Aviso: o texto contém spoilers da primeira temporada de Widow’s Bay.
Se Widow’s Bay foi uma das grandes surpresas da televisão em 2026, a Apple TV parece decidida a não deixar ninguém esquecer disso tão cedo. Nesta semana, Matthew Rhys, Kate O’Flynn, Stephen Root, Dale Dickey, Katie Dippold, Hiro Murai e boa parte do elenco voltaram a se reunir em Los Angeles em uma série de eventos que fazem parte da campanha para o Emmy — e, inevitavelmente, trouxeram de volta a pergunta que ficou desde o final da primeira temporada: o que vem agora?
A movimentação não é pequena. No dia 12 de agosto, a Apple realizou uma experiência de Widow’s Bay no Culver Hotel, em Culver City, escolhido a dedo por sua fama de mal-assombrado. No dia seguinte, elenco e equipe participaram de uma exibição e conversa no Hollywood Forever Cemetery. Difícil pensar em uma campanha de Emmy mais adequada para uma série que fez do terror, do absurdo e da superstição sua identidade.
E há motivo para tamanho investimento. Widow’s Bay recebeu 19 indicações ao Emmy, o maior número entre as séries estreantes deste ano, incluindo Melhor Série de Comédia e Melhor Ator para Matthew Rhys. Poucos meses atrás ainda era aquela série estranha da Apple que misturava terror com humor. Agora já aparece como uma das favoritas na temporada de prêmios.
A segunda temporada, felizmente, não depende do resultado do Emmy. A Apple já havia renovado a série em junho, antes mesmo da exibição do final, e assinou um acordo de vários anos com sua criadora e showrunner, Katie Dippold.

Quando estreia a 2ª temporada de Widow’s Bay?
Ainda não há uma data de estreia, e aqui é melhor controlar a ansiedade. A sala de roteiristas já está trabalhando e Dippold contou no Comic-Con que a equipe teria cerca de 20 semanas de escrita pela frente. As filmagens estão previstas para 2027. Mais recentemente, Hiro Murai disse ao Los Angeles Times que, se tudo seguir como planejado, a produção deve começar na primavera americana de 2027.
Ou seja, dificilmente voltaremos à ilha muito cedo no próximo ano.
Mas talvez a espera seja justamente o que Widow’s Bay precisa. Parte do prazer da primeira temporada estava em descobrir aos poucos que todas aquelas histórias consideradas folclore pelos moradores eram, de alguma maneira, verdadeiras. Agora esse recurso acabou. Tom Loftis não pode mais ser o prefeito racional tentando convencer todo mundo de que não existem monstros. Ele próprio viu que existem. E isso muda tudo.
A segunda temporada começa de um lugar completamente diferente
Tom passou praticamente toda a primeira temporada tentando salvar economicamente Widow’s Bay de sua reputação de ilha amaldiçoada. Queria turistas, investimentos, internet decente e algum respeito dos moradores. O problema foi conseguir exatamente o que queria e descobrir que talvez eles estivessem certos desde o início.
O final ainda tornou a situação muito pior. Tom descobre que Ruth é descendente de Richard Warren, o homem ligado à origem da maldição. Parece encontrar ali a solução perfeita e terrível: matá-la poderia finalmente libertar a ilha. Até Ruth revelar que teve uma filha entregue para adoção. Essa filha era Lauren, a mulher de Tom. Portanto, Evan é o último descendente da linhagem de Warren.
A primeira temporada começou com Tom querendo salvar Widow’s Bay. A segunda começa com ele possivelmente tendo que escolher entre salvar Widow’s Bay e salvar o próprio filho.
É uma mudança simples, mas excelente para a série. Porque o homem que passou dez episódios lutando contra a superstição agora precisa descobrir como derrotar uma maldição que sabe ser real.

E ainda faltam oito
Como se isso não fosse suficiente, há o detalhe delicioso e assustador das badaladas.
No começo da temporada, o sino da igreja toca nove vezes. No final, depois que Kenny desaparece dentro da câmara subterrânea e a tempestade termina, toca oito. A lógica mostrada nos antigos filmes encontrados por Dale é simples: uma alma para cada badalada. Kenny aparentemente contou como a primeira oferenda. Restam oito.
Isso abre talvez a pergunta mais interessante para a próxima temporada. Se Tom não pretende entregar Evan para acabar definitivamente com a maldição, o que ele fará quando descobrir que a ilha quer outras oito pessoas?
E, principalmente, quem mais vai descobrir que Evan é a chave para tudo?
Patricia, Bechir, Wyck e os outros ainda acreditam que Tom estava tentando resolver o problema. Quando souberem que agora existe algo que ele prefere proteger acima de toda a população, a ótima comédia comunitária de Widow’s Bay pode ganhar uma camada muito mais cruel.
Ainda há muito de Widow’s Bay que não conhecemos
Katie Dippold também já deixou claro que não pretende transformar a segunda temporada apenas em uma corrida para quebrar a maldição. Ela quer continuar explorando personagens, histórias e os muitos cantos assustadores da ilha que ainda não vimos.
É uma boa notícia. Um dos grandes acertos de Widow’s Bay foi justamente não limitar sua mitologia a uma única explicação. Sea Hag, Boogeyman, Richard Warren, os túneis, os rituais, fantasmas e histórias aparentemente absurdas convivem naquele lugar como se cada morador tivesse herdado uma versão diferente do mesmo pesadelo.
Hiro Murai resumiu bem o potencial: o mundo criado para a série ainda tem muitas histórias escondidas dentro dele.
Talvez seja esse o maior luxo da segunda temporada. Na primeira, nós chegamos a Widow’s Bay junto com Tom acreditando que a cidade precisava superar suas superstições. Agora sabemos que o problema nunca foi acreditar demais nas histórias da ilha. Era não acreditar o suficiente.
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