Royal Ballet School: 100 anos formando a história do balé

Quando pensamos no Royal Ballet, pensamos imediatamente em Margot Fonteyn, Rudolf Nureyev, Frederick Ashton, Kenneth MacMillan e algumas das mais belas produções da história da dança. Mas, antes que tudo isso fosse possível, foi preciso que uma jovem bailarina irlandesa tivesse uma ideia que, para a Inglaterra dos anos 1920, parecia bastante ambiciosa: criar uma escola capaz de formar bailarinos e, a partir dela, uma companhia que pudesse desenvolver sua própria identidade artística.

Essa mulher era Ninette de Valois e, em 1926, aos 27 anos, ela fundou em Londres a Academy of Choreographic Art, embrião da atual Royal Ballet School. Cem anos depois, a instituição é considerada uma das mais importantes escolas de balé do mundo e celebra seu centenário com apresentações especiais no Royal Opera House, em Covent Garden, entre os dias 8 e 10 de outubro, reunindo alunos e bailarinos do Royal Ballet e do Birmingham Royal Ballet.

É uma comemoração que vai muito além do aniversário de uma escola. Afinal, estamos falando de uma instituição que ajudou a transformar a história da dança no século 20, criou uma tradição artística reconhecida internacionalmente e formou algumas das maiores estrelas que já passaram pelos palcos.

Uma irlandesa que queria criar o balé britânico

Ninette de Valois, que nasceu Edris Stannus, em 1898, na Irlanda, havia dançado com os Ballets Russes de Sergei Diaghilev, companhia responsável por revolucionar a dança no início do século 20. Ali, teve contato com uma tradição que reunia a excelência da técnica clássica russa à experimentação artística, à música, à pintura e ao teatro.

Mas seu projeto não era simplesmente reproduzir o que havia aprendido. Ela queria que a Inglaterra tivesse uma escola, uma companhia, coreógrafos e bailarinos capazes de construir uma identidade própria. E isso significava pensar além da técnica. Era preciso formar artistas, e não apenas corpos capazes de executar passos difíceis.

A parceria com Lilian Baylis, que administrava o Old Vic e depois assumiu o Sadler’s Wells Theatre, foi decisiva. Em 1931, a escola passou a funcionar no Sadler’s Wells e a alimentar a companhia que daria origem ao Royal Ballet. Aos poucos, a visão de De Valois começou a tomar forma.

Foi também nesse ambiente que Frederick Ashton desenvolveu uma linguagem coreográfica que se tornaria uma das marcas do balé britânico. Se a escola dava aos bailarinos uma base técnica sólida, Ashton explorava a musicalidade, a fluidez dos braços, a rapidez dos pés e, sobretudo, uma elegância teatral muito particular.

Mais tarde, Kenneth MacMillan levaria essa tradição a territórios psicológicos e dramáticos ainda mais intensos. Seus balés, como Romeu e Julieta, Manon e Mayerling, demonstraram que a dança clássica podia expressar conflitos humanos complexos, violência, desejo, amor e desespero sem depender de uma única palavra.

É essa combinação entre rigor técnico e interpretação dramática que ajudou a tornar o Royal Ballet tão especial.

O que diferencia a escola inglesa das demais?

Embora todas as grandes escolas de balé clássico compartilhem uma base técnica comum, cada uma desenvolveu características próprias. E compreender essas diferenças ajuda a entender por que o projeto de Ninette de Valois foi tão importante.

A escola russa, especialmente pelo método Vaganova, valoriza a amplitude dos movimentos, a expressividade dos braços, o trabalho das costas e a coordenação de todo o corpo. A francesa, ligada historicamente à Ópera de Paris, é reconhecida pela elegância, pela clareza das posições e pela precisão. A italiana, associada ao método Cecchetti, enfatiza o controle, o equilíbrio, a força e a organização rigorosa dos exercícios. Já a tradição americana, particularmente a desenvolvida por George Balanchine, ganhou uma identidade própria com a velocidade, as linhas alongadas e uma relação extremamente dinâmica com a música.

