A Diplomata: episódio 7 faz Kate desafiar Grace e arriscar tudo (Recap)

Existe um momento em que tentar controlar uma crise deixa de ser uma demonstração de habilidade política e se transforma em uma sucessão de mentiras. Kate Wyler (Keri Russell) parece finalmente ter chegado a esse ponto. No penúltimo episódio da quarta temporada de A Diplomata, ela tenta impedir que Grace Penn (Allison Janney) provoque um confronto militar com a Rússia, mas acaba colocando em risco a própria carreira, seu casamento e a confiança de praticamente todos ao seu redor.

E tudo culmina em um jantar tão constrangedor que consegue transformar uma conversa entre dois casais em uma crise de governo.

O episódio, intitulado Phony Negroni, leva os personagens à Itália, onde acontece a reunião do G7. Em circunstâncias normais, o encontro deveria oferecer uma oportunidade de negociação entre as principais potências ocidentais. Mas estamos falando de A Diplomata, uma série na qual os encontros internacionais parecem existir principalmente para que seus protagonistas encontrem novas maneiras de piorar situações já bastante delicadas.

Kate chega à Itália carregando um segredo. No episódio anterior, havia informado à equipe americana que transmitira à primeira-ministra britânica Bethan Vaughn (Jodie Whittaker) a ameaça de Grace: se o Reino Unido não impedisse os russos de recuperar o submarino afundado, os Estados Unidos enviariam navios militares para bloquear a operação.

Só que Kate mentiu.

Ela não transmitiu o ultimato. Tentou convencer Vaughn a aceitar uma solução diplomática, mas, diante da resistência britânica, preferiu ganhar tempo em vez de executar uma ordem que considerava perigosa.

É uma decisão importante, mas também bastante contraditória. Kate finalmente se recusa a participar diretamente de uma iniciativa que poderia provocar uma guerra. Ao mesmo tempo, recorre à mentira para esconder sua desobediência.

Stuart Hayford (Ato Essandoh) e Eidra Park (Ali Ahn) descobrem que os russos continuam preparando a operação de recuperação do submarino. A informação contradiz o relato de Kate e confirma que a crise permanece completamente aberta.

Kate admite o que fez. Sua esperança agora é convencer Hal Wyler (Rufus Sewell) a apresentar a Grace uma proposta alternativa: americanos e britânicos poderiam recuperar os corpos dos marinheiros russos e impedir que Moscou tivesse acesso ao submarino e descobrisse o desaparecimento do Poseidon.

É uma proposta que tenta conciliar o dever humanitário de recuperar os mortos com a necessidade de evitar uma escalada militar. Mas depende de algo que se tornou praticamente impossível dentro da administração Penn: fazer a presidente admitir que existe uma solução melhor do que aquela que ela própria escolheu.

Hal chega à Itália, e Kate tenta preparar o terreno. Os dois conversam sobre o casamento, suas diferenças e a maneira como continuam se envolvendo nos assuntos profissionais um do outro. Curiosamente, a relação parece atravessar um momento de relativa estabilidade. Pela primeira vez em muito tempo, Kate e Hal conseguem discutir sem transformar imediatamente qualquer discordância em uma guerra doméstica.

Mas a tranquilidade dura pouco.

Quando Kate revela que desobedeceu à presidente, Hal fica profundamente contrariado. Sua primeira preocupação não é apenas o risco diplomático. Ele percebe que também poderá ser responsabilizado pela atitude da esposa. E isso diz muito sobre o personagem.

Hal pode amar Kate, protegê-la e reconhecer sua inteligência, mas continua sendo um homem profundamente identificado com o poder. Agora que ocupa a vice-presidência, suas decisões passam inevitavelmente pelo cálculo de como preservar sua posição. Enquanto isso, Grace e Todd Penn (Bradley Whitford) enfrentam uma crise que já não pode ser disfarçada como simples desgaste conjugal.

Todd está convencido de que a esposa mudou depois do atentado. Grace tornou-se ainda mais impaciente, agressiva e incapaz de aceitar questionamentos. O marido tenta confrontá-la sobre o próprio comportamento, mas ela interpreta qualquer preocupação como uma tentativa de enfraquecê-la.

É interessante observar como Bradley Whitford constrói Todd. Ele não é apenas um marido infeliz tentando encontrar alguma relevância institucional. É alguém que percebe que a mulher com quem dividiu a vida está se tornando uma pessoa que já não consegue reconhecer inteiramente.

Quando Grace descobre que Kate se reuniu com Vaughn sem a presença de Todd, reage com irritação. O problema, aparentemente, não é apenas o resultado da negociação. É o fato de Kate ter tomado uma decisão independente. A presidente parece cada vez menos tolerante com qualquer demonstração de autonomia de seus colaboradores.

Paralelamente, Stuart confronta Billie Appiah sobre as informações que descobriu. Ele agora sabe que Grace esteve envolvida na operação responsável pelo ataque ao HMS Courageous e não consegue compreender como a chefe de gabinete continua trabalhando para ela.

