The Runner não demora muito para explicar o que pretende. Maia Marten, interpretada por Gal Gadot, recebe uma ligação, descobre que o filho foi sequestrado e passa a obedecer às ordens de uma voz desconhecida, vivida por Damian Lewis. Ela precisa continuar correndo por Londres, cumprir cada comando e não procurar ajuda. A partir daí, o filme transforma a cidade numa pista de obstáculos e a protagonista numa heroína que precisa pensar enquanto tenta recuperar o fôlego.
A premissa é absolutamente conhecida e o roteiro também não parece muito interessado em disfarçar isso. Já vimos mães desesperadas, sequestradores controlando vítimas pelo telefone, perseguições contra o relógio e ameaças que se tornam mais perigosas a cada tentativa de reação. Portanto, a pergunta nunca é exatamente o que está acontecendo. O que sustenta The Runner é descobrir como Maia vai conseguir se virar e quando chegarão as inevitáveis viradas que o gênero promete.

Nesse sentido, o filme cumpre o que promete. É rápido, mantém a tensão e não cria a ilusão de que existe uma trama muito mais complexa escondida sob a superfície. Kevin Macdonald dirige a ação com eficiência, usando Londres como parte da corrida e explorando o desgaste físico de uma protagonista que precisa continuar em movimento mesmo quando já não consegue distinguir estratégia, manipulação e desespero.
Mas há uma condição bastante clara: The Runner depende inteiramente de Gal Gadot. Ou você compra sua presença, torce por Maia e aceita acompanhá-la durante essa longa corrida, ou vai querer fugir na direção contrária. Não há uma grande trama paralela nem personagens capazes de desviar o foco. Até Damian Lewis, embora importante para estabelecer a ameaça, funciona principalmente como a voz que conduz o jogo. O filme pertence a Gadot do início ao fim.
Ela se entrega fisicamente ao papel — inclusive quebrou o pé durante as filmagens — e funciona melhor justamente quando Maia deixa de parecer uma heroína perfeitamente preparada e revela o medo de uma mãe que não sabe se cada decisão aproxima ou afasta o filho. Não é uma atuação surpreendente, mas é convincente dentro do que o thriller exige.
The Runner certamente não está entre os melhores filmes do mês, muito menos do ano. Também não apresenta uma premissa original, uma reviravolta inesquecível ou qualquer ambição de reinventar o gênero. Ainda assim, num mar de opções que às vezes exigem mais tempo do que realmente merecem, pode funcionar como entretenimento rápido e descartável. Você assiste, espera pelas viradas, acompanha Gal Gadot correndo por Londres e chega ao fim sem grandes arrependimentos, desde que não espere encontrar algo que o cinema já não tenha percorrido muitas vezes antes.
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