de alguma dama de nascimento nobre. A conversa quase parece um pedido de casamento, mas Baela interpreta tudo como uma referência ao irmão dele. Addam fica arrasado ao perceber que Alyn falou com ela.

Essa frustração existe quase inteiramente porque a série decidiu criar um triângulo amoroso incestuoso: Addam está interessado em Baela, mas ela só pensa em Alyn. É muito estranho ter dois tios disputando a sobrinha, mas estamos em Westeros e, aparentemente, é isso que temos.

Enquanto tudo isso acontece, Daemon encontra Rhaena nas Terras Fluviais, perto do Ramo Azul do Tridente. A filha está cansada de viver escondida, isolada de todos que ama, e se mostra disposta a enfrentar a ira de Rhaenyra e até morrer queimada por seu envolvimento na morte de Jace. Ela também deixa claro que Sheepstealer é um dragão selvagem e não obedece completamente às suas ordens, algo que talvez fosse importante Daemon explicar à esposa.

Eles mal conseguem trocar algumas palavras quando avistam dois dragões se aproximando: Rhaenyra em Syrax e Addam em Seasmoke. Daemon manda Rhaena fugir a pé porque acredita que, se ela subir em Sheepstealer, os outros dragões a arrancarão do céu. Addam corre atrás dela, carregando sua bolsa, enquanto Rhaenyra compreende que o mistério da cavaleira desconhecida e a ausência de Daemon são, na verdade, uma única história.

Rhaenyra fica duplamente indignada com a mentira porque Daemon não apenas a enganou, mas fez isso acreditando que ela seria capaz de matar a filha dele. Não há, porém, muito tempo para discutir. A tensão entre os humanos provoca a ira dos dragões, e Sheepstealer ataca Syrax. Seasmoke entra na luta, assim como Caraxes, que enterra os dentes no pescoço do dragão selvagem. É uma das melhores sequências com dragões de todo o universo de Game of Thrones, violenta e assustadora justamente porque aquelas criaturas deixam de parecer armas controladas pelos Targaryen e voltam a ser animais gigantescos, imprevisíveis e apavorados.

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Rhaenyra leva Rhaena para Syrax e retorna a Porto Real. Daemon manda Addam escoltar a rainha e permanece com Caraxes enfrentando Sheepstealer. Ele chega a ser derrubado, mas, quando o dragão ferido se afasta, ensanguentado e quase se arrastando, não ordena que Caraxes o persiga. Talvez ainda esteja tentando proteger Rhaena, talvez reconheça que o dragão não agiu por traição. De qualquer forma, Sheepstealer sobrevive e desaparece para cuidar dos ferimentos.

Em Porto Real, Rhaenyra manda Rhaena para um quarto, mas não quer lidar com a enteada. Baela, ao contrário, a perdoa. Rhaena pede desculpas pela morte de Jace e é surpreendida quando a irmã a abraça, garantindo que ela poderá recomeçar. Rhaenyra não consegue ser tão generosa. Em seus aposentos, contempla o crânio falso que Daemon usou para convencê-la da morte de Sheepstealer, cujo sorriso macabro agora parece zombar de sua sede de vingança e de sua incapacidade de perceber que estava sendo enganada.

Daemon pede desculpas e explica que queria proteger a filha que negligenciou durante tanto tempo. Rhaenyra, porém, está muito mais ferida com aquilo que a mentira revela sobre a maneira como ele a enxerga.

“Proteger do quê? O que você pensa que eu sou?”

Em Harrenhal, as coisas ficam ainda mais estranhas. Aemond sonha que está sendo seduzido por Alicent, repetindo o complexo materno que a série já vinha explorando, mas desperta fazendo sexo com Alys. Ele a afasta, sai do quarto e encontra a mãe verdadeira em um dos corredores do castelo. Aemond chega a tocar o rosto dela para confirmar que não está diante de outra visão.

