A espera pelo novo James Bond pode finalmente estar chegando ao fim. Segundo informações que circulam nos bastidores de Hollywood, a Amazon MGM Studios estaria preparando o anúncio oficial do sucessor de Daniel Craig para a próxima semana, ou, no máximo, o início de novembro. Depois de meses de especulações, testes e uma lista que parecia interminável de candidatos, dois nomes ganharam força: Jacob Elordi e Jack Lowden. Há ainda rumores sobre um terceiro ator, cuja identidade permanece em segredo. A única certeza, por enquanto, é que a escolha promete ser divisiva, seja qual for o vencedor.
Segundo o jornalista Jeff Sneider, os testes de câmera já teriam sido concluídos, e Elordi estaria na dianteira da disputa. O site World of Reel também confirmou ter ouvido os nomes de Elordi, Lowden e um terceiro candidato não identificado. Naturalmente, nada foi anunciado oficialmente, mas a movimentação sugere que a longa busca pelo próximo 007 está na reta final. E, curiosamente, os dois principais candidatos representam possibilidades bastante diferentes para o futuro da franquia.


Jacob Elordi, australiano de 29 anos, parecia uma escolha quase óbvia quando seu nome começou a circular. Alto, elegante, com uma presença física impressionante e uma carreira em ascensão, o ator reúne características associadas ao espião criado por Ian Fleming. Sua atuação em Euphoria revelou uma intensidade que ele ampliou em Saltburn e Frankenstein, enquanto O Morro dos Ventos Uivantes reforçou sua posição como um dos protagonistas mais disputados de sua geração. O problema, se é que podemos chamar assim, é que Elordi talvez tenha ficado grande demais para interpretar James Bond. E não estou falando apenas de seus 1,96 m de altura.
Elordi já é uma estrela com uma identidade própria, um público consolidado e uma exposição que pode se tornar um desafio para uma franquia acostumada a transformar seus protagonistas em fenômenos. Sean Connery não era uma estrela internacional quando assumiu o papel em 1962. Roger Moore era conhecido pela televisão, Timothy Dalton tinha prestígio como ator de teatro, Pierce Brosnan conquistara popularidade com Remington Steele, e Daniel Craig, embora respeitado, estava longe de ser o astro global que se tornaria. Em todos esses casos, James Bond foi maior do que o ator no momento da escalação. Com Elordi, essa relação talvez não seja tão simples.
É justamente nesse aspecto que Jack Lowden surge como uma alternativa interessante. Aos 36 anos, o escocês tem experiência, prestígio, talento e reconhecimento internacional, mas ainda não é uma estrela cuja imagem se sobreponha aos personagens. Ele é conhecido o suficiente para despertar interesse e desconhecido o bastante para permitir que o público o descubra novamente como James Bond. E essa combinação pode ser exatamente o que a Amazon procura.
A coincidência de calendário também trabalha a seu favor. A sexta temporada de Slow Horses acaba de chegar ao fim, colocando Lowden novamente em evidência como River Cartwright, o agente talentoso, impulsivo e frequentemente desastrado que tenta sobreviver ao universo cruel da espionagem britânica. Ao longo da série, Lowden demonstrou capacidade de equilibrar cenas de ação, humor, vulnerabilidade e uma ironia tipicamente britânica, qualidades indispensáveis para um bom James Bond. E talvez sua maior vantagem seja justamente o fato de já ter conquistado o público como um espião que está longe de ser perfeito.

