Jake Reiner relembra ligação que revelou morte dos pais

Oito meses depois das mortes de Rob Reiner e Michele Singer Reiner, o filho do casal, Jake Reiner, falou pela primeira vez, em uma entrevista mais longa, sobre a noite que destruiu sua família. E é difícil ouvir seu relato sem pensar na dimensão quase impossível da tragédia: ele perdeu os pais e, poucas horas depois, viu o irmão ser preso, acusado dos assassinatos.

Em entrevista à KABC-TV, Jake, de 35 anos, contou que estava em uma cerimônia em memória de um amigo, em Los Angeles, quando recebeu uma ligação da irmã, Romy Reiner. Como estava ocupado, não atendeu. Quando ela telefonou novamente imediatamente, entendeu que alguma coisa estava errada. Romy lhe disse que o pai estava morto e que não conseguia encontrar a mãe. “Entrei imediatamente em choque”, relembrou Jake, que correu para a casa dos pais. Michele também havia sido morta.

Há algo especialmente cruel no relato de Jake porque ele trabalhou como repórter de notícias locais e, portanto, já esteve diante de inúmeras cenas de crime. Nada, naturalmente, poderia prepará-lo para encontrar uma delas dentro da casa onde cresceu. “Quando é a sua cena do crime, na casa da sua infância, é a coisa mais surreal que já vi”, disse.

Rob e Michele Reiner foram encontrados mortos em casa em 14 de dezembro de 2025. O filho do casal, Nick Reiner, hoje com 32 anos, foi preso poucas horas depois e posteriormente indiciado por duas acusações de homicídio em primeiro grau. Ele declarou-se inocente e continua preso sem direito a fiança.

Jake evitou comentar diretamente as acusações contra o irmão, mas talvez tenha dito algo ainda mais doloroso ao explicar o tamanho da perda. “Eu perdi fisicamente meus pais, e então Nick foi preso. Agora somos apenas eu e Romy.” De alguma forma, o sentimento está ligado ao texto que publicou no Substack há poucos meses.

A dependência química de Nick era tão pública que sua experiência inspirou parcialmente o filme Being Charlie, de 2015, dirigido pelo próprio Rob Reiner. Ecoando o que o pai disse na época, Jake reconheceu que o projeto também representava uma tentativa do pai de se aproximar e ajudar Nick. “Meus pais tinham amor incondicional pelos três filhos”, afirmou. “Eles nunca deixaram de querer ajudá-lo. Nunca deixaram de ajudá-lo.” É justamente essa informação que torna todo o caso ainda mais perturbador.

Jake conta que tem feito terapia para tentar lidar com o luto e com uma raiva que nasce, sobretudo, da impotência. Não ter podido impedir o que aconteceu é uma das coisas que mais o atormentam. Oito meses depois, o tempo parece ter perdido qualquer medida razoável. “Parece que passaram oito anos. E, ao mesmo tempo, parece que passaram oito minutos”, disse. “Toda vez que acordo, sou lembrado da minha realidade.”

Nick Reiner deve voltar ao tribunal em 15 de setembro. Além das acusações de assassinato, a promotoria incluiu a circunstância especial de que ele teria ficado à espera das vítimas antes dos crimes, assim como a alegação do uso de uma faca.

Jake, porém, parece já ter chegado à única conclusão possível para quem tenta compreender algo que talvez nunca faça sentido. “Eu nunca vou entender. Não importa como expliquem para mim. Não importa quais fatos apareçam. Eu nunca vou entender por que isso aconteceu.”


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