Alicent chegou acompanhada de Sor Adrian, que deveria servir como guia e cúmplice na missão de matar o príncipe. Aemond, porém, assassina o homem quase imediatamente, alegando que Harrenhal guarda segredos e que ele não pode confiar em nenhum estranho. Alicent precisa improvisar, mas antes compartilha um jantar constrangedor com o filho e a mulher que claramente ocupa uma posição íntima demais na vida dele. Festas familiares podem ser definitivamente descartadas.

Alys percebe imediatamente que Alicent tem segundas intenções e alerta Aemond de que a mãe não quer seu bem. Alicent chega a considerar usar a Adaga de Aço Valiriano, mas, preocupada também com o que poderia acontecer com Helaena em Porto Real, escolhe uma alternativa menos direta e coloca beladona no chá do filho. Aemond desaba novamente aos pés de Alys, que olha para ele como se todos os garotos Targaryen fossem variações do mesmo problema.

“Idiota.”

Alicent foge de Harrenhal antes de confirmar se o veneno matou Aemond. Já do lado de fora, ela para e parece finalmente compreender o que acabou de fazer. Ele, naturalmente, ainda está vivo e rasteja até Alys, que pode salvá-lo. Alicent continua sendo Alicent: toma decisões terríveis, executa todas pela metade e só depois parece pensar nas consequências.

Em Tumbleton, Ormund voltou a ser o arrogante de sempre. Os 20 mil Lobos do Inverno estão a apenas um dia de distância, levando a cabeça de Sor Criston Cole em uma lança, mas Ormund permanece surpreendentemente tranquilo. Daeron e Gwayne não conseguem entender o motivo. Gwayne lamenta a morte de Cole e compara sua busca por uma glória eterna à arrogância de Ormund, enquanto Daeron deixa claro que não quer ser rei. Ele não teme ser insignificante e, por ele, Rhaenyra pode conservar a coroa.

Corlys continua prisioneiro dos Verdes, mas não tem paciência para Ormund, que tenta oferecer uma aliança enquanto fala dos Targaryen como selvagens e ainda menciona que Rhaenys era “do sangue deles”. Definitivamente, não é uma abordagem diplomática promissora. Ormund, porém, sabe que Rhaenyra não negociará com o velho e está interessado em atingir outra pessoa. Ele corta o dedo de Corlys, ainda com o anel dos Velaryon, e o envia para Alyn.

Ormund afirma que possui um trunfo capaz de virar o jogo e colocar Daeron no trono. A princípio, parece estar falando de Corlys, mas sua verdadeira arma é Ulf. O cavaleiro de dragão deveria apenas observar os Verdes, mas aquela claramente não é sua primeira conversa com Ormund. Ele recebe cerveja, atenção, respeito, liberdade para procurar mulheres e a promessa de um castelo. Não é qualquer castelo: Driftmark, o lugar de Corlys, é uma recompensa que Ormund provavelmente não pode nem pretende entregar.

Ainda assim, é significativamente melhor do que os tapas, a humilhação e o desprezo que Ulf recebe dos Pretos. Rhaenyra e Daemon jamais consideraram que maltratar um homem ressentido, bêbado e dono de um dos maiores dragões do mundo poderia levá-lo a aceitar as promessas de quem estivesse disposto a massagear seu ego.

“Eles nunca mais rirão de você”, promete Ormund.

“Não. Eles irão queimar”, responde Ulf.

A grande ausência em Tumbleton é Hugh Hammer, que continua na cidade por causa de Kat, sua esposa. Ela se recusa a partir, e isso pode colocá-lo diretamente nas mãos de Ormund. Se o Hightower conquistar também Hugh, terá Daeron e Tessarion, Ulf e Silverwing e possivelmente Hugh e Vermithor. O equilíbrio de forças mudará completamente antes que os Pretos compreendam o que está acontecendo.

Na estrada, Aegon continua em fuga ao lado de Larys e Tyland Lannister, mas o grupo encontra uma multidão de refugiados tentando escapar de um exército vindo de Maidenpool. A surpresa é que os soldados não estão procurando Aegon, mas Tyland e o ouro do Tesouro que ele escondeu. Larys e Tyland aconselham o antigo rei a fugir por qualquer caminho disponível, mas Aegon decide que não morrerá como um fugitivo nem permitirá que os livros de história registrem que foi assassinado pelo próprio irmão.

