Ted Lasso voltou diferente, mas ainda sabe onde nos encontrar (Recap Ep. 1/T.4)

Ted Lasso voltou e, como não poderia deixar de ser, trouxe uma coleção de referências, piadas internas e pequenos presentes para quem esperou três anos para reencontrá-lo. Há muito de familiar na estreia da quarta temporada. Ao mesmo tempo, este é um Ted diferente. Mais quieto, mais morno e, por alguns momentos, quase irreconhecível.

Nós o reencontramos no Missouri, perto do filho Henry e aparentemente satisfeito com a vida que escolheu. Ted garante que está feliz. Está presente, cuida do filho e circula por empregos que confirmam que continua sendo uma pessoa querida e capaz de transformar qualquer ambiente. Mas também vemos um homem que já foi um técnico celebrado trabalhando como gerente de supermercado e tentando nos convencer, e talvez convencer a si mesmo, de que aquilo basta.

A esta altura de Ted Lasso, sabemos reconhecer o que existe por trás de um sorriso excessivamente tranquilo. Ted diz que está bem, tudo parece estar bem, mas existe alguma coisa triste naquele retorno para casa. Uma frustração que ele ainda não sabe nomear ou que, fiel ao homem que conhecemos, prefere esconder enquanto pergunta como os outros estão.

É quando Rebecca, Keeley e Higgins aparecem inesperadamente no Missouri com uma proposta: querem que Ted volte para Londres para comandar o novo time feminino do AFC Richmond. O projeto que surgiu no final da terceira temporada não está funcionando como elas esperavam. As jogadoras não estão vencendo e Rebecca acredita que precisam do melhor técnico que ela conhece.

Antes de responder, Ted conduz os amigos por sua América. Apresenta o churrasco de Kansas City, os hábitos locais e todos os excessos que permitem à série inverter sua brincadeira original. Na primeira temporada, era Ted quem chegava à Inglaterra sem compreender o futebol, o chá e os códigos britânicos. Agora são os ingleses que desembarcam no interior dos Estados Unidos e estranham a gordura, as porções e a cultura americana que formou o amigo.

A inversão mais divertida, porém, está na reação de Ted ao convite. Ele olha para Rebecca e pergunta se ela está tentando destruir o próprio time. Afinal, foi exatamente por isso que ela o contratou tantos anos antes: Rebecca queria arruinar o Richmond para se vingar de Rupert e escolheu um treinador americano que nada sabia sobre futebol. Desta vez, ela não quer o pior. Ela quer o melhor. E o melhor, para Rebecca, continua sendo Ted.

Durante uma conversa em torno da mesa, ele propõe que ninguém fale de trabalho e que cada um conte como está sua vida. Keeley, naturalmente, não consegue deixar o trabalho de fora porque o trabalho praticamente se tornou sua vida. Rebecca afirma que está bem e que seu relacionamento à distância continua funcionando. Higgins também parece feliz. Em poucos minutos, recebemos uma atualização sobre todos eles e percebemos a verdade escondida sob aquela reunião cuidadosamente otimista: todos estão aparentemente bem, mas ninguém parece completamente bem.

O mesmo vale para Ted. A mãe pretende vender a casa onde ele cresceu, obrigando-o a enfrentar a possibilidade de perder o lugar em que estão guardadas suas lembranças mais felizes e também a mais traumática delas: a morte do pai. Ted voltou para ficar perto de Henry, mas voltar para casa não significou necessariamente voltar para a vida que queria. Talvez tenha significado apenas escolher o lugar em que sua culpa seria mais suportável.

Por isso, esta não é uma estreia particularmente empolgante. É um episódio de transição, deliberadamente mais lento, que precisa explicar o que aconteceu e construir as condições para que Ted aceite retornar a Londres. Quando a série começou, nós o conhecemos já atravessando o Atlântico. Não vimos exatamente o prólogo daquela decisão, o que ele estava deixando ou por que um homem sem qualquer experiência no futebol inglês aceitaria uma proposta tão absurda. Desta vez, a série nos permite acompanhar esse processo.

A quarta temporada também não poderia simplesmente repetir o Ted que chegou ao Richmond. Ele já conquistou os jogadores, mudou o clube e ensinou quase todos ao redor a serem um pouco melhores. Agora, precisa encontrar uma razão nova para voltar. O desafio não será apenas aprender a treinar mulheres ou reconstruir outra equipe. Será descobrir se ainda consegue fazer por si mesmo aquilo que sempre fez pelos outros.

A estreia planta, sem grande pressa, todas as sementes tipicamente lassonianas. Há humor, afeto, comida, frases otimistas e pessoas tentando esconder suas dores para não incomodar quem amam. Há também um novo desafio que parece esportivo, mas evidentemente nunca será apenas sobre futebol.

Ted Lasso voltou. Não exatamente como o homem de quem nos despedimos, mas como alguém que ainda precisa vencer os próprios traumas e finalmente abraçar a vida que deseja. Talvez esta seja justamente a história que faltava contar.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário