ATENÇÃO: o texto contém spoilers importantes dos livros Shift e Dust e, potencialmente, da quarta temporada de Silo.
Terminamos a terceira temporada de Silo finalmente entendendo boa parte do quebra-cabeça que a série vinha montando desde o primeiro episódio. Sabemos quem criou os silos, sabemos que existe um Silo 1 controlando os demais e entendemos, sobretudo, que a história de Juliette nunca foi apenas sobre o Silo 18. Mas existe uma peça desse universo que os livros de Hugh Howey mencionam sem jamais explorar completamente e que, de repente, se tornou especialmente importante: o misterioso Silo 40.
Importante porque, enquanto a Apple já confirmou que a quarta temporada será a última da série original, com estreia em 9 de julho de 2027, começaram a circular informações de que o universo de Silo pode continuar justamente através dele. Segundo reportagem do 9to5Mac baseada em informações de Sigmund Judge, a Apple estaria desenvolvendo um spin-off centrado no Silo 40, que poderia entrar em pré-produção ainda em 2026. A Apple não confirmou o projeto, portanto, por enquanto, estamos no terreno dos rumores. O detalhe curioso é que os enormes cenários da série continuam montados meses depois do fim das gravações da quarta temporada. (Apple)
Mais interessante ainda é que Hugh Howey está efetivamente escrevendo sobre o Silo 40. Em 2025, ele revelou que planejava uma nova trilogia acompanhando aquele silo desde antes dos acontecimentos de Wool até depois de Dust, explicando que o 40 foi fundamental para tudo o que aconteceu com os Silos 17, 18 e 1. Em um AMA realizado agora em setembro de 2026, confirmou novamente que está trabalhando na história. Ou seja, mesmo que o spin-off da Apple ainda não esteja oficialmente confirmado, o material literário que poderia originá-lo existe e está sendo escrito.

Mas afinal, o que é o Silo 40?
Para compreender sua importância, precisamos voltar a Shift. Enquanto o Silo 18 vive sua própria sucessão de rebeliões, o Silo 1 percebe que algo muito mais grave aconteceu em outra parte da rede: o Silo 40 desapareceu de seu controle.
A explicação que chega ao Silo 1 é que o chefe de TI do 40 teria se rebelado, conseguido manipular a antena de comunicação e entrado em contato com outros silos. O problema deixa de ser uma insurreição isolada. Quando Donald é informado da situação, 11 silos já haviam saído do controle normal do Silo 1. Pela primeira vez, portanto, a ameaça ao sistema não vinha de pessoas tentando abrir uma porta ou descobrir o que existia lá fora. Vinha de dentro da própria infraestrutura criada para mantê-las isoladas.
Isso muda completamente a maneira de enxergar as rebeliões em Silo. O Silo 18 não foi o primeiro a perceber que havia alguma coisa errada. Muito antes de Juliette começar a enfrentar Bernard, alguém no Silo 40 já havia descoberto o suficiente sobre o sistema para romper o isolamento imposto pelo Silo 1 e criar comunicação entre diferentes comunidades.
É uma revolução muito mais perigosa. Um silo rebelado pode ser eliminado. Vários silos conversando entre si representam a possibilidade de que todos descubram a mentira.
O problema que o Silo 1 não conseguiu resolver normalmente
Sabemos que o Silo 1 possui mecanismos para destruir um silo que tenha escapado completamente de controle. É parte do horror do projeto: populações inteiras podem ser sacrificadas para preservar o funcionamento da operação.
O Silo 40, porém, aparentemente consegue interferir também nesses mecanismos. A situação se torna grave o bastante para que o método habitual não seja considerado suficiente. Donald acaba ordenando que o Silo 40 seja bombardeado durante seu segundo turno de trabalho.
Por muitos anos, poderíamos supor que esse fosse simplesmente o fim da história. Não foi. O próprio Hugh Howey posteriormente esclareceu que o Silo 40 realmente deixou de existir, mas acrescentou uma informação enorme que não está devidamente desenvolvida na trilogia: alguns sobreviventes do Silo 40 chegaram a outros silos.
Como? Howey nunca explicou. E é precisamente aí que começa a história que ele agora quer contar.

