O FlixPatrol mede popularidade relativa dentro dos rankings das plataformas, não audiência absoluta, mas é justamente por isso que gosto de olhar essas listas semanalmente. Elas mostram o movimento: o que chegou e derrubou quem estava confortável, o que sobreviveu ao lançamento seguinte, o que ressuscitou graças a uma continuação e, principalmente, onde estamos escolhendo passar nosso tempo.
E esta semana é quase a resposta à anterior. Se há sete dias as novidades chegavam sem realmente abalar as estruturas, agora elas tomaram conta delas. Crew Girl, Lanterns, Chad Powers, Neagley, MobLand e Ted Lasso são os líderes das seis plataformas analisadas. Mesmo entre os filmes, lançamentos ou títulos recentes ocupam praticamente todo o primeiro lugar. Finalmente aconteceu alguma coisa.

Netflix
A Netflix é a plataforma onde a disputa está mais interessante porque Crew Girl continua em primeiro, mas Monster: The Lizzie Borden Story chegou já em segundo. E aqui começa o teste que realmente interessa. A curiosidade em torno de Lizzie Borden era previsível; permanecer depois do primeiro impulso é outra história. Ainda mais porque a série é irregular, excessiva e, na minha avaliação, bastante inferior ao potencial de sua personagem. Público e crítica, claro, não têm obrigação alguma de concordar, e essa é justamente a graça de acompanhar essas listas.
The Perfect Lie em terceiro também merece atenção porque não desapareceu diante da avalanche de novidades, enquanto The Gentlemen, agora em quarto, deixou de ser a estrela da semana sem sair do jogo. A Netflix continua tendo a lista mais volátil das plataformas: a sensação é sempre de que alguma coisa está prestes a substituir outra.
Os filmes estão menos movimentados. Why Did I Get Married Again? lidera, mas gosto mais de observar The Whisper Man em segundo. Já falamos dele quando chegou e sua capacidade de permanecer tão alto mostra uma cauda maior do que o simples impacto da estreia. Depois disso, o ranking se pulveriza entre novidades, catálogo, Hercules, The Little Things, Monster-in-Law e até SpongeBob. É Netflix sendo Netflix: dez títulos podem não ter absolutamente nada a ver uns com os outros e, ainda assim, conviver perfeitamente.


HBO Max
Aqui a mudança é muito mais clara: Lanterns assumiu o primeiro lugar das séries e Supergirl o dos filmes. A DC controla as duas listas e isso, sim, é uma fotografia da semana.
O restante das séries é muito mais fragmentado. Stuart Fails to Save the Universe e President Curtis vêm logo depois, enquanto títulos como Collision, DTF St. Louis e 9/11: Days That Shaped… mostram uma plataforma menos dependente de um único gênero do que o primeiro lugar sugeriria. Mas nenhuma dessas produções tem, neste momento, o peso simbólico de Lanterns.
Nos filmes, a diferença é ainda maior. Supergirl lidera e o resto do ranking é praticamente uma liquidação organizada do catálogo: The 5th Wave, Resident Evil, Practical Magic, Violent Night, 3:10 to Yuma, Despicable Me 3. A novidade traz as pessoas para dentro, mas são títulos antigos e reconhecíveis que continuam preenchendo as horas seguintes. Não é uma tese nova sobre streaming; é simplesmente o mecanismo funcionando de maneira especialmente visível nesta semana.

Disney+
Chad Powers chegou ao primeiro lugar e, considerando o que estamos acompanhando da temporada, é um resultado importante. A série está conseguindo sustentar o interesse enquanto a trama fica mais estranha, mais escura e menos dependente da piada inicial. Isso me interessa muito mais do que uma estreia em primeiro simplesmente porque todo mundo quis ver o primeiro episódio.
Logo depois vêm City of Blood e 9/11: Reunited, enquanto Furious permanece em quarto. E há Loki, Malcolm in the Middle, Bluey e Adults mais abaixo. É uma lista que representa bem o problema e a força da Disney: público infantil, catálogo gigantesco, Marvel, produções adultas e lançamentos novos convivem sem que a plataforma precise escolher uma única personalidade.
Nos filmes, The Mandalorian and Grogu em primeiro desencadeou exatamente aquele efeito que a Disney sabe provocar melhor do que qualquer concorrente: um lançamento acorda o catálogo. Temos Toy Story, Toy Story 3 e Toy Story 2 simultaneamente, além de Avengers: Endgame e Infinity War. The Devil Wears Prada em segundo é quase o intruso charmoso da lista. Na Disney, um filme raramente chega sozinho; ele abre gavetas.