A escola inglesa nasceu justamente da combinação de diferentes influências, incluindo Cecchetti, Legat e a tradição russa, mas Ninette de Valois não queria simplesmente reproduzir nenhuma delas. Sua proposta era desenvolver um estilo reconhecível, marcado pelo trabalho rápido e preciso dos pés, pela fluidez dos movimentos, pela musicalidade e por uma interpretação capaz de transmitir emoções sem perder o rigor clássico.

É importante também distinguir o treinamento da Royal Ballet School do sistema da Royal Academy of Dance, a RAD. Embora ambas sejam instituições fundamentais para a história do balé britânico, não utilizam simplesmente o mesmo método. A Royal Ballet School desenvolveu uma proposta própria, ligada diretamente às necessidades artísticas e técnicas de suas companhias.

Quem explicou muito bem essa diferença foi a brasileira Márcia Haydée, uma das maiores bailarinas do século 20. Formada inicialmente na tradição russa, ela chegou à Royal Ballet School em meados dos anos 1950 e precisou adaptar sua técnica.

Em uma entrevista ao projeto Voices of British Ballet, Márcia lembrou que sua formação anterior valorizava muito o trabalho dos braços, das costas e da cabeça, enquanto na Inglaterra encontrou uma exigência muito maior de precisão dos pés. Foi uma experiência que considerou extremamente importante para seu desenvolvimento.

A observação ajuda a compreender algo que nem sempre é evidente para quem acompanha o balé apenas como espectador. Não se trata de uma escola ser melhor do que outra, mas de diferentes maneiras de organizar o movimento e formar artistas.

E a tradição inglesa desenvolveu uma capacidade particularmente interessante de combinar virtuosismo técnico, musicalidade e interpretação dramática.

Ninette de Valois e a criação de Margot Fonteyn

É impossível contar essa história sem falar de Margot Fonteyn. Mas também seria injusto contar a história de Fonteyn sem reconhecer a importância de Ninette de Valois na construção de sua carreira.

Porque, de certa maneira, De Valois não apenas descobriu uma grande bailarina. Ela ajudou a inventar Margot Fonteyn.

Quando a jovem Margaret Evelyn Hookham, conhecida pela família como Peggy, começou a se destacar na escola e na companhia, ainda não era a estrela que entraria para a história. Seu talento era evidente, mas também tinha limitações técnicas, algo que a própria Fonteyn reconheceria ao longo da vida.

E De Valois sabia exatamente o que procurava. Precisava de uma bailarina que pudesse representar a identidade artística que estava tentando construir.

Na década de 1930, com a saída de Alicia Markova, a companhia perdeu sua grande estrela. De Valois apostou na jovem Fonteyn, que rapidamente começou a assumir papéis importantes do repertório. O investimento foi artístico, técnico e também estratégico.

Até o nome pelo qual ela seria conhecida mundialmente fazia parte dessa transformação. Peggy Hookham passou a se apresentar como Margot Fonteyn, nome derivado de Fontes, sobrenome da família materna, de origem brasileira. A escolha foi incentivada por De Valois e ajudou a construir uma identidade artística mais sofisticada e internacional.

Mas não se tratava apenas de um nome bonito.

De Valois reconheceu em Fonteyn qualidades que iam além do virtuosismo: musicalidade, presença cênica, elegância e uma capacidade extraordinária de fazer o público acreditar em cada emoção que interpretava.

Frederick Ashton, por sua vez, encontrou nela uma musa. Suas coreografias exploravam justamente essas características e ajudaram a transformar Fonteyn na representação ideal do estilo britânico.

É interessante lembrar que Fonteyn nunca foi considerada a bailarina tecnicamente mais virtuosa de sua geração. Havia outras capazes de executar movimentos mais espetaculares. Mas poucas possuíam sua capacidade de estabelecer uma ligação emocional tão intensa com a plateia.

