Lioness: Aaliyah volta e muda tudo no final da 3ª temporada

Atenção: este texto contém spoilers do episódio 8 da terceira temporada de Lioness, “The Unraveling”.

Nós acertamos. Quando a mulher russa reconheceu Cruz, levantamos a possibilidade de que Lioness estivesse preparando o retorno de Aaliyah e de que ela pudesse ser a pessoa por trás do sequestro de Joe. Parecia a teoria mais ousada, especialmente porque a personagem desapareceu completamente depois da primeira temporada, mas era também a única capaz de reunir as pistas internacionais e dar ao ataque uma motivação verdadeiramente pessoal. No último episódio, a série confirma exatamente isso.

Depois de passar a temporada inteira perguntando quem estava por trás do sequestro de Joe, Lioness chega ao último episódio oferecendo várias respostas erradas antes de revelar aquela que realmente importa. Não foi a Rússia, não foi a Ucrânia e nem sequer foi exatamente o Irã, embora todos esses países tenham aparecido, de alguma forma, no caminho. O ataque foi colocado no mercado, oferecido a mercenários como qualquer outro serviço clandestino, mas quem pagou por ele não queria apenas matar Joe. Queria usá-la como isca para capturar toda a equipe. E a pessoa que planejou tudo foi Aaliyah Amrohi.

Sim, a personagem de Stephanie Nur está viva, reaparece nos últimos minutos da temporada e transforma o final em uma ligação direta com o primeiro ano da série. Era a possibilidade mais interessante entre todas as teorias e, felizmente, Taylor Sheridan decidiu segui-la. O que parecia uma trama geopolítica sobre Rússia, Ucrânia e Irã era, na verdade, uma vingança muito mais íntima. Joe e a CIA acreditaram que a missão da primeira temporada estava encerrada quando Cruz matou o pai e o noivo de Aaliyah. Para Aaliyah, ela estava apenas começando.

O episódio começa mostrando a enorme capacidade de vigilância do governo americano. Câmeras, leitores de placas e sistemas de inteligência localizam Dmitri Sokolov, um russo ligado ao setor de energia e a redes internacionais. Byron procura Errol para entender melhor o homem, enquanto Kyle recebe a ordem de apenas segui-lo e descobrir seus contatos. Ao mesmo tempo, a CIA decide devolver Aleksi Yurimov à Rússia. Não é um gesto de boa vontade, mas uma tentativa de reduzir a tensão criada por uma operação que também sequestrou um agente estrangeiro.

Joe, porém, ainda não consegue parar. Ela dorme no sofá do escritório, reage violentamente quando Kaitlyn a acorda e admite que não voltou para casa porque ainda não se sente segura. Antes de reencontrar Neal e as filhas, precisa saber quem ordenou seu sequestro. O problema é que o trauma já comprometeu sua capacidade de tomar decisões, embora ninguém ao redor dela tenha coragem suficiente para afastá-la.

Quando Sokolov entra em um restaurante, Kyle continua acompanhando seus movimentos. Logo aparece Renat, o agente bielorrusso que participou diretamente do sequestro e que Joe reconhece pelas imagens transmitidas ao avião. A missão deveria permanecer apenas como vigilância, mas Joe ordena que a equipe entre. Renat percebe o cerco, mata Sokolov e inicia um tiroteio em um local cheio de civis. Os seguranças armados de uma representante africana confundem Tex e Randy com os agressores e também abrem fogo. Randy é baleado, Tex fica em estado crítico e a diplomata é atingida.

É um desastre provocado pela pressa de Joe. Ela poderia ter seguido Renat e chegado à rede inteira, mas preferiu matar o homem que participou de sua tortura. Pela primeira vez, a temporada mostra com clareza que sua determinação deixou de ser apenas coragem e se transformou em imprudência. Kyle assume a culpa diante de Byron, mas Joe revela a Kaitlyn que a ordem foi sua. Kaitlyn manda que ela se cale, protegendo a carreira de Joe e deixando outro agente pagar pelo erro.