Prime Video
Aqui está, para mim, a história mais bonita do ranking desta semana: Neagley em primeiro e Reacher em segundo.
Era exatamente o que a Amazon precisava provar. Um spin-off não funciona apenas quando o público aceita a nova série; ele funciona de verdade quando cria uma via de mão dupla e devolve atenção à produção original. Neagley tomou o primeiro lugar e, ao mesmo tempo, puxou Reacher para imediatamente atrás dela. Para uma personagem que nasceu como coadjuvante e cresceu até ganhar seu próprio espaço, dificilmente haveria retrato melhor do primeiro impacto.
Off Campus em terceiro mostra que há vida fora dessa franquia, mas esta semana a Prime pertence aos dois. E eu ficaria de olho nisso porque a questão agora não é mais se Maria Sten consegue carregar uma série. É quanto tempo Neagley consegue permanecer acima de Reacher.
Nos filmes, Drawn Together lidera, mas nossa pequena coleção recente de ação continua espalhada pelo ranking: The Runner em segundo, In the Grey em quinto e Fuze em sexto. Nenhum virou um fenômeno isolado, mas juntos deixam bem clara uma faixa de consumo que a Prime tem alimentado com consistência. O interessante é que The Runner continua segurando uma posição muito alta mesmo depois da chegada dos demais.

Paramount+
Se a Prime conta a história de uma franquia se expandindo, a Paramount continua contando a história de franquias que simplesmente se recusam a ir embora.
MobLand está em primeiro e Lioness em segundo. Depois vêm South Park, Sheriff Country, Yellowstone, Tulsa King, Criminal Minds, SEAL Team, Star Trek e Dutton Ranch. É provavelmente a lista com personalidade mais definida das seis plataformas. Você olha e sabe imediatamente onde está.
E Lioness continua sendo um caso que me interessa especialmente porque já passou da etapa da estreia. Continua perto do topo, sustenta conversa e, para nós, já demonstrou também força editorial. Não é mais apenas uma série de Taylor Sheridan funcionando dentro da Paramount; virou uma das propriedades mais sólidas desse universo.
Nos filmes, Avatar Aang lidera, seguido por Top Gun: Maverick e Scream 7. E lá está Top Gun outra vez. A certa altura, teremos de aceitar que Maverick mora nesse ranking e paga condomínio. World War Z, The Northman e outros títulos conhecidos completam uma lista que, de novo, depende fortemente de reconhecimento de marca.

Apple TV
E então chegamos à Apple TV, que continua sendo meu ranking favorito de observar porque é também o que melhor conversa com o que estamos vendo e escrevendo.
Ted Lasso, Slow Horses, Silo e Dark Matter ocupam, nessa ordem, os quatro primeiros lugares. É um absurdo de concentração de títulos fortes — e quatro séries que conhecemos muito bem.
Ted Lasso ainda segura o primeiro lugar, mas Slow Horses acabou de voltar e já chegou em segundo. Essa é a disputa que eu quero acompanhar na próxima semana. Gary Oldman e companhia conseguem ultrapassar Ted? Não é uma competição artística, evidentemente, mas é uma ótima medida da força que Slow Horses adquiriu depois de seis temporadas.
E aí vem o detalhe que continuo achando impressionante: Silo em terceiro. A temporada terminou e a série continua ali, enquanto lançamentos chegam ao redor. Isso já ultrapassou completamente o efeito de novidade. Silo virou um dos títulos que definem a Apple TV. Dark Matter em quarto também permanece muito forte, e Severance, mesmo em oitavo, confirma como o catálogo relativamente pequeno da Apple consegue manter suas séries circulando por muito mais tempo.
Nos filmes, Mayday finalmente está em primeiro, seguido por F1. The Gorge ainda aparece em quarto, enquanto Napoleon, Greyhound e Luck continuam funcionando como catálogo. Aqui a diferença para as séries é grande: a Apple tem vários filmes reconhecíveis, mas são as séries que hoje dão personalidade à plataforma.


O que mudou de verdade esta semana
A semana passada era a da novidade que chegava sem entusiasmo suficiente para desalojar os conhecidos. Esta é o contrário. As estreias finalmente tomaram os primeiros lugares.
Mas há uma segunda história correndo por baixo disso: os sucessos antigos não desapareceram. Reacher sobe com Neagley. O universo Disney inteiro reage ao lançamento de Mandalorian and Grogu. Silo permanece no alto mesmo com Slow Horses voltando. Top Gun: Maverick continua reaparecendo como se tivesse sido lançado há três semanas e não anos.
A diferença é importante. O catálogo não está vencendo a novidade esta semana; a novidade está reativando o catálogo. Esse é o movimento que une as plataformas, mesmo quando suas estratégias são completamente diferentes.
E, entre todas elas, a Prime conseguiu o exemplo mais perfeito. Neagley precisava provar que não era apenas “a amiga de Reacher”. Chegou ao primeiro lugar e colocou o próprio Reacher atrás dela. Por enquanto, missão cumprida.
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