Larys conclui que, por ser deficiente, não teria utilidade em uma batalha e abandona os companheiros, embora essa seja claramente apenas uma desculpa para salvar a própria pele. Tyland, ao contrário, surpreende ao decidir permanecer. Ele não permitirá que seu rei enfrente sozinho um exército que está ali por sua causa.

Quando os homens de Lorde Mooton chegam durante a noite, Aegon começa um discurso desafiador e exige que reconheçam nele o rei legítimo. Os soldados recuam, mas não porque tenham sido convencidos por sua coragem. Sunfyre surge atrás dele.

O dragão, dado como morto depois de permanecer abandonado nos arredores de Rook’s Rest durante meses, retorna para proteger Aegon e reaparece com o rosto deformado, combinando com seu cavaleiro. A série já havia deixado uma pista quando Aegon afirmou sentir que Sunfyre ainda estava vivo, algo que todos interpretaram como delírio. O corpo do dragão também não apresentava os sinais de decomposição vistos em outros animais mortos, o que sugere que ele entrou em algum tipo de hibernação enquanto se recuperava.

Aegon grita e gargalha ao ordenar “dracarys”, enquanto Sunfyre incinera os homens de Lorde Mooton. Por alguns instantes, ele volta a se sentir como rei, deliciando-se com o poder e a crueldade de que tanto sentia falta. Para Rhaenyra, é mais uma equação complicada: Aegon está vivo, Sunfyre também e a história acaba de devolver aos Verdes um dragão que ela acreditava eliminado.

Mysaria, por sua vez, está em maus lençóis. Suas informantes das ruas acreditam que ela mudou, que está envolvida demais com a Corte e que perdeu o contato com aqueles que lhe deram poder. Ela também sabe que Rhaenyra pode ouvi-la enquanto Daemon estiver ausente, mas sua influência diminui assim que ele reaparece.

Depois de mandar o marido embora, Rhaenyra procura Mysaria. A rainha lamenta ter destruído tudo o que Viserys desejava para seu governo, mas também acusa a antiga amante de Daemon de manipulá-la. O mais revelador é que Rhaenyra percebe a manipulação e, mesmo assim, se deixa seduzir. Ela precisa desesperadamente que alguém acredite nela, que a valorize e garanta que ainda tem o direito de ocupar o trono.

Mysaria sabe exatamente o que dizer.

“Neste momento, minha rainha, Rhaenyra, nunca tive tanta certeza de seu governo.”

Os beijos se tornam mais intensos, e as duas se deitam juntas. Como conselheira, Mysaria já não consegue alcançar completamente Rhaenyra. Como amante, pode recuperar sua confiança — pelo menos até que a próxima insegurança da rainha mude novamente o equilíbrio entre elas.

Para quem leu o livro, mesmo com todas as mudanças nas tramas e subtramas, muitos segredos já estavam anunciados. Ainda assim, o tabuleiro nunca esteve tão confuso. Ulf mudou de lado, Hugh permanece vulnerável em Tumbleton, Aemond sobreviveu à tentativa de assassinato da própria mãe, Sunfyre está vivo e Rhaenyra descobriu que Daemon mentiu para proteger Rhaena. Ao mesmo tempo, os dragões já não parecem armas completamente controladas por seus cavaleiros, mas criaturas assustadas, violentas e imprevisíveis.

A luta entre Syrax, Seasmoke, Caraxes e Sheepstealer é espetacular, uma das melhores sequências que a série já produziu, mas o episódio não vive apenas do espetáculo. Ele reorganiza alianças, expõe ressentimentos e transforma personagens aparentemente secundários em ameaças decisivas. Ormund entendeu, antes de Rhaenyra, que uma guerra não é vencida apenas com dragões, mas também com promessas, vaidade e a capacidade de reconhecer o ponto fraco de cada pessoa.

Resta somente um episódio, o que parece pouco diante de tudo o que acaba de ser colocado em movimento. A próxima grande batalha se aproxima, os traidores já escolheram seus lados e o que está ruim ainda pode piorar. E vai.


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