A Diplomata: 10 perguntas antes da quarta temporada

A quarta temporada de A Diplomata estreia na Netflix em 15 de outubro, e é difícil imaginar como a série poderá aumentar ainda mais o caos em que deixou seus personagens. Mas, considerando o histórico de Kate e Hal Wyler, sabemos que sempre é possível piorar. Depois de três temporadas misturando crises internacionais, traições conjugais, ambições políticas e decisões que poderiam desencadear uma guerra, a criação de Debora Cahn chega a um ponto particularmente interessante: os conflitos pessoais de seus protagonistas passaram a representar uma ameaça à segurança mundial. E, como já aprendemos, nem sempre aqueles que deveriam resolver os problemas estão realmente interessados em evitá-los.

O final da terceira temporada deixou Kate Wyler (Keri Russell) diante de uma descoberta que resume perfeitamente a contradição que sustenta a série. Depois de conseguir convencer o governo britânico a neutralizar uma poderosa arma nuclear russa, ela descobriu que seu marido, Hal (Rufus Sewell), agora vice-presidente dos Estados Unidos, havia conspirado com a presidente Grace Penn (Allison Janney) para se apropriar do armamento. O que deveria ser uma solução diplomática transformou-se em mais uma operação clandestina, com consequências potencialmente catastróficas. Para completar, Kate acabara de se reconciliar com Hal, depois de um envolvimento com Callum Ellis (Aidan Turner), acreditando que o casamento ainda poderia ser recuperado.

Debora Cahn descreveu a nova temporada como a história de dois casais cujas funções públicas comprometem suas relações privadas. A aproximação entre Hal e Grace acabará provocando uma aliança entre Kate e Todd Penn (Bradley Whitford), marido da presidente, enquanto a confiança entre os Estados Unidos e o Reino Unido corre o risco de desmoronar. Como sempre, os Wyler conseguem transformar qualquer situação numa complicação ainda maior. Antes da estreia, estas são as dez perguntas que precisamos ver respondidas.

1. Hal Wyler é um traidor ou acredita estar salvando o mundo?

Esta sempre foi uma das questões mais interessantes de A Diplomata, porque Hal está longe de ser um vilão convencional. Inteligente, sedutor, manipulador e absolutamente convencido de sua capacidade de compreender o jogo político melhor do que os demais, ele costuma justificar suas decisões como necessárias, mesmo quando significam trair a confiança de quem está ao seu lado. O roubo do Poseidon, a arma nuclear russa que deveria permanecer inacessível no fundo do mar, representa o maior exemplo dessa lógica até agora. Hal acredita que os Estados Unidos precisam controlar o armamento para impedir uma ameaça futura ou está simplesmente exercendo o poder que sempre desejou? A diferença é fundamental, embora ele provavelmente considere as duas justificativas perfeitamente compatíveis.

2. O casamento de Kate e Hal ainda pode sobreviver?

Há algo quase fascinante na capacidade desse casal de destruir qualquer possibilidade de estabilidade. Durante a terceira temporada, Kate se aproximou de Callum Ellis e chegou a experimentar uma relação menos carregada pela competição permanente que caracteriza seu casamento. No entanto, escolheu voltar para Hal, apenas para descobrir que ele havia tomado uma das decisões mais perigosas de sua carreira sem consultá-la. O problema é que a relação dos dois nunca dependeu exclusivamente do amor. Eles compartilham uma linguagem, uma intimidade intelectual e uma necessidade quase compulsiva de participar das decisões um do outro. Kate reclama da interferência do marido, mas frequentemente recorre à inteligência dele quando precisa resolver algum problema. Hal, por sua vez, parece incapaz de respeitar os limites que ela estabelece. Até quando essa dinâmica poderá ser confundida com uma parceria?

3. O que realmente existe entre Hal e Grace Penn?

A aproximação entre Hal e a presidente pode ser mais ameaçadora do que um caso extraconjugal. Afinal, estamos falando de duas pessoas que compartilham ambição, experiência política e a convicção de que determinadas decisões são importantes demais para depender de consensos. Grace não tenta controlar Hal como Kate costuma fazer. Ao contrário, parece estimular justamente seus impulsos mais perigosos, enquanto ele encontra nela alguém disposto a transformar suas ideias em ações. Todd já percebeu a intensidade dessa relação, mas talvez esteja procurando uma traição sentimental quando deveria se preocupar com algo muito maior. Existe atração entre os dois? Talvez. Mas a verdadeira infidelidade parece estar acontecendo no exercício do poder.

4. Kate conseguirá enfrentar a presidente sem comprometer a própria carreira?

Kate sempre se apresentou como uma profissional capaz de distinguir interesses pessoais de responsabilidades diplomáticas, embora a série tenha demonstrado repetidamente que essa separação não é tão simples. Agora, ela sabe que Grace Penn, responsável pela operação que levou à morte de 43 militares britânicos no HMS Courageous, está envolvida em outra conspiração internacional. Denunciar o roubo do Poseidon significaria confrontar a presidente dos Estados Unidos e o próprio marido, que ocupa a vice-presidência. Permanecer em silêncio, entretanto, transformaria Kate em cúmplice de uma operação que pode desencadear uma guerra. Pela primeira vez, talvez ela precise escolher entre a lealdade ao casamento, a preservação da própria posição e os princípios que afirma defender.

