Monster: Lizzie Borden ganha data de estreia na Netflix

Em outubro do ano passado, quando a terceira temporada de Monster terminou, escrevi sobre Lizzie Borden e sobre o motivo pelo qual sua história continua sendo revisitada mais de 130 anos depois dos assassinatos de seu pai e de sua madrasta. Na época, a Netflix já havia confirmado que ela seria a primeira mulher colocada no centro da antologia de Ryan Murphy e Ian Brennan. Agora, finalmente, temos data e primeiras imagens: Monster: The Lizzie Borden Story estreia em 17 de setembro.

Ella Beatty, que apareceu em Feud: Capote vs. The Swans, interpreta Lizzie. Vicky Krieps será Bridget Sullivan, a empregada que vivia com a família Borden; Charlie Hunnam, depois de protagonizar a temporada sobre Ed Gein, retorna como Andrew Borden, o pai de Lizzie; Rebecca Hall vive Abby, sua madrasta; Billie Lourd interpreta Emma, a irmã mais velha; e Jessica Barden será a atriz Nance O’Neil, amiga próxima de Lizzie.

Mas o mais interessante na revelação da Netflix não é apenas a data. É a confirmação do ponto de vista escolhido para contar uma história que, em termos policiais, nunca foi resolvida.

A sinopse oficial apresenta Lizzie como a filha reprimida de uma rica família da Nova Inglaterra que, ao lado de sua empregada rebelde, está aprisionada em uma casa construída sobre humilhação e crueldade. As duas escapam por meio de uma fantasia de sexo, poder e vingança. Os assassinatos que se seguem não apenas chocam o mundo: transformam Lizzie em uma mulher que se recusa a continuar vivendo dentro de uma prisão e decide construir a própria lenda.

Ou seja, a série não parece particularmente interessada em reconstruir o julgamento para perguntar outra vez se Lizzie segurou ou não o machado. Ryan Murphy escolheu uma resposta mais provocadora: investigar o que precisaria acontecer dentro de uma casa, de uma família e de uma sociedade para que uma mulher como ela se tornasse possível.

A própria Ella Beatty definiu a temporada como uma investigação sobre a psicologia de uma figura complicada e sobre um crime americano que alcançou proporções quase míticas. A atriz também destacou que a série abordará a raiva e a repressão femininas, temas que, segundo ela, continuam assustadoramente atuais.

É exatamente por isso que Lizzie Borden nunca desapareceu. Seu caso já virou filme, série, musical, ópera e até ballet. Cada geração encontra uma nova maneira de olhar para ela: assassina, vítima, mulher oprimida, amante, filha ressentida, símbolo feminista ou personagem criada pela imaginação coletiva.

Em 2018, Chloë Sevigny e Kristen Stewart já haviam explorado a possibilidade de uma relação entre Lizzie e Bridget no filme Lizzie. A nova temporada parece retomar esse caminho, mas dentro do universo estilizado de Ryan Murphy: uma história gótica sobre desejo, violência, misoginia e libertação, assumindo inclusive as lacunas históricas como espaço para a fantasia.

Quando escrevi sobre ela no ano passado, terminei dizendo que Monster não precisava responder quem matou Andrew e Abby Borden. Bastava perguntar o que o caso dizia sobre nós e sobre nossa necessidade de transformar mulheres indecifráveis em monstros.

Pelas primeiras imagens, a Netflix não pretende apenas fazer essa pergunta. Pretende entregar o machado a Lizzie e deixar que ela mesma responda.


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