Spoilers do quinto episódio da sexta temporada.
Mais uma vez, Slow Horses abre com uma sequência absolutamente de tirar o fôlego, mas muito, muito violenta. Mal tivemos tempo de absorver a morte de Coe e já acompanhamos River atrás de Sid, sequestrada pelo casal de assassinos russos. É uma temporada em que a violência está ocupando cada vez mais espaço, e o início de “Sayonara” prolonga a sensação de horror do episódio anterior. Não há oportunidade para lamentar quem morreu quando alguém que ainda pode ser salvo está sendo levado embora.
River pega um carro e, durante a perseguição, liga para Lamb para contar o que está acontecendo. Sid, entretanto, também luta para escapar: ataca Jane com a pequena placa que havia escondido, provocando o acidente. Jim a alcança junto ao lago, onde tenta afogá-la. River intervém, mas também acaba dominado; Sid se recupera, atinge o assassino com uma pedra e os dois o afogam. Jane, que parecia morta no carro, desaparece. A sequência termina com Jim morto, mas não com a certeza de que a ameaça acabou.


O que torna esse confronto tão angustiante é a ausência de qualquer elegância. São personagens feridos, exaustos, tentando manter a cabeça fora da água enquanto precisam impedir que o outro continue atacando. Sid e River salvam um ao outro, e a proximidade entre eles passa a carregar também essa experiência compartilhada. A morte de Coe ainda está muito perto para que a sobrevivência possa ser recebida como uma vitória confortável.
Depois dos créditos, Lamb vai cobrar Diana no trabalho. A ligação de River o colocou a par dos acontecimentos, e ele quer entender o que ela deve a Damien Cantor, por que o empresário contratou Frank Harkness e como os russos se encaixam nessa história. Diana volta à posição que tem ocupado com frequência nesta temporada: precisa admitir que Lamb está certo em suas suspeitas, enquanto insiste que consegue administrar as consequências.
Ela pede confiança, o que, para Lamb, é praticamente a confirmação de que a situação já saiu do controle. A discussão sobre o dinheiro de Cantor é especialmente reveladora. Diana tenta distinguir o investimento que recebeu de uma venda de sua lealdade, mas Lamb aponta o problema que ela preferiu ignorar: quem colocou o dinheiro passou a ter poder sobre ela. A maneira como Diana descreve esse acordo não altera o que Cantor pode cobrar em troca.
A identidade de Sid foi usada na operação em Kazan para proteger outro agente. É importante separar as coisas: Sid carrega a responsabilidade por um assassinato que não cometeu. O apagamento dos registros e os arquivos roubados de Slough House colocaram os pangarés no caminho da retaliação russa. A tentativa de esconder uma operação comprometeu justamente os agentes que Diana deveria proteger. Até a insistência de que tudo está sob controle começa a parecer uma maneira de evitar reconhecer o tamanho do desastre.

Entre uma ameaça e outra, Sid pergunta a River de quem era o funeral ao qual ele tinha ido. Ele conta que era do avô. É uma pausa pequena, mas necessária, porque o luto de River foi praticamente engolido pela perseguição. Antes de perder Coe, ele já havia perdido a pessoa que organizava sua vida e sua compreensão de pertencimento. A temporada começou com uma despedida e, desde então, tem obrigado River a seguir em frente sem conseguir processá-la.
Lamb, por sua vez, segue o rastro de Cantor até apresentações de balé infantil, uma frequência curiosa para alguém sem filhos. Ali encontra Natasha e passa a investigá-la. Enquanto isso, os demais se reúnem na casa de campo de Diana, e Harkness se aproxima da região atrás de Reece. O esconderijo oferece uma pausa, mas a ameaça está chegando.
O destino de Sid e River também desmente qualquer sensação de segurança. Recolhidos pelo MI5, eles acabam em um hangar. Diana pretende entregar Sid aos russos, prometendo recuperá-la depois; mesmo informada de que o avião seguirá para a Bulgária, mantém a autorização. Sid está sendo transformada na solução para um problema criado por sua própria superior.
É aí que a confiança de Sid em Diana ganha sua dimensão mais dolorosa. Ela passou tanto tempo insistindo em falar com a chefe, convencida de que aquela conversa poderia protegê-la, que ouvir a decisão representa também perder a segurança que imaginava ainda ter. Diana pode invocar a proteção de outro agente e o encerramento da retaliação, mas é Sid quem terá de pagar por essas escolhas.
Depois de flertarem em um dos piores momentos, inclusive fazendo citações de 007 (onde morrer? Paris e Pirâmides, eles citam, aludindo a A View to a Kill e A Spy Who Loved Me), Sid confessa que não quer morrer e River, sendo River, impulsivamente impede o embarque, tomando um caminhão e fugindo com Sid. Mas no meio da fuga, manda Sid correr enquanto fica para distrair os perseguidores. Os dois se beijam antes de se separarem, e ele termina cercado pelos agentes do MI5. Tanto para ele, como para nós, valeu cada segundo.

Há uma escolha coerente com River nessa desobediência, mesmo que a facilidade da fuga exija alguma concessão. Sua impulsividade tantas vezes o colocou em situações desastrosas; agora, aceitar a ordem significaria permitir que Sid fosse entregue. O beijo nasce dessa urgência e torna a separação mais difícil, sem resolver o perigo que os cerca.
Depois de tanta brutalidade, “Sayonara” deixa seu dilema mais incômodo nas mãos de Diana. Ela continua falando como alguém capaz de calcular perdas, preservar interesses e administrar o que vem depois. River acabou de ver um colega morto e se recusa a aceitar outra pessoa como parte dessa conta. Com apenas o final pela frente, resta saber quanto ainda será cobrado dos pangarés para que a chefe do MI5 possa continuar dizendo que tinha tudo sob controle.
Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
