Lioness Op: episódio 2 aprofunda o mistério do sequestro de Joe

O segundo episódio da terceira temporada de Lioness, “No Sorrow Like the Survivor”, começa exatamente onde a temporada começou: com Joe sequestrada. A diferença é que agora vemos um pouco mais do pesadelo que a espera. Arrancada de seu carro diante de casa, ela é levada para outro endereço, despida e ameaçada por homens que sabem que existe um rastreador em seu corpo. Joe tenta ganhar tempo, mas acaba indicando onde está o dispositivo. Quando sua equipe finalmente chega ao local, encontra apenas sangue e o rastreador deixado para trás. Joe já desapareceu novamente.

É uma abertura brutal, mas Lioness ainda não quer nos contar exatamente como Joe chegou até ali. Assim como fez na estreia, a série volta seis meses no tempo e transforma o episódio em uma investigação sobre o próprio sequestro. Sabemos o que vai acontecer. O suspense agora está em descobrir quem conseguiu localizar uma das agentes mais protegidas da CIA em pleno território americano e, talvez mais importante, como conseguiu chegar tão perto de sua família.

É aí que “No Sorrow Like the Survivor” se torna mais interessante do que simplesmente mais um capítulo de ação. Lioness sempre trabalhou com a ideia de que Joe consegue administrar duas vidas incompatíveis. Existe a agente que participa de operações clandestinas, decide quem vive e quem morre e desaparece para missões sobre as quais jamais poderá falar. E existe a mulher que volta para casa, para Neal e para as filhas, tentando fingir que aquela violência pode permanecer do lado de fora da porta. Neste episódio, essa divisão finalmente deixa de existir.

Seis meses antes do sequestro, dois homens aparecem na casa de Joe dizendo ser policiais estaduais. Não apresentam distintivos e imediatamente despertam sua desconfiança. Ela mata os dois, mas o mais assustador vem depois: Joe percebe que aquilo não foi uma abordagem improvisada. Os homens conheciam seus hábitos. Sabiam onde ela morava e aparentemente acompanhavam sua rotina havia tempo suficiente para saber em que momento encontrá-la vulnerável. Joe só estava em um cômodo diferente porque havia mudado ligeiramente seus hábitos naquela noite. Em outras circunstâncias, ela própria conclui, sua família poderia ter sido morta.

Neal, que passou duas temporadas tentando aceitar uma profissão que nunca compreendeu completamente, finalmente vê aquilo que Joe sempre tentou manter distante. Não é mais possível tratar o trabalho da mulher como uma abstração perigosa que acontece em algum lugar do Oriente Médio, da América Latina ou da Europa. A guerra chegou à garagem, à sala e aos quartos das filhas deles.

Essa talvez seja a verdadeira virada da terceira temporada. Joe sempre acreditou que o preço de seu trabalho seria pago principalmente por ela. Seu casamento sofreu, sua relação com as filhas foi afetada e seu próprio corpo acumulou as marcas das missões, mas ainda existia a ilusão de que a casa era uma espécie de território neutro. Agora sabemos que não é.

Os homens mortos na casa são identificados como bielorrussos contratados e a suspeita imediatamente recai sobre a Rússia. A explicação mais óbvia seria retaliação pela operação da Ucrânia, na qual a equipe capturou Aleksi Yurimov. Mas Joe começa a perceber que justamente essa resposta simples demais talvez esconda algo muito maior.

Porque há uma pergunta que ninguém consegue responder: como encontraram Joe?

Byron acredita que ela pode ter sido identificada durante a missão ou posteriormente por sistemas de vigilância e câmeras de aeroporto. Joe não compra inteiramente a explicação. Ela já esteve exposta inúmeras vezes e nunca havia sido localizada daquela maneira. E então retorna ao ponto mais estranho de toda a missão: a agente ucraniana que apareceu oferecendo uma oportunidade extraordinariamente conveniente para a CIA capturar Yurimov.

