A terceira temporada de Lioness começou nos mostrando o resultado antes da causa: Joe McNamara (Zoe Saldaña) sequestrada, torturada e levada pelos russos enquanto sua equipe tenta desesperadamente descobrir onde ela está. Desde então, Taylor Sheridan vem reconstruindo os seis meses anteriores aos poucos. Em “The Idiot Army”, finalmente entendemos por que alguém estaria disposto a correr tamanho risco para tirar Joe de circulação.
E a resposta é simples: ela chegou perto demais.

Quase todo o episódio volta ao passado e acompanha a Operação Treasure, criada para descobrir como agentes estrangeiros estão recrutando pessoas dentro dos Estados Unidos. Só que o que começa parecendo mais uma operação de contraespionagem acaba revelando algo muito mais preocupante: não existe apenas uma organização estrangeira infiltrada. Existem redes diferentes, motivações diferentes e americanos ajudando voluntariamente — ou quase voluntariamente — os adversários de seu próprio país.
O plano começa com duas armadilhas simultâneas. Two Cups se apresenta como um executivo do setor de defesa e se deixa fisgar em um clube de striptease. Ele sai com Shyla, passa a noite com ela e, pela manhã, surgem os homens com as fotos e vídeos que deveriam transformar o falso homem de negócios casado e pai de quatro filhos em mais uma vítima de chantagem. Só que dessa vez a vítima estava esperando pelos chantagistas.
A equipe invade o local e prende o grupo, revelando uma estrutura ligada a operadores bielorrussos. Paralelamente, Cruz e Josephina trabalham com Cade McWeaver, um engenheiro com acesso a informações importantes. Ele parece inicialmente apenas mais um funcionário comprometido, até explicar como tudo começou: anos antes, recebeu ajuda acadêmica de um homem conhecido como Rooster. Aquilo que parecia um favor acabou se tornando uma dívida impossível de pagar. É uma das ideias mais interessantes do episódio porque Lioness desloca a espionagem do clichê da mala de dinheiro. Cade não foi recrutado porque queria enriquecer. Foi preparado.

A equipe usa Cade para chegar a Rooster, que acaba capturado e rapidamente desmontado durante o interrogatório. A surpresa é que a linha conduz à China: Rooster teria sido ativado por Richard Ealy, professor de engenharia de software e cidadão americano, cuja simpatia ideológica pela China parece ser muito mais importante do que qualquer recompensa financeira.
E aí “The Idiot Army” ganha seu verdadeiro significado. Não estamos mais falando apenas de agentes estrangeiros infiltrados no país. A investigação aponta para universidades, empresas estratégicas, tribunais, meios de comunicação e até membros do Congresso. Alguns são chantageados. Outros recebem dinheiro. Outros, aparentemente, acreditam sinceramente estar ajudando uma causa melhor. São os “idiotas úteis”: pessoas que ajudam uma potência estrangeira sem necessariamente se enxergarem como espiões.
Joe percebe que prender todo mundo seria praticamente impossível — e talvez politicamente desastroso. Tornar pública uma infiltração desse tamanho poderia destruir a confiança da população justamente nas instituições que deveriam protegê-la. A solução que ela propõe é tipicamente Joe: confrontar os comprometidos individualmente e oferecer duas alternativas. Renunciam ou passam a trabalhar para os Estados Unidos como agentes duplos.
Mas há outro detalhe importante. As peças encontradas não formam ainda um único quebra-cabeça. Rooster aponta para a China. Os homens capturados através de Two Cups têm ligações com Belarus e Rússia. Alex, um dos investigados por Kyle, é muçulmano e parece operar dentro de uma lógica própria. Quando questionado sobre alianças aparentemente contraditórias, sua justificativa é a velha máxima do inimigo do meu inimigo. Ou seja: talvez Joe esteja procurando uma organização quando deveria estar olhando para um ecossistema.

É aí que a temporada fica mais interessante. Sheridan está sugerindo que a ameaça não depende de uma conspiração perfeitamente coordenada. Basta que diferentes inimigos encontrem as mesmas rachaduras — ambição, ressentimento, dinheiro, ideologia, medo — e comecem a explorá-las.
Joe leva essa inquietação para casa. Na conversa com Neal, depois de um dia inteiro vendo americanos justificarem por que trabalham contra o próprio país, ela tenta explicar o conceito desse “exército de idiotas”. Neal, como sempre, serve como contraponto à visão de mundo dela. Para Joe, existe uma guerra acontecendo silenciosamente dentro das próprias instituições americanas. Para ele, por trás de tudo provavelmente existe algo muito menos sofisticado e muito mais humano: ganância.
É um diálogo aparentemente pequeno, mas que volta ao conflito fundamental do casamento dos dois. Joe acredita que seu trabalho é necessário porque o mundo é perigoso. Neal continua vendo o preço que essa lógica cobra dela, da família e, agora, talvez do próprio país. E sabemos qual deles está prestes a pagar esse preço.
Nos minutos finais, Lioness retorna finalmente ao presente. Joe continua prisioneira de Renat. O avião pousa, ela é retirada amordaçada e colocada em um carro. Há pistas visuais sobre onde pode estar, inclusive uma bandeira que parece russa ao fundo, mas o episódio não confirma claramente a localização. E talvez seja importante não antecipar essa resposta: neste momento, para Joe e para sua equipe, onde exatamente ela está continua sendo parte do terror.
Mas “The Idiot Army” responde a uma pergunta ainda maior. Por que Joe? Porque a Operação Treasure funcionou. Ela encontrou Cade. Cade levou a Rooster. Rooster levou ao professor Ealy. E Ealy mostrou que a rede chegava muito além de alguns funcionários vendidos ou espiões estrangeiros. Joe começou a puxar um fio que atravessava universidades, empresas, política e Justiça. Portanto, o sequestro que parecia ser apenas vingança está começando a parecer outra coisa: uma tentativa de impedir que ela descubra até onde esse fio realmente chega.
E ainda faltam três episódios.
Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