Quando Rudolf Nureyev chegou ao Ocidente, em 1961, a história do Royal Ballet ganharia um novo capítulo. Ele não havia sido formado pela escola britânica, mas sua parceria com Fonteyn transformou a companhia e deu ao balé uma visibilidade internacional extraordinária.

Os dois se tornaram um fenômeno artístico e popular, provando que a dança clássica podia emocionar plateias muito além de seus espectadores habituais.

Moira Shearer: uma estrela do balé que conquistou o cinema

Fonteyn não foi a única grande bailarina ligada à escola naquele período. Outra figura fundamental é Moira Shearer, nascida na Escócia em 1926, justamente o ano da fundação da instituição.

Shearer estudou na escola do Sadler’s Wells a partir de 1940 e se tornaria uma das principais bailarinas da companhia. Sua trajetória, entretanto, ganhou uma dimensão inteiramente diferente quando foi escolhida para protagonizar Os Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes), de Michael Powell e Emeric Pressburger, em 1948.

O filme se tornou um dos maiores clássicos da história do cinema e talvez a representação mais famosa do conflito entre a dedicação absoluta à dança e a possibilidade de uma vida pessoal independente.

Curiosamente, Moira Shearer não tinha uma relação tão harmoniosa com Ninette de Valois quanto Margot Fonteyn. Formada inicialmente na tradição russa, ela questionava aspectos do estilo britânico e da disciplina imposta pela companhia.

Essa tensão é particularmente interessante porque revela outra face da personalidade de De Valois. Sua determinação foi essencial para a construção da escola, mas ela também era uma diretora extremamente exigente, controladora e pouco disposta a aceitar resistências.

Shearer, por sua vez, possuía uma individualidade artística que nem sempre se acomodava àquele ambiente. Sua popularidade no cinema acabou se tornando maior do que sua fama como bailarina, mas isso não diminui a importância de sua carreira no palco.

Ela esteve entre as primeiras intérpretes de obras fundamentais do repertório britânico, incluindo Symphonic Variations, de Ashton, e estreou o papel-título de sua Cinderela, em 1948, substituindo Fonteyn, que estava lesionada.

Sua história também demonstra que a Royal Ballet School não formava bailarinos destinados exclusivamente aos palcos. A dança começava a dialogar com o cinema e a alcançar públicos muito maiores.

Ninette de Valois e o universo de Waterloo Bridge

Há uma associação cinematográfica que considero especialmente interessante. Em Waterloo Bridge, de 1940, um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, Vivien Leigh interpreta Myra Lester, uma jovem bailarina que se apaixona por um oficial britânico, vivido por Robert Taylor, durante a Primeira Guerra Mundial.

A história é um melodrama romântico devastador, mas também apresenta um retrato da vida de uma companhia de balé e da disciplina imposta às suas bailarinas.

Entre os personagens está Madame Olga Kirowa, interpretada por Maria Ouspenskaya, uma diretora autoritária que controla rigorosamente a vida das jovens artistas e não admite que seus compromissos pessoais interfiram na disciplina da companhia.

É fácil estabelecer um paralelo entre essa figura cinematográfica e a imagem das grandes diretoras de balé da época, entre elas Ninette de Valois. Ambas representam um modelo de autoridade artística em que a disciplina era considerada inseparável da excelência e a vida pessoal das bailarinas podia ficar subordinada às exigências da profissão.

Não há, entretanto, confirmação documental de que Madame Olga tenha sido diretamente inspirada em De Valois. A personagem funciona melhor como um reflexo ficcional de uma cultura profissional que também marcou a formação do balé britânico.

E é fascinante perceber como o cinema daquela época já explorava questões que continuam atuais: até onde deve ir a autoridade de um professor ou diretor? Quanto da vida pessoal um artista precisa sacrificar? E será que a excelência justifica qualquer tipo de exigência?

Questões que, cem anos depois da fundação da escola, continuam provocando discussões.