O Silo 40 também ajudou a salvar o Silo 17
Se o Silo 40 fosse apenas um grupo rebelde destruído pelo Silo 1, já seria interessante. Mas há outro detalhe que o coloca diretamente dentro da história que conhecemos através de Juliette e Solo.
No universo dos livros, existem nanorrobôs destrutivos e nanorrobôs benéficos, os chamados “good nanos”. São eles que ajudam a explicar alguns acontecimentos aparentemente impossíveis de Wool e Dust, incluindo a sobrevivência de pessoas no Silo 17.
Hugh Howey confirmou que o Silo 17 recebeu uma dose enorme desses nanorrobôs benéficos enviada pelo Silo 1 — com a ajuda do Silo 40. Segundo o autor, é justamente por isso que pessoas como Solo conseguiram sobreviver naquele lugar, e também por que Juliette e os habitantes vindos do Silo 18 puderam depois atravessar o mundo exterior em condições que provavelmente os teriam matado.
Só que isso cria uma pergunta extraordinária: como o Silo 40 conseguiu interferir em uma operação do Silo 1?
A trilogia nunca conta. Também não explica exatamente quem estava por trás da operação, como essas pessoas descobriram a existência dos nanos, como estabeleceram contato com outros silos ou como alguns sobreviventes conseguiram escapar antes ou depois do bombardeio. Em outras palavras, Howey deixou um enorme buraco proposital dentro da própria história.
O Silo 40 pode mudar a maneira como enxergamos toda a saga
Há algo especialmente interessante na escolha desse silo para uma possível continuação. Um spin-off sobre outra comunidade vivendo exatamente como o Silo 18 correria o risco de repetir aquilo que já conhecemos: outra xerife, outro Departamento de TI, outro prefeito, outra rebelião.
O Silo 40 oferece outra coisa. É a história das pessoas que aparentemente descobriram o sistema antes dos nossos protagonistas, aprenderam a conversar com outros silos e conseguiram desafiar tecnologicamente o Silo 1. É quase uma história paralela de resistência ocorrendo enquanto Donald/Troy, Anna, Thurman e os demais tentavam manter a Operação 50 funcionando. E Howey já disse que sua nova história atravessará um período enorme: começa antes de Wool e chega a acontecimentos posteriores a Dust. Isso significa que ela não serve apenas como prequel. Pode mostrar também o que aconteceu depois do final da trilogia original.
É justamente por isso que o Silo 40 é uma escolha tão inteligente para manter esse universo vivo. Juliette continua sendo a personagem através da qual descobrimos a verdade. Mas talvez ela nunca tenha sido a primeira pessoa a descobri-la.

E a série pode estar preparando isso agora
Aqui começa a parte especialmente divertida para quem acompanha a adaptação. A terceira temporada já deixou claro que Graham Yost e seus roteiristas não têm medo de alterar profundamente o caminho dos livros, desde que preservem os grandes pilares da história. Daniel Keene virou um personagem emocionalmente muito mais desenvolvido do que Donald originalmente era naquele momento da narrativa, Helen ganhou importância enorme e a relação entre os dois passou a ocupar o centro da origem dos silos.
Isso significa que não podemos simplesmente pegar o destino do Silo 40 nos livros e assumir que veremos exatamente a mesma coisa na televisão. Mas agora vale prestar atenção.
Na quarta temporada, qualquer menção ao 40, qualquer silo que subitamente deixe de responder, qualquer interferência inesperada nas comunicações ou nos sistemas do Silo 1 poderá significar muito mais do que parecia até algumas semanas atrás. Porque talvez Silo esteja terminando. Mas a história dos silos, aparentemente, não.
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