Gal Gadot aparece praticamente sem maquiagem em The Runner, thriller que estreia em 2 de setembro no Prime Video. Ainda assim, é impossível não pensar que apenas ela conseguiria atravessar Londres correndo, exausta e sob pressão, sem perder completamente o glamour. Gal ri ao ouvir a observação.
“Não acho que esteja no meu melhor nesse filme, porque a personagem passa por muita coisa. Em várias cenas, realmente não estava usando maquiagem”, contou, em entrevista exclusiva à CLAUDIA. “Mas é um filme que começa naquele ritmo de ‘vai, vai, vai’ e não para até terminar. Para mim, como atriz, foi igual. Eu não consegui respirar até acabarmos.”

Em The Runner, ela interpreta Maia Marten, uma advogada cujo filho é sequestrado por um homem que consegue controlar sua vida pelo celular. Para salvar o menino, ela precisa atravessar a cidade obedecendo às ordens do criminoso enquanto tenta encontrar uma saída sem ultrapassar seus próprios limites morais.
A fórmula é clássica, mas Gal encontrou na inteligência da personagem, mais do que em sua resistência física, o elemento que a surpreendeu.
“Ela é cerebral, sofisticada e consegue pensar 30 passos à frente. Foi isso que adorei”, explica. “Quando estava lendo o roteiro e cheguei ao final, pensei: ‘Como ela vai conseguir? O quê? Ela vai matá-lo’? Aquilo explodiu a minha cabeça. Foi muito satisfatório.”
Se Maia é uma espécie de Mulher-Maravilha sem superpoderes, capaz de tudo para proteger o filho, a comparação cobra seu preço. “Sim, mas os pés da Mulher-Maravilha não quebram”, brincou Gal. “Terminei o filme de muletas. Quebrei os dois pés. No fim, meu corpo estava dizendo: ‘Eu desisto.”
O diretor Kevin Macdonald conta que a lesão aconteceu quando a atriz corria sobre uma superfície irregular, já nos últimos dez dias de filmagem. Parte das cenas precisou ser adaptada com closes de Gal simulando a corrida e o uso de dublês. Meses depois, com o pé recuperado, ela voltou para completar o trabalho.

O percurso de Maia tem cerca de cinco milhas — aproximadamente oito quilômetros — e respeita uma rota real entre Hampstead Heath e o centro de Londres. Gal treinou com Malachi Davis, ex-atleta olímpico, enquanto a equipe de câmera precisou acompanhá-la sobre patins e skates.
“Éramos um time. Eu precisava manter o ritmo com eles, e eles comigo”, diz. Como muitas ruas não podiam ser fechadas, boa parte das cenas foi gravada em meio ao público. “Era muito desafiador e ficávamos muito expostos, mas isso manteve tudo vivo.”
Ao descobrir que falava com o Rio de Janeiro, Gal abriu um sorriso: “Que sorte! Sinto falta do Brasil”. E, depois da nossa própria corrida contra o relógio para encerrar a entrevista, despediu-se com um carinhoso “tchau” e, claro, mais uma declaração de amor pelo país.
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