De Márcia Haydée a Darcey Bussell: uma tradição internacional

A lista de grandes bailarinos que passaram pela Royal Ballet School é impressionante. Além de Fonteyn e Shearer, nomes como Lynn Seymour, Antoinette Sibley, Anthony Dowell, Alessandra Ferri e Darcey Bussell ajudaram a construir uma história que atravessa gerações e diferentes maneiras de interpretar o balé clássico.

Entre eles está também Márcia Haydée, que estudou em Londres nos anos 1950 antes de se tornar a grande estrela do Stuttgart Ballet, onde inspiraria algumas das obras mais importantes de John Cranko.

Sua trajetória é um exemplo interessante de como a formação recebida na escola britânica ultrapassou as fronteiras do Royal Ballet e influenciou companhias internacionais.

Lynn Seymour, por sua vez, tornou-se uma das grandes intérpretes do balé dramático britânico, especialmente nas criações de Kenneth MacMillan. Sua presença foi decisiva para o desenvolvimento de uma linguagem na qual os movimentos não precisavam ser apenas belos, mas expressar desejos, conflitos e emoções de maneira quase visceral.

A geração seguinte manteria essa tradição, mas também introduziria novas possibilidades técnicas e interpretativas. Darcey Bussell, por exemplo, tornou-se uma das figuras mais populares do balé britânico e ajudou a aproximar a dança clássica de uma nova geração de espectadores.

Porque esse talvez seja o maior mérito do projeto de Ninette de Valois: construir uma identidade suficientemente forte para sobreviver às mudanças de gerações, estilos e coreógrafos.

Marianela Núñez, Mayara Magri e a impressionante geração atual

E a geração atual não fica atrás. Na verdade, o Royal Ballet reúne hoje um elenco extraordinário, com bailarinos de diferentes nacionalidades e formações, capazes de transitar entre o repertório clássico, as grandes obras dramáticas e a criação contemporânea.

A argentina Marianela Núñez, que chegou à Royal Ballet School em 1997, tornou-se uma das maiores referências do balé clássico contemporâneo. Sua técnica extraordinariamente segura, sua musicalidade e sua capacidade de interpretar desde os grandes clássicos até as obras de coreógrafos modernos fazem dela uma das artistas mais admiradas da companhia.

Há também a brasileira Mayara Magri, que tive o prazer de entrevistar. Formada inicialmente no Rio de Janeiro, na Petite Danse, ela chegou à Royal Ballet School após conquistar uma bolsa no Prix de Lausanne, em 2011, e ingressou na companhia em 2012.

Em 2021, alcançou o posto de primeira bailarina, consolidando uma trajetória que representa não apenas o sucesso de uma artista brasileira no exterior, mas também a capacidade da escola de acolher talentos formados em diferentes tradições e desenvolver suas características individuais.

Hoje, Mayara interpreta papéis importantes do repertório, como Odette/Odile em O Lago dos Cisnes, Julieta em Romeu e Julieta, Aurora em A Bela Adormecida e personagens de obras dramáticas como Mayerling e Manon.

E há uma coincidência especialmente bonita neste centenário: Mayara foi escolhida para interpretar a Rainha Negra de Checkmate, justamente o balé criado por Ninette de Valois em 1937 que abre o programa comemorativo da escola.

É uma brasileira representando, no palco do Royal Opera House, a própria história da instituição.

O elenco atual inclui ainda Francesca Hayward, Yasmine Naghdi, Fumi Kaneko, Natalia Osipova, Vadim Muntagirov, Matthew Ball, Marcelino Sambé e William Bracewell, entre outros nomes extraordinários.

Nem todos foram formados na Royal Ballet School, e é importante fazer essa distinção. A escola forma bailarinos para o Royal Ballet, mas a companhia também recebe artistas de outras instituições.

Talvez a demonstração mais interessante da força da tradição criada por De Valois esteja justamente nessa convivência entre uma identidade artística reconhecível e a capacidade de incorporar talentos de todo o mundo.

