É impressionante como, em A Diplomata, os personagens conseguem transformar qualquer situação em uma crise internacional. Depois de provocar indiretamente a renúncia do primeiro-ministro britânico, Kate Wyler (Keri Russell) precisa reconstruir as relações entre os Estados Unidos e o Reino Unido, administrar as consequências da morte de Austin Dennison e, como se não bastasse, cuidar do marido da presidente americana. Sim, agora a diplomata também virou babá de Todd Penn (Bradley Whitford). E, considerando o comportamento de todos, talvez seja a tarefa mais complicada de sua carreira.
O quinto episódio começa com Kate física e emocionalmente esgotada. Ela praticamente não come, não dorme e continua se culpando pela saída de Nicol Trowbridge (Rory Kinnear). Afinal, foi sua ameaça de divulgar as imagens comprometedoras envolvendo Margaret Roylin que contribuiu para precipitar a renúncia do primeiro-ministro. Kate acreditava estar protegendo os interesses americanos. Mas, como costuma acontecer na série, a solução encontrada para um problema criou vários outros.

A sucessão britânica torna a situação ainda mais delicada. Dois nomes disputam o cargo: Thixton e Bethan Vaughn (Jodie Whittaker). Kate não parece entusiasmada com nenhuma das possibilidades, especialmente diante da perspectiva de um governo menos disposto a tolerar as imposições americanas.
A tensão é tão grande que, durante o trajeto para a residência oficial, ela pede que o carro pare e corre para vomitar à beira da estrada. Não é exatamente a imagem de uma diplomata no controle da situação. Mas é uma demonstração de que seu corpo começa a cobrar o preço de tantos conflitos.
A notícia de que Thixton abandonou a disputa, depois da descoberta de suas contribuições financeiras à Rússia, oferece um breve alívio. Bethan Vaughn será a nova primeira-ministra britânica. Kate finalmente consegue comer alguma coisa. Por pouco tempo, porém.
A chegada de Todd Penn a Londres acrescenta uma camada de comédia ao episódio. O marido de Grace Penn (Allison Janney) está tentando encontrar uma maneira de se afastar da Casa Branca e, principalmente, da esposa. Desde o atentado, Grace se tornou ainda mais autoritária e impaciente, tratando Todd como um inconveniente em vez de alguém que também sofreu com a possibilidade de perdê-la.
Bradley Whitford é excelente nesses momentos. Todd não é exatamente uma vítima inocente, mas sua necessidade de recuperar algum espaço e importância dentro do casamento é compreensível. Ele procura Kate em busca de uma função oficial, talvez como enviado especial, e chega a considerar permanecer em Londres.
Kate, naturalmente, não gosta da ideia. Já tem problemas suficientes para administrar sem acrescentar um integrante da família presidencial à rotina da embaixada. Mas também não pode simplesmente dispensá-lo.
Enquanto isso, em Washington, Grace, Hal Wyler (Rufus Sewell), Billie Appiah e o secretário de Estado Miguel Ganon discutem uma iniciativa para restringir determinados navios. A presidente continua tomando decisões com uma mistura de autoconfiança e impaciência que parece preocupar cada vez mais seus próprios colaboradores. Ganon tenta apresentar argumentos, mas Grace demonstra pouco interesse em ouvi-los.
É curioso observar como Hal continua navegando nesse ambiente. O vice-presidente sabe que Grace é difícil, mas também reconhece as oportunidades que surgem quando consegue conquistar sua confiança. Suas decisões nem sempre são prudentes, porém sua capacidade de se manter próximo do poder permanece intacta.

