Este texto contém spoilers do sexto episódio da terceira temporada de Lioness, “Sugar Land”, escrito por Taylor Sheridan e dirigido por D.J. Caruso. A temporada terá oito episódios. Paramount+
Não tenho mais dúvida: esta é a melhor temporada de Lioness. Taylor Sheridan encontrou finalmente o equilíbrio entre ação, espionagem, política e drama pessoal que a série sempre prometeu, mas nem sempre conseguiu entregar. E, depois de nos obrigar a acompanhar duas linhas do tempo por cinco semanas, “Sugar Land” começa a uni-las de maneira brutal. Agora sabemos como Joe chegou até o sequestro. O problema é que descobrir isso não parece suficiente para salvá-la.
O episódio volta inicialmente aos acontecimentos de seis meses antes para encerrar a Operação Treasure. O esquema de influência estrangeira foi desmantelado, dezenas de pessoas estão sendo presas e o cerco finalmente chega ao senador Ryan Olson. Convocado para um café da manhã com Edwin Mullins, Kaitlyn, Byron e Joe, ele descobre que sua carreira — e provavelmente sua vida como a conhecia — acabou.
Byron oferece duas alternativas. Olson pode renunciar imediatamente, desaparecer da vida pública e conservar a liberdade, ou esperar que o Departamento de Justiça o processe, exponha tudo o que fez e confisque seu patrimônio. É uma escolha apenas na aparência: qualquer saída significará humilhação, destruição familiar e o reconhecimento público de que ele se deixou comprar por uma potência estrangeira.
Joe, no entanto, oferece uma terceira possibilidade.
A frieza da cena é impressionante porque Joe não precisa dizer claramente o que está sugerindo. Olson entende. Algum tempo depois, enquanto Bobby e Tucker acompanham seu carro, o senador invade a pista contrária e provoca deliberadamente a própria morte. A inteligência americana evitou um processo capaz de abalar ainda mais a confiança nas instituições. Também empurrou um homem para o suicídio.
É justamente aí que esta temporada se diferencia das anteriores. Não existe mais qualquer tentativa de preservar Joe como heroína convencional. Ela continua sendo a personagem que queremos ver salva, mas também é alguém capaz de identificar a morte como uma solução operacional. A mesma mulher que ama desesperadamente a família pode destruir outra para proteger o país. Lioness nunca foi exatamente sutil, mas se tornou muito mais corajosa ao encarar as contradições de sua protagonista.

Com a operação aparentemente encerrada, chegamos finalmente ao presente. Joe está desaparecida, e Kyle percebe que a única pessoa capaz de interpretar corretamente o sequestro é Oleksandra Balakin, a agente dupla russa que foi colocada no programa de proteção a testemunhas.
Kyle a encontra em Tulsa, vivendo como Paige Weaver, mas a nova identidade pouco significa. Como ele já havia alertado, os russos conseguem localizar praticamente qualquer pessoa inserida nos sistemas oficiais. Se a CIA chegou até ela, Moscou também chegará.
Oleksandra observa os dados e imediatamente desmonta a principal certeza da equipe. Joe não saiu dos Estados Unidos. Uma aeronave sem plano de voo não atravessaria o espaço aéreo americano sem ser identificada, e uma operação com aquela dimensão exigiria uma quantidade gigantesca de dinheiro. Os russos podem ter fornecido o método e os homens, mas isso não significa que estejam por trás do sequestro.
Quando Oleksandra sugere o Irã, a reação de Kyle confirma que encontrou a resposta. Essa é uma excelente virada porque não contradiz aquilo que vimos. Os sequestradores usaram operadores bielorrussos, contatos russos e um protocolo de extração que deveria conduzir a CIA diretamente a Moscou. A Rússia não era o destino da investigação por acaso. Era a distração perfeita.
Oleksandra calcula que Joe será levada até um terminal privado na região de Houston e transferida para um avião capaz de sair do país sem escalas. A partir desse momento, a equipe tem apenas três oportunidades reais de alcançá-la: no esconderijo, durante o transporte ou antes do embarque. Depois da decolagem, Joe estará perdida.
A sequência do resgate é construída quase inteiramente sobre desencontros. Kyle, Cody e Grady encontram o avião preparado para a retirada e tentam interrogar o copiloto. Quando outros três homens vestidos como tripulantes se aproximam, fica claro que são operadores. Cody e Grady os eliminam, mas o piloto se mata antes de entregar qualquer informação. A equipe neutraliza a aeronave e, ao mesmo tempo, perde uma de suas melhores pistas.
O momento mais desesperador, porém, pertence a Tex e Randy. Eles chegam exatamente à casa onde Joe está presa. Randy quer entrar, mas recebe a ordem de priorizar outros endereços considerados mais suspeitos e voltar depois. Os dois seguem adiante sem saber que estiveram a poucos metros dela.
É cruel porque nós sabemos. Vemos Joe dentro da casa enquanto seus companheiros estão do lado de fora. Durante toda a temporada, ela tomou decisões em segundos, avaliou riscos e tentou antecipar o inimigo. Agora sua vida depende de alguém reconhecer uma casa aparentemente comum como o centro de uma operação internacional.
Enquanto a CIA corre atrás de uma pista que sempre parece estar alguns minutos atrasada, descobrimos quem realmente organizou o sequestro. Renat, ligado à embaixada russa, recebeu uma fortuna para capturar um alto oficial da CIA. Contratou os bielorrussos, reproduziu o método russo e conduziu Joe até o Texas. Mas seu trabalho termina quando a entrega a Babat, um agente iraniano. O plano não é apenas matar Joe. Babat quer mantê-la viva, torturá-la e transformá-la em exemplo. Para deixar isso absolutamente claro, corta um dos dedos de seu pé antes de retirá-la da casa.
A violência da cena não está apenas no ferimento. Está no que ele representa. Joe sempre ocupou o lugar de quem controlava o sofrimento: decidia quem seria pressionado, sacrificado, recrutado ou abandonado para que uma missão sobrevivesse. Agora ela é o corpo sobre o qual outra agência pretende escrever sua mensagem.

Zoe Saldaña faz muito com pouquíssimo. Joe está imobilizada, machucada e quase sem poder reagir, mas ainda tenta observar, calcular e sobreviver. O medo está presente, claro, porém nunca separado da inteligência. Ela sabe que cada minuto viva oferece uma possibilidade. Nós também sabemos que, em Lioness, permanecer viva pode ser apenas o início da tortura.
“Sugar Land” termina sem o alívio do resgate. A equipe impediu a decolagem, identificou o verdadeiro inimigo e chegou à casa certa, mas Joe foi retirada antes que qualquer uma dessas vitórias pudesse salvá-la. Faltam apenas dois episódios, e a missão agora parece ainda mais difícil: o avião era uma pista previsível. Depois de perder essa rota, Babat pode levá-la para qualquer lugar.
Esta é a melhor temporada de Lioness porque finalmente compreendeu que a tensão não depende apenas de explosões ou tiroteios. Ela nasce também de uma ordem errada, de um carro que passa diante da casa certa, de uma mulher que oferece o suicídio como alternativa e, seis meses depois, descobre o que significa deixar de controlar o jogo.
Joe nunca esteve tão perto de ser encontrada. Também nunca esteve tão sozinha.
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