Enquanto isso, Oleksandra também paga por uma teoria que a CIA não conseguiu provar. Kaitlyn e Byron concluíram que a agente ucraniana poderia ter manipulado os Estados Unidos, levando os americanos a culpar a Rússia e a ampliar sua participação na guerra. Cody e Grady aparecem na casa onde ela vive sob proteção de testemunhas com a desculpa de que precisam transferi-la. Oleksandra percebe imediatamente que agentes da CIA não seriam responsáveis por esse procedimento, tenta escapar e é capturada. Mais tarde, seu corpo é encontrado perto de um riacho.

A crueldade da sequência está justamente na facilidade com que a CIA descarta uma mulher que havia ajudado a agência. Oleksandra deixa de ser uma fonte útil e passa a representar um risco político; por isso, é eliminada antes que alguém descubra se a suspeita fazia sentido. Quando Joe finalmente prova que a Ucrânia não teve participação no sequestro, já é tarde demais. A morte de Oleksandra não foi um dano inevitável da operação, mas o resultado de uma decisão tomada sem evidências suficientes.

A resposta começa a surgir em Guantánamo. Joe e sua equipe vão buscar Yurimov, mas outro prisioneiro chama a agente pelo nome e revela saber detalhes demais sobre ela. Foi ele quem recebeu a proposta de participar do sequestro e recusou o trabalho por considerá-lo praticamente suicida. Joe, explica, havia sido “colocada no mercado”. Diferentes mercenários podiam aceitar o contrato sem conhecer quem estava no início da cadeia.

Renat recrutava os homens; Sokolov cuidava da logística e de retirar pessoas e mercadorias do país; uma força paramilitar ligada ao Irã aparecia como intermediária. Russos, bielorrussos e iranianos participaram da operação, mas isso não significa que qualquer um de seus governos tenha concebido o plano. Yurimov também descarta a Ucrânia e faz uma distinção importante: ele e Joe são adversários dentro de uma guerra clandestina, enquanto quem encomendou seu sequestro a odeia de maneira pessoal.

Joe volta para casa acreditando que, finalmente, poderá cumprir a promessa feita a Neal. Encontra uma placa de “vende-se” no jardim, a casa vazia e uma carta sobre a bancada. Não sabemos o que Neal escreveu. Não é necessário. As gavetas vazias e o colapso de Joe no quarto das filhas dizem tudo. Ela sobreviveu ao sequestro e conseguiu voltar, mas demorou demais. Ao escolher mais uma vez a missão, perdeu a família que afirmava estar tentando proteger.

Seria um final suficientemente duro, mas Lioness ainda guarda sua melhor revelação. Em uma mansão em Doha, um homem avisa a uma mulher que a segunda tentativa fracassou. A câmera mostra Aaliyah dentro de uma banheira. Ela manda tentar outra vez e explica por que Joe precisa ser retirada dos Estados Unidos: se conseguirem levá-la, os outros irão resgatá-la e, assim, poderão capturar todos.

Aaliyah não quer apenas Joe. Quer a equipe inteira e, especialmente, Cruz, a mulher que entrou em sua vida fingindo amizade, se apaixonou por ela e matou seu pai e seu noivo na noite do casamento. A primeira temporada terminou com Cruz acusando Joe de ter criado uma nova geração de terroristas. Três temporadas depois, a série confirma que ela estava certa.

É um ótimo gancho porque não apaga o que existiu entre Cruz e Aaliyah. Ao contrário, torna a vingança ainda mais complexa. Aaliyah pode odiar a CIA, pode responsabilizar Joe e pode querer destruir todos os envolvidos, mas Cruz continua sendo a ferida mais íntima daquela história. O final de Lioness não revela apenas quem planejou o sequestro. Revela que a missão considerada uma vitória pela agência jamais terminou e que a quarta temporada terá de voltar exatamente ao lugar onde tudo começou.


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