Em Londres, o primeiro encontro de Kate com Bethan Vaughn não poderia ser menos promissor. A nova primeira-ministra a recebe, mas interrompe rapidamente a conversa para atender a uma suposta ligação. Assim que Kate deixa a sala, descobrimos que o telefonema não existia. Vaughn simplesmente não queria conversar com ela. É um gesto pequeno, mas significativo. Depois de tantas demonstrações de arrogância americana, os britânicos finalmente parecem dispostos a estabelecer alguma distância.
A situação piora quando Kate descobre que Vaughn está afastando funcionários que possuem relações próximas com os Estados Unidos. Robyn Palmer, agora em posição relevante no governo britânico, também não demonstra disposição para colaborar. Kate começa a entender que a influência americana sobre Londres já não é a mesma. E Todd, que deveria estar apenas acompanhando compromissos sociais, resolve interferir.
Depois de observar Kate passando mal, ele telefona para Grace e sugere que a embaixadora talvez esteja grávida. A informação chega a Hal, que imediatamente procura a esposa. Kate fica furiosa. Não apenas pela especulação sobre sua vida pessoal, mas porque Todd também revelou à presidente os detalhes do encontro fracassado com Vaughn.
É mais uma situação em que o pessoal e o profissional se misturam de maneira desastrosa. Todd quer ser útil, mas não compreende os limites de sua participação nos assuntos diplomáticos. E Kate, que nunca foi exatamente paciente, precisa explicar que sofre de refluxo e não está grávida.
A revelação mais interessante, porém, vem de Grace. Foi ela quem incentivou Todd a considerar uma temporada em Londres, esperando que Kate assumisse a responsabilidade por entretê-lo e mantê-lo afastado da Casa Branca. Ou seja, enquanto Kate tenta administrar uma crise nuclear internacional, a presidente dos Estados Unidos decidiu transferir para ela também os problemas domésticos de seu casamento. É difícil imaginar uma demonstração maior de desprezo pelo trabalho da embaixadora.

Mas a nova primeira-ministra acaba oferecendo uma possibilidade de diálogo. Durante um evento, Kate consegue conversar novamente com Vaughn e tenta explicar sua participação na queda de Trowbridge. A britânica parece compreender as circunstâncias, embora isso não signifique que esteja disposta a confiar nos americanos.
Bethan também apresenta uma informação importante: os russos localizaram o submarino afundado e solicitaram autorização para recuperar os corpos dos marinheiros mortos.
O problema é evidente. Se os russos recuperarem o submarino, descobrirão que a arma nuclear Poseidon desapareceu.
E a reação britânica é ainda mais preocupante para Washington. Vaughn não pretende impedir a operação porque considera que o Reino Unido não será o principal alvo de uma eventual retaliação. Afinal, foram os americanos que retiraram a arma clandestinamente.
É uma inversão significativa de poder. Pela primeira vez, os britânicos parecem dispostos a deixar que os Estados Unidos enfrentem sozinhos as consequências de suas decisões.
Paralelamente, Stuart Hayford e Eidra Park continuam tentando organizar a vida a dois. O relacionamento parece avançar, mas as discussões sobre onde morar revelam que ambos ainda enfrentam dificuldades para conciliar intimidade e independência. É um conflito bastante mais reconhecível do que as crises internacionais que dominam o restante da série, embora os dois também consigam transformar uma conversa doméstica em um impasse.
O episódio termina com outra imprudência. Enquanto Kate prepara suas anotações para conversar com Grace sobre a situação do submarino, Todd aparece novamente e insiste em participar. Ela se recusa, mas ele argumenta que acabará sabendo de tudo pela própria esposa.
Exasperada, Kate volta a responder à especulação sobre uma possível gravidez e acaba falando muito mais do que deveria. Ao deixar escapar informações confidenciais, não percebe que Frances está próxima o suficiente para ouvir.
E assim, mais uma vez, um segredo de Estado corre o risco de ser comprometido não por uma operação sofisticada de espionagem, mas pela incapacidade de alguém controlar o próprio temperamento.

O quinto episódio também apresenta uma mudança importante na dinâmica da série. Com Trowbridge fora do governo e Dennison morto, Kate perdeu seus principais interlocutores britânicos. Bethan Vaughn não parece disposta a reconstruir imediatamente a confiança entre os dois países. E Jodie Whittaker chega com uma personagem que promete transformar essa resistência em uma postura política.
O mais interessante é que, desta vez, os britânicos possuem motivos bastante concretos para desconfiar dos americanos. Grace ordenou uma operação clandestina, Hal revelou um segredo de Estado e Kate recorreu à chantagem contra um primeiro-ministro.
Há uma ironia evidente em acompanhar uma série chamada A Diplomata na qual sua protagonista parece recorrer cada vez menos à diplomacia. Kate continua sendo inteligente, experiente e capaz de compreender as consequências das decisões políticas. Mas também se tornou impulsiva, frequentemente reativa e incapaz de perceber quando suas próprias atitudes contribuem para o caos que tenta resolver.
E, quando até Todd Penn consegue complicar a situação internacional, talvez seja hora de reconhecer que o problema não está apenas nos adversários dos Estados Unidos.
Está também na maneira como seus representantes exercem o poder.
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