Kevin Macdonald revela os bastidores de The Runner

Como publicado no Blog do Amaury Jr./ SPLASH UOL

Vencedor do Oscar pelo documentário One Day in September, Kevin Macdonald já transitou entre histórias reais e ficção, dirigiu Forest Whitaker em sua atuação premiada em O Último Rei da Escócia e investigou ícones da música em Marley, Whitney e, mais recentemente, One to One: John & Yoko. Em The Runner, que estreia em 2 de setembro no Prime Video, o cineasta escocês volta ao thriller para transformar Londres em uma personagem tão importante quanto Gal Gadot.

A atriz vive Maia Marten, advogada que recebe uma ligação informando que seu filho foi sequestrado. Para salvá-lo, precisa atravessar a cidade correndo e obedecer às ordens de um desconhecido. A estrutura é familiar, e Macdonald não tenta negar.

“São elementos clássicos do gênero. Mas há um número limitado de histórias no cinema, portanto, a questão é sempre como pegar uma narrativa familiar e atemporal e dar a ela um toque contemporâneo”, explicou em entrevista.

Em The Runner, esse toque é a tecnologia. O criminoso consegue acompanhar os movimentos de Maia e assumir o controle de sua rotina por meio do celular — uma versão extrema, mas não tão distante, da dependência que já faz parte de nossas vidas.

“Estamos sendo controlados pelos nossos telefones, algo que acredito que todos nós sentimos em algum nível. Você pega essa metáfora — ‘sinto que o telefone controla a minha vida’ — e a torna real. De certa forma, o filme é uma sátira sobre como somos dependentes da tecnologia”, diz o diretor.

Macdonald também quis fugir da Londres de cartão-postal. O percurso de aproximadamente cinco milhas, cerca de oito quilômetros, entre Hampstead Heath e o centro da cidade é real e pode ser refeito pelo público. Sua assistente chegou a correr a rota algumas vezes com uma câmera presa à cabeça para testar o tempo e os deslocamentos.

“Queria mostrar a textura verdadeira de Londres, o metrô, as pessoas em situação de rua, e não apenas uma versão turística da cidade”, afirma.

O maior desafio surgiu nos dez últimos dias de gravação, quando Gal quebrou o pé ao correr sobre uma superfície irregular. A equipe precisou combinar closes da atriz simulando a corrida com imagens de dublês. Meses depois, já recuperada, ela voltou ao set para completar as cenas que faltavam.

Conhecido por buscar realismo tanto em documentários quanto na ficção, Macdonald não abriu mão nem mesmo da geografia. “Algumas pessoas me amaldiçoavam e perguntavam se não poderíamos filmar em outro lugar. Eu dizia: ‘Não, precisamos mostrar a rota real que ela conseguiria percorrer naquele tempo.”


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