5. Kate e Todd Penn conseguirão formar uma aliança?

A ideia de aproximar Kate do primeiro-cavalheiro é uma das escolhas mais interessantes anunciadas para a quarta temporada. Os dois foram colocados numa posição semelhante: seus respectivos cônjuges desenvolveram uma parceria que ameaça tanto os casamentos quanto a estabilidade política. Mas compartilhar um problema não significa necessariamente desejar a mesma solução. Todd poderá estar mais interessado em preservar Grace e a presidência, enquanto Kate precisará impedir uma crise internacional sem destruir sua própria vida. Há ainda uma ironia irresistível nessa troca de parceiros: depois de três temporadas tentando administrar um marido que se recusa a obedecer às regras, Kate encontrará alguém que talvez compreenda sua frustração melhor do que qualquer outro personagem.

6. Como o Reino Unido reagirá ao descobrir o roubo do Poseidon?

O primeiro-ministro Nicol Trowbridge (Rory Kinnear) aceitou a proposta de Kate para neutralizar a arma russa sem permitir que qualquer país se apropriasse dela. A decisão representava uma tentativa de evitar que uma crise envolvendo Moscou se transformasse num confronto internacional. O problema é que Hal e Grace utilizaram a operação para fazer exatamente o contrário. Se os britânicos descobrirem que os americanos realizaram uma missão clandestina em seu território e retiraram o armamento, a confiança entre os dois governos poderá sofrer um abalo difícil de reparar. E não podemos esquecer que Trowbridge já tem motivos suficientes para desconfiar de Washington. Quantas traições uma aliança histórica consegue suportar?

7. Callum Ellis ainda terá um papel importante na vida de Kate?

Interpretado por Aidan Turner, Callum surgiu como uma alternativa sentimental para Kate, mas sua importância não se limita ao romance. Ligado à inteligência britânica, ele também participou dos acontecimentos que permitiram localizar o Poseidon e perceber a dimensão da ameaça. Sua proximidade com Kate poderá se tornar ainda mais complicada caso as informações sobre a operação americana venham à tona. Afinal, ele representa simultaneamente uma possibilidade afetiva que ela aparentemente abandonou e um compromisso profissional com os interesses britânicos. Kate escolheu Hal, mas suas escolhas raramente encerram definitivamente uma história. Será que Callum aceitará continuar próximo dela depois de descobrir até onde o marido está envolvido?

8. Austin Dennison e a equipe da embaixada continuarão pagando pelos erros dos Wyler?

Um dos aspectos mais interessantes de A Diplomata é observar o esforço dos profissionais que precisam manter a diplomacia funcionando enquanto seus superiores transformam decisões internacionais em disputas pessoais. Austin Dennison (David Gyasi), Stuart Hayford (Ato Essandoh) e Eidra Park (Ali Ahn) representam diferentes formas de compromisso com instituições que nem sempre são respeitadas por aqueles que as comandam. Dennison já precisou lidar com consequências políticas e emocionais de sua proximidade com Kate, enquanto Stuart e Eidra conhecem suficientemente bem os Wyler para saber que nenhuma crise permanece exclusivamente profissional por muito tempo. Com Hal na vice-presidência e Grace envolvida numa operação clandestina, até onde a lealdade dessas pessoas poderá resistir?

9. Grace Penn conseguirá continuar na presidência?

Allison Janney transformou Grace numa personagem fascinante justamente porque sua autoridade parece nascer da convicção absoluta de que sabe o que precisa ser feito. Mas a presidente já carrega a responsabilidade por uma operação que custou dezenas de vidas britânicas e agora participa de outra iniciativa capaz de provocar um confronto com a Rússia. A promoção de Billie Appiah (Nana Mensah) ao centro da narrativa também sugere que a Casa Branca terá importância crescente na temporada. No trailer, quando Kate acusa o governo de ultrapassar os limites ao realizar uma incursão militar secreta no território de um aliado, Billie responde que os limites mudam. É uma frase inquietante porque revela como decisões excepcionais podem se transformar rapidamente em procedimentos aceitáveis. Grace acredita estar protegendo seu país, mas até quando essa justificativa sustentará sua autoridade?

10. Kate Wyler finalmente aprenderá alguma coisa com os próprios erros?

Talvez esta seja a pergunta mais importante de todas. Kate é apresentada como uma diplomata brilhante, competente e frequentemente obrigada a corrigir as consequências das decisões tomadas por homens ambiciosos. Só que sua trajetória revela uma personagem muito mais contraditória. Ela exige transparência, mas esconde informações; condena a manipulação de Hal, mas não hesita em utilizar suas próprias estratégias; reclama da interferência do marido, embora dependa constantemente dele. Há uma diferença entre ser uma mulher cercada por políticos perigosos e reconhecer a própria participação nos problemas que eles provocam. A quarta temporada poderá finalmente obrigá-la a enfrentar essa responsabilidade, em vez de permitir que continue ocupando a posição de vítima indignada das decisões alheias?

A Diplomata nunca foi exatamente uma série sobre a serenidade das negociações internacionais. Sua força está na maneira como transforma ambições políticas em conflitos pessoais e vice-versa, criando uma espécie de dramalhão geopolítico no qual ninguém parece inteiramente inocente. A chegada de Bradley Whitford ao centro da história, ao lado de Allison Janney, ainda acrescenta um reencontro especialmente divertido para quem acompanhou The West Wing, embora o idealismo de Aaron Sorkin esteja muito distante do universo moral de Debora Cahn.

O desafio da quarta temporada será encontrar consequências à altura das escolhas de seus protagonistas. Porque, depois de tantas mentiras, reconciliações e conspirações, já não basta colocar Kate diante de mais uma crise para que ela a resolva com uma mistura de indignação, improviso e arrogância. Há uma arma nuclear desaparecida, uma presidente disposta a ultrapassar limites e um vice-presidente que parece considerar qualquer obstáculo apenas mais uma oportunidade de demonstrar sua inteligência. Se Kate realmente pretende impedir uma guerra, talvez precise começar aceitando que também faz parte do problema.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário