VisionQuest Ep. 3: Ultron assume o controle e Visão descobre nova ameaça (Recap)

Atenção: spoilers dos episódios 3 e 4 de VisionQuest.

Depois de uma estreia interessante, mas excessivamente didática, VisionQuest começa finalmente a encontrar alguma velocidade. Não que tenha abandonado sua obsessão em explicar tudo, especialmente os sentimentos de um personagem que, teoricamente, não deveria compreendê-los tão facilmente. Mas os episódios 3 e 4, Reboot e Malware, conseguem equilibrar melhor a ação, o humor e a investigação existencial que move a série. E, como já estava claro desde o início, James Spader continua sendo sua maior força.

O terceiro episódio começa com uma nova ameaça. Um assassino conhecido como Butcherbird está eliminando empresários ligados à tecnologia e deixando marcas de asas junto aos corpos. A figura encapuzada, de olhos vermelhos e poderes semelhantes aos de Visão, parece indicar que o protagonista não é o único ser sintético com contas a acertar com a humanidade.

Enquanto isso, Visão e Thomas tentam escapar do Paladino depois do confronto anterior. O problema é que Visão está gravemente danificada. Seus sistemas começam a falhar, a energia diminui e, apesar de suas impressionantes capacidades, ele está diante de algo que não consegue controlar: a possibilidade da própria morte.

É curioso que uma série tão interessada em discutir o significado da vida artificial precise recorrer constantemente a situações extremas para produzir emoção. Visão quase morre, encontra uma solução, volta a falhar e precisa ser salva novamente. Em alguns momentos, o exagero chega perto da comédia involuntária. Em outros, funciona.

Especialmente quando Thomas é obrigado a assumir a responsabilidade de salvar aquele que, mesmo sem conseguir reconhecê-lo plenamente, é seu pai.

A relação entre os dois continua sendo a parte emocionalmente mais importante da história. Thomas carrega as lembranças de Tommy Maximoff, mas também a experiência traumática de ter morrido afogado. Seus poderes surgiram durante o acidente, provocando ferimentos em outras pessoas e tornando-o responsável, aos olhos dos demais, por algo que ele sequer compreendia.

Visão, por sua vez, não sabe conversar com o filho. É uma ironia bastante interessante: ele consegue calcular milhões de possibilidades, prever reações e simular conversas, mas é incapaz de simplesmente escutar o que Thomas tem a dizer. Na tentativa de evitar o sofrimento, elimina qualquer espontaneidade.

Há algo muito humano nessa contradição. Visão teme errar tanto que prefere ensaiar seus sentimentos em vez de vivê-los.

E talvez seja justamente esse o problema central de VisionQuest: a série entende perfeitamente seu tema, mas nem sempre confia que o público também consiga compreendê-lo sem receber explicações adicionais.

Quando Visão finalmente corre o risco de morrer de verdade, precisa abandonar as simulações e confiar em Thomas. O garoto consegue utilizar seus poderes para reiniciar seus sistemas. É uma sequência importante porque estabelece que Tommy Maximoff e Thomas Shepherd não precisam se anular. Ambos fazem parte da mesma existência.

Naturalmente, Ultron participa de tudo.

Dentro da mente de Visão, as inteligências artificiais continuam discutindo memória, morte, identidade e sentimentos. Há até um funeral para J.A.R.V.I.S., enquanto F.R.I.D.A.Y. e E.D.I.T.H. revelam que as personalidades dos programas de Tony Stark foram inspiradas em pessoas reais.

É uma informação importante. Se essas inteligências carregam características humanas anteriores à sua criação, até que ponto são apenas reproduções? E quanto de sua personalidade pertence realmente a elas?

Ultron parece particularmente interessado na discussão, embora continue usando o sarcasmo para esconder qualquer possibilidade de vulnerabilidade. O mais interessante, porém, é que ele ajuda Visão a sobreviver. Ao recuperar imagens de Wanda e dos meninos, procura despertar nele algo que a lógica não consegue oferecer: uma razão para continuar existindo. A questão, naturalmente, é saber se estamos diante de alguma transformação verdadeira ou de uma manipulação muito bem calculada. James Spader torna essa dúvida especialmente divertida.

Paralelamente, o Paladino descobre que a figura misteriosa procurada pela polícia possui poderes extraordinários. Ao confrontar Butcherbird, acaba derrotado e tem seu passado exposto. Descobrimos que seu pai era abusivo e foi morto por um Paladino anterior, que posteriormente criou o menino como sucessor.

Sua identidade, portanto, também foi construída a partir da história de outra pessoa. Assim como Visão, ele tenta descobrir o que significa ser alguém quando sua existência parece determinada por uma herança que não escolheu.

A aproximação temática é interessante, embora a série tenha certa dificuldade em decidir o que fazer com tantos personagens traumatizados.

O episódio termina com uma invasão da mente de Visão pela misteriosa assassina, que transforma seu universo interior em uma espécie de pesadelo. A ameaça deixa de ser apenas física. Ela consegue alcançar justamente o espaço onde ele acreditava estar protegido.


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