A quarta temporada de Reacher acabou, mas Jack Reacher não deve ficar longe do Prime Video por muito tempo. A quinta temporada não apenas está confirmada, como já está sendo filmada, e sabemos qual história Lee Child entregará desta vez para Alan Ritchson: Make Me, o vigésimo romance da série, publicado em 2015. O livro começa de uma maneira quase perfeita para Reacher, com uma decisão completamente aleatória, uma cidade estranha e a sensação crescente de que todo mundo ao redor sabe alguma coisa que ele ainda não descobriu.
O Prime Video já confirmou também boa parte do novo elenco. Alan Ritchson naturalmente continua como Jack Reacher, enquanto Amanda Ip será Michelle Chang, talvez o nome mais importante para quem conhece o livro. Jay Baruchel interpreta o chefe de polícia Buck Bauer, Kevin Durand será Nokes e Ciara Bravo aparece como Eunice. Esses três últimos nomes já sugerem mudanças importantes na adaptação, porque não correspondem aos principais personagens identificados dessa forma no romance. A série, portanto, aparentemente continuará fazendo o que já fez nas temporadas anteriores: preservar a espinha dorsal de Lee Child enquanto reorganiza personagens e funções ao redor dela.
E Michelle Chang pode ser particularmente interessante.
Ex-agente do FBI que se tornou investigadora particular, ela está esperando seu parceiro Keever quando Reacher desce de um trem em Mother’s Rest. Chang inicialmente o confunde com o homem que deveria encontrar, simplesmente porque está esperando alguém grande. Keever, porém, desapareceu depois de pedir ajuda para uma investigação sobre a qual praticamente não deixou informações. Reacher não tem compromisso, endereço ou destino urgente e decide ficar. Em outras palavras, estamos de volta a uma das premissas mais simples — e melhores — do personagem: ele chegou a um lugar por acaso, percebeu que alguma coisa estava errada e não conseguiu ir embora sem descobrir o quê.

Daqui em diante, spoilers completos de Make Me.
A primeira revelação que o leitor conhece antes mesmo de Reacher é que Keever não está apenas desaparecido. Ele está morto. O livro começa com seu corpo sendo enterrado por uma retroescavadeira em um chiqueiro próximo a Mother’s Rest, onde a movimentação constante dos animais ajudará a esconder sinais do túmulo. Reacher e Chang ainda passarão boa parte da história tentando descobrir o que aconteceu com ele, seguindo uma investigação que sai daquela pequena cidade e passa por Oklahoma City, Los Angeles, Chicago, Phoenix e a região de San Francisco.
Uma das poucas pistas deixadas por Keever é particularmente inquietante: uma referência a “200 mortes”.
É aí que Make Me começa a abandonar o thriller aparentemente convencional de desaparecimento e entrar numa história muito mais sombria. Reacher e Chang encontram conexões com Peter McCann, um homem que estava tentando descobrir o que havia acontecido com o filho Michael. Michael sofria de anedonia, passava boa parte de sua vida online e frequentava fóruns relacionados a suicídio. Sua procura acaba levando todos à chamada Deep Web e, finalmente, de volta a Mother’s Rest.
A cidade mantém um serviço clandestino que aparentemente oferece suicídio assistido. Pessoas que desejam morrer são direcionadas para Mother’s Rest, onde podem comprar Nembutal ou pagar por um serviço mais caro, quase um pacote completo: viajam até a cidade, hospedam-se no motel e são levadas para uma propriedade rural onde supostamente terão uma morte indolor.
Mas esse é apenas o primeiro twist.
O suicídio assistido é uma fachada. As pessoas que chegam até ali já vulneráveis e acreditando que escolheram como morrer são sequestradas e transformadas em vítimas de filmes de assassinato feitos sob encomenda. O local funciona como um estúdio profissional, com câmeras, iluminação, microfones e equipamentos de contenção. Clientes da Deep Web pagam para determinar como as vítimas serão torturadas e mortas e depois assistem às gravações. Reacher e Chang encontram registros de mais de duzentos filmes produzidos ao longo de aproximadamente cinco anos — finalmente explicando a pista deixada por Keever.
É provavelmente uma das revelações mais perturbadoras de toda a série de livros de Lee Child. E também explica por que Make Me pode funcionar muito bem na televisão: o mistério começa pequeno, vai ficando progressivamente mais estranho e só revela a dimensão real do horror muito perto do fim. Críticos já destacavam na época da publicação que o romance levava Reacher para um território excepcionalmente sombrio, quase de horror.
Há ainda outro elemento que pode mudar bastante a dinâmica da quinta temporada: Michelle Chang não é apenas a parceira de investigação de Reacher. Os dois se envolvem romanticamente durante a história e terminam Make Me juntos. A ligação, como quase tudo na vida de Reacher, não é exatamente feita para durar: no livro seguinte em que isso é mencionado, descobrimos que Chang ficou com ele apenas alguns dias antes de partir, deixando uma comparação ótima para definir o próprio personagem — Reacher seria como Nova York, um lugar que ela adora visitar, mas onde não conseguiria viver.
Também veremos um Reacher fisicamente mais vulnerável. Durante a investigação, ele sofre uma lesão importante na cabeça depois de enfrentar um assassino, algo que o livro usa para lembrar que, por maior que seja, ele não é indestrutível. Make Me trabalha justamente com esse contraste entre o homem aparentemente impossível de derrubar e uma conspiração cujo verdadeiro horror ele demora bastante para compreender.

Resta saber quanto disso o Prime Video terá coragem de mostrar. A essência da trama já foi confirmada oficialmente: Reacher desce do trem em Mother’s Rest, encontra uma investigadora procurando uma pessoa desaparecida e acaba descobrindo uma conspiração criminosa. Mas o estúdio naturalmente não revelou até onde pretende reproduzir os elementos mais pesados do livro.
Quanto à estreia, aqui é melhor não transformar previsão em confirmação. O Prime Video ainda não anunciou uma data oficial para a quinta temporada. As filmagens começaram em julho de 2026, no Canadá, o que torna 2027 a previsão mais segura neste momento. As estimativas publicadas variam bastante: há veículos apontando primavera ou verão de 2027 e outros trabalhando com o fim de 2027, portanto, ainda é cedo para cravar sequer o semestre.
O que já sabemos é que Reacher trocará novamente praticamente todo o seu universo ao redor de Alan Ritchson. Uma nova cidade, uma nova parceira, novos inimigos e, se a série permanecer razoavelmente fiel a Make Me, um dos segredos mais desagradáveis que Jack Reacher já encontrou ao simplesmente decidir descer de um trem.
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