Talvez o problema não seja apenas que alguém descobriu quem Joe era. Talvez toda a operação tenha sido criada justamente para fazê-la aparecer.

A hipótese mais perturbadora surge quando Joe questiona até mesmo a identidade do homem que os americanos acreditam ter capturado. E se Yurimov nunca esteve realmente nas mãos deles? E se o homem levado pela CIA for apenas alguém colocado ali para desempenhar o papel necessário enquanto a verdadeira operação acontecia em outra direção?

Se for isso, a vitória do primeiro episódio pode ter sido uma derrota desde o início. É uma mudança importante de perspectiva porque Lioness costuma trabalhar com Joe como a pessoa que está dois ou três movimentos à frente dos adversários. Ela desconfia de todos, calcula riscos rapidamente e sobrevive exatamente porque raramente aceita a primeira versão de uma história. Agora, pela primeira vez nesta temporada, existe a possibilidade de que alguém tenha usado essa mesma lógica contra ela.

Enquanto a CIA tenta descobrir quem abriu essa porta, o episódio também mostra como a vida das outras agentes continua sendo interrompida pela mesma guerra. Cruz mal tem tempo de voltar para casa e estar com Josie antes de ser chamada novamente. O breve momento entre as duas inclui uma conversa sobre um futuro em que guerras talvez sejam cada vez mais travadas por máquinas, tornando soldados como elas quase obsoletos. É uma conversa aparentemente lateral, mas combina perfeitamente com uma temporada interessada em mostrar que o campo de batalha mudou.

Porque Joe não foi atacada em uma base militar. Não estava infiltrada em território inimigo. Estava em casa.

E a resposta da CIA mostra o tamanho do problema. Kaitlyn tenta controlar a crise enquanto diferentes agências se movimentam, Byron confronta diretamente os russos e o secretário de Estado Edwin Mullins participa da discussão sobre o que pode significar um ataque contra uma alta funcionária da inteligência americana dentro dos Estados Unidos. Não estamos mais falando apenas de uma missão que deu errado, mas da possibilidade de uma escalada entre serviços secretos que já não respeitam as fronteiras tradicionais do jogo.

Há ainda uma ironia cruel nisso tudo. Joe passou a vida invadindo fronteiras, sequestrando alvos e operando em países onde a CIA oficialmente não deveria estar fazendo aquilo que fazia. Agora alguém parece estar aplicando as mesmas regras contra ela.

É por isso que o episódio funciona tão bem mesmo sem resolver o sequestro. A pergunta não é simplesmente “quem levou Joe?”. Já sabemos que agentes ligados à Rússia estão envolvidos no ataque e temos uma suspeita sobre como o caminho até ela pode ter começado. O mistério maior é descobrir quem está controlando essa operação e até que ponto aquilo que vimos na Ucrânia foi planejado para conduzir Joe exatamente até essa posição.

A ucraniana Oleksandra Balakin se torna, portanto, a primeira peça que Joe decide mover. Cruz, Tex e Kyle vão buscá-la, deixando claro que a conversa que virá dificilmente será cordial. Se ela entregou Joe, precisamos descobrir por quê. Se não entregou, então existe alguém ainda mais próximo da operação que conseguiu fazê-lo.

Mas talvez a cena mais importante de “No Sorrow Like the Survivor” não envolva russos, CIA ou operações clandestinas. No fim do episódio, Joe encontra Neal e as filhas no local para onde foram levados por segurança. Pela primeira vez, não existe uma explicação que possa protegê-los da verdade. Ela desaba nos braços do marido e pede desculpas.

Joe sobreviveu a guerras, tortura, explosões e decisões impossíveis. O que ela ainda não sabe é como sobreviver ao momento em que todas as consequências de suas escolhas entram pela porta de sua própria casa. E nós já sabemos que aquilo foi apenas o começo. Daqui a seis meses, os inimigos voltarão. Desta vez, conseguirão levá-la. E é apavorante.


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