O centenário no palco do Royal Opera House

Para marcar os 100 anos, o Royal Opera House programou A Centenary Celebration, espetáculo que reúne mais de 300 artistas das duas companhias diretamente ligadas à história da escola, o Royal Ballet e o Birmingham Royal Ballet, além dos estudantes que representam seu futuro.

O programa é praticamente uma viagem pela história da instituição. Entre as obras escolhidas estão Checkmate, de Ninette de Valois, criado em 1937, e Birthday Offering, de Frederick Ashton, de 1956.

São dois exemplos bastante diferentes da identidade artística que se desenvolveu naquele ambiente: de um lado, o teatro e o simbolismo dramático de De Valois; do outro, o refinamento e a musicalidade de Ashton.

A celebração também abre espaço para coreógrafos contemporâneos, como Christopher Wheeldon, Cathy Marston, Wayne McGregor e Joshua Junker, enquanto a estreia de Centenary, de Valentino Zucchetti, reúne bailarinos das companhias e alunos da escola no encerramento.

Há ainda momentos do repertório clássico, incluindo o famoso pas de deux do terceiro ato de O Lago dos Cisnes. A proposta é mostrar não apenas aquilo que a instituição produziu em um século, mas também como diferentes gerações continuam dialogando por meio da dança.

E, no fundo, é isso que uma escola representa. Não apenas o lugar onde se aprende a dançar, mas onde conhecimentos, tradições e experiências passam de um artista para outro.

Cem anos depois, os desafios são outros

Naturalmente, o mundo do balé também mudou. A formação de um bailarino continua exigindo disciplina, dedicação quase absoluta e um nível de exigência física que poucas profissões conhecem. Mas hoje existe uma consciência muito maior sobre os efeitos que essa pressão pode exercer sobre crianças e adolescentes.

A Royal Ballet School, como outras instituições tradicionais, precisou enfrentar questionamentos sobre padrões corporais, saúde mental, práticas pedagógicas e o tratamento dispensado aos alunos. Não é possível celebrar cem anos de excelência sem reconhecer que algumas das ideias que durante décadas foram consideradas naturais na formação de bailarinos precisam ser revistas.

A escola, atualmente dirigida artisticamente por Iain Mackay, tem procurado valorizar uma formação mais abrangente, que não se limite à técnica ou à busca de uma suposta perfeição física.

Isso inclui uma preocupação maior com o bem-estar físico e emocional dos alunos, algo particularmente importante em uma profissão na qual o corpo é, ao mesmo tempo, instrumento de trabalho e expressão artística.

A questão é como preservar o rigor indispensável ao balé clássico sem reproduzir práticas que podem comprometer o desenvolvimento físico e emocional dos jovens artistas.

Cem anos depois, a resposta continua sendo construída.

Quando Ninette de Valois criou sua pequena academia em 1926, provavelmente não imaginava todas as estrelas que passariam por suas salas, nem que seu projeto estaria ligado a algumas das montagens mais importantes da história da dança.

Mas ela compreendia algo essencial: uma grande companhia não nasce apenas de grandes bailarinos. É preciso haver uma escola, professores, coreógrafos, repertório e uma tradição que permita a cada nova geração ir além da anterior.

Ela também compreendia que o talento precisava ser identificado, desenvolvido e, muitas vezes, cuidadosamente orientado. Foi assim com Margot Fonteyn, e de maneiras diferentes com tantos outros artistas que passaram por aquela instituição.

O centenário da Royal Ballet School é, portanto, muito mais do que uma celebração de estrelas, espetáculos e conquistas. É a história de uma visão artística que conseguiu atravessar um século, transformar o balé britânico e influenciar a dança em todo o mundo.

E talvez a maior homenagem que se possa fazer a Ninette de Valois seja justamente reconhecer que sua obra continua viva. Não apenas nas grandes bailarinas que ajudou a formar ou nas coreografias que fazem parte do repertório mundial, mas em cada jovem que entra em uma sala de aula, segura na barra e começa a descobrir tudo aquilo que seu corpo é capaz de expressar.

Porque, cem anos depois, é ali que essa história continua.


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