É claro que River Cartwright não é James Bond. River se mete em confusões, comete erros e depende frequentemente de Jackson Lamb para escapar de situações perigosas. Bond, por outro lado, construiu sua reputação como o homem que sabe exatamente o que está fazendo, mesmo quando tudo parece perdido. Mas há algo interessante nessa comparação: Lowden já provou que consegue interpretar um agente secreto sem depender exclusivamente de charme, força física ou arrogância. Ele consegue dar humanidade a um personagem que poderia facilmente ser apenas mais um herói de ação.
Até Gary Oldman, seu parceiro em Slow Horses, entrou na torcida. O ator declarou publicamente que gostaria de ver Lowden como o próximo 007 e alimentou ainda mais os rumores ao comentar que a escolha já poderia estar feita. É uma recomendação de peso, especialmente vinda de um ator que conhece tão bem o universo da espionagem britânica, desde George Smiley em O Espião que Sabia Demais até Jackson Lamb.
Há ainda um componente simbólico na possível escolha de Lowden: ele seria mais um escocês a assumir o papel eternizado por Sean Connery. Não significa que sua nacionalidade deva determinar a decisão, mas certamente seria um detalhe irresistível para os fãs da franquia.
Entretanto, a escolha do próximo James Bond envolve muito mais do que encontrar um ator que fique bem de smoking, saiba segurar uma arma ou consiga pronunciar a famosa apresentação sem parecer uma caricatura. A Amazon MGM está preparando a primeira grande transformação da franquia desde que assumiu seu controle criativo. Denis Villeneuve será o diretor, Steven Knight assina o roteiro e os produtores Amy Pascal e David Heyman terão a missão de preservar uma das marcas mais importantes da história do cinema enquanto tentam renová-la para uma geração diferente.
E é justamente aí que a escolha se torna tão delicada. Daniel Craig não apenas interpretou James Bond: ele redefiniu o personagem. Seu 007 era mais violento, vulnerável, emocionalmente marcado e menos interessado em preservar a imagem impecável do espião invencível. Casino Royale transformou uma franquia que parecia presa às próprias fórmulas e abriu caminho para uma abordagem mais dramática, que culminou na despedida definitiva do personagem em Sem Tempo para Morrer.

Agora, Villeneuve terá que decidir que James Bond deseja apresentar. Um homem mais jovem, no início da carreira? Um espião sofisticado e distante? Uma figura atormentada, próxima da interpretação de Craig? Ou alguém capaz de recuperar a ironia e o humor que fizeram parte da identidade do personagem durante décadas? Dependendo da resposta, Elordi e Lowden podem representar caminhos completamente diferentes.
O curioso é que os fãs de James Bond raramente recebem bem uma mudança. Daniel Craig foi duramente criticado quando anunciado, em 2005. Havia quem reclamasse de seu cabelo loiro, de sua aparência e até de sua suposta falta de elegância. Hoje, sua interpretação está entre as mais importantes da história da franquia. Pierce Brosnan também precisou enfrentar comparações, Timothy Dalton foi considerado sério demais, e praticamente todos os atores que assumiram o papel tiveram que conquistar um público convencido de que ninguém poderia substituir seu Bond favorito.
Talvez seja esse o verdadeiro desafio da Amazon. Não basta escolher um ator capaz de interpretar James Bond. É preciso encontrar alguém que consiga sobreviver às expectativas de milhões de espectadores, às comparações inevitáveis e à pressão de representar uma franquia que atravessou mais de seis décadas sem perder sua relevância cultural.
Pessoalmente, vejo em Lowden uma vantagem importante: ele ainda tem espaço para se transformar em Bond. Elordi, por outro lado, já carrega uma imagem cinematográfica muito definida, embora tenha talento suficiente para surpreender. E não podemos descartar a possibilidade de que o terceiro candidato, mantido em segredo, seja justamente aquele que acabará surpreendendo a todos.
Se o anúncio realmente acontecer nos próximos dias, uma coisa me parece praticamente garantida: independentemente de quem for escolhido, a reação será imediata, apaixonada e provavelmente dividida. Antes mesmo de vermos uma única cena, milhões de pessoas já terão decidido se o novo James Bond é perfeito ou um desastre.
E talvez essa seja a tradição mais resistente de 007: ninguém parece suficientemente bom para interpretar James Bond até que finalmente consiga nos convencer do contrário.
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