Billie tenta explicar que procurou impedir determinadas decisões, mas Stuart não parece convencido. Para ele, a questão ultrapassou o campo das divergências políticas. Sua conclusão é que Grace não apresenta condições adequadas para continuar exercendo a presidência. É uma acusação gravíssima. Mas, depois dos acontecimentos desta temporada, não surge exatamente do nada.

Billie, por sua vez, representa um dilema conhecido de qualquer estrutura de poder. Até onde é possível permanecer dentro de uma administração tentando impedir decisões equivocadas? E em que momento a permanência deixa de ser uma forma de resistência e passa a significar cumplicidade?

A mesma pergunta que Kate começou a fazer no episódio anterior agora se estende aos outros integrantes do governo. Mas o grande confronto acontece durante um jantar entre Grace, Todd, Kate e Hal.

O encontro começa de maneira aparentemente civilizada, embora o ambiente já esteja carregado de tensão. Grace conversa reservadamente com Kate sobre a participação de Todd nas negociações britânicas. Kate procura defender o marido da presidente, reconhecendo que ele pode contribuir de maneira positiva, mas também admite suas reservas iniciais.

O problema é que Grace não está disposta a esquecer que Todd foi excluído da reunião com Vaughn. Quando os quatro se sentam à mesa, a conversa rapidamente se transforma em um acerto de contas. Todd confronta a esposa sobre seu comportamento. Grace reage mal. Hal tenta intervir, enquanto Kate procura explicar os riscos de um bloqueio naval e apresentar sua alternativa para a recuperação dos corpos russos.

É um daqueles momentos em que A Diplomata demonstra sua capacidade de transformar diálogos em cenas de enorme tensão. Os personagens se interrompem, mudam de assunto, tentam controlar a narrativa e acabam revelando muito mais do que pretendiam.

Grace percebe que a discussão não envolve apenas uma divergência diplomática. Todos à mesa parecem questionar sua capacidade de julgamento desde que foi baleada. Kate admite que existe, de fato, essa preocupação.

É uma situação delicada. Sobreviver a um atentado não significa necessariamente perder a capacidade de governar. Mas também não torna uma presidente imune a questionamentos sobre decisões que podem colocar milhões de pessoas em risco.

Grace aceita discutir o assunto, pelo menos aparentemente. Kate recupera os acontecimentos envolvendo o HMS Courageous e explica por que considerou inaceitável a ameaça contra Vaughn. E então admite a verdade. Ela não transmitiu o ultimato à primeira-ministra.

O silêncio que se segue é revelador. Até a apresentação do jantar pelo chef parece surgir no pior momento possível, interrompendo uma conversa que já ultrapassou todos os limites do constrangimento. Grace se levanta, mas retorna depois com uma garrafa de vinho, determinada a continuar.

Hal tenta administrar o conflito. Kate defende sua decisão. Todd insiste que existe algo profundamente errado na maneira como Grace está exercendo o poder. Mas a presidente não recua. Ao contrário, decide que Todd será responsável por transmitir pessoalmente a ameaça à primeira-ministra britânica. Se Kate se recusar a cumprir a ordem, alguém fará isso em seu lugar.

É uma decisão que transforma o marido, até então uma figura marginal nas discussões políticas, em instrumento direto da autoridade presidencial. Grace agradece a Kate pelos serviços prestados e lhe deseja boa noite. A frase, embora formalmente educada, soa como uma dispensa. Kate compreende perfeitamente. Ela deixa a mesa em silêncio, com um sorriso que mistura incredulidade e resignação. Billie ocupa seu lugar, enquanto Grace também manda Hal se retirar.

É um encerramento excelente justamente porque não depende de explosões, atentados ou de mais uma morte inesperada. Basta uma mesa de jantar.

O episódio deixa claro que a crise já não está restrita às relações entre Estados Unidos, Reino Unido e Rússia. Ela acontece dentro da própria Casa Branca, onde a presidente parece interpretar discordâncias como manifestações de deslealdade.

E também atinge Kate, que finalmente tenta estabelecer um limite, mas descobre que fazê-lo pode significar perder tudo o que construiu.

Keri Russell está particularmente bem nesse confronto. Sua Kate continua impaciente, impulsiva e frequentemente incapaz de controlar as próprias reações. Mas, desta vez, existe algo diferente: ela sabe exatamente o que está colocando em risco.

Hal, por outro lado, permanece dividido entre o amor pela esposa e a atração pelo poder. Todd tenta recuperar alguma influência sobre Grace, enquanto Billie luta para justificar sua própria permanência na administração.

Todos parecem presos à mesma pergunta: é possível continuar trabalhando para alguém quando já não acreditamos em suas decisões?

O sétimo episódio prepara o terreno para o desfecho da temporada sem precisar recorrer a uma nova catástrofe. E talvez seja justamente por isso que funcione tão bem. Depois de tantas ameaças, conspirações e operações clandestinas, A Diplomata finalmente coloca seus personagens diante de algo que não pode ser resolvido com mais uma manobra política. Uma escolha moral. Resta saber quem terá coragem de fazê-la.


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