VisionQuest, episódio 5: Ultron negocia sua liberdade

Contém spoilers do episódio 5, “Firewall”, de VisionQuest.

A decisão de confiar em Ultron cobra seu preço em “Firewall”. Depois de entregar temporariamente o controle do corpo ao antigo inimigo para enfrentar Jocasta, Visão se torna prisioneiro dentro da própria mente. A inversão é especialmente cruel porque Ultron ocupa o lugar de quem determina as regras, enquanto o protagonista e as outras inteligências artificiais experimentam o confinamento antes reservado a ele.

O episódio acompanha essa disputa por meio de conversas, registros e reconstruções digitais. Visão precisa descobrir o que acontece do lado de fora para compreender o tamanho da armadilha. Ultron, por sua vez, conduz negociações diferentes com Thomas, o Paladino e Jocasta. Cada interlocutor recebe apenas a parte da verdade que lhe convém revelar.

Thomas confronta Ultron

A conversa com Thomas expõe o limite da imagem de avô excêntrico que Ultron vinha cultivando. O jovem sabe o que aconteceu em Sokovia e não aceita tratar a tentativa de extermínio como uma particularidade de personalidade. Para ele, as vítimas têm uma dimensão concreta, inclusive pela convivência com crianças sokovianas no orfanato onde cresceu.

Mas sua preocupação mais íntima é outra: Visão realmente o ama? Ultron responde recorrendo à diferença entre a experiência humana e o processamento de uma máquina. Sua intenção é fazer Thomas duvidar de que exista um sentimento por trás da proteção oferecida pelo pai. O rapaz resiste à interpretação. Aos seus olhos, a solidão de Ultron revela mais sobre o vilão do que sobre as possibilidades de Visão.

Essa é uma disputa importante porque Thomas ainda procura uma explicação para o vínculo que sente com aquele homem. Ultron encontra justamente nessa insegurança uma oportunidade de interferir. Convencer o rapaz de que não é amado seria uma forma de romper a relação antes que ela se consolide.

A investigação dentro da mente de Visão

Enquanto isso, as inteligências artificiais tentam acompanhar os movimentos de Ultron pelos televisores e arquivos disponíveis no sótão. O acesso é incompleto, o que transforma a investigação em um exercício de reconstrução: elas precisam interpretar vestígios em vez de simplesmente observar o presente.

Os registros revelam a comunicação entre Ultron e o Paladino. A captura de Thomas faz parte da estratégia que dará ao vilão poder de negociação sobre Visão. Também surge uma conversa escondida com Jocasta, cujo interesse pelas identificações biométricas dos antigos colegas começa a ficar mais claro. Antes da morte de Katerina Wells, Ultron copiou seu rosto e guardou uma informação de que Jocasta precisa.

A descoberta muda o significado da traição. Ultron não apenas aproveitou uma oportunidade durante o confronto anterior: ele está construindo as condições para sair da prisão e estabelecer uma aliança própria. O corpo de Visão lhe oferece mobilidade, mas ainda não representa a autonomia que deseja.

O interesse por Jocasta

A aproximação entre Ultron e Jocasta mistura reconhecimento e cálculo. Ela possui um projeto para a humanidade; ele possui uma das chaves necessárias para executá-lo. A atração nasce dentro dessa negociação, o que impede separar com segurança o desejo de intimidade da vontade de obter vantagem.

Os encontros virtuais também permitem que ambos apresentem suas interpretações dos humanos. Entre referências à arte e ao comportamento, aparece uma afinidade fundada na insatisfação com a espécie que os produziu. Ainda assim, Jocasta conserva informações sobre o objetivo final de sua pesquisa. Ultron quer conhecê-la, mas também quer saber o que exatamente ela pretende abrir com as chaves reunidas.

O episódio mantém essa ambiguidade. Encontrar alguém capaz de compreendê-lo pode representar uma mudança para Ultron, mas a possibilidade de estabelecer um vínculo não apaga seus métodos. Sua aproximação com Jocasta acontece ao mesmo tempo que ele usa Thomas como instrumento de chantagem.

O ultimato e o final de “Firewall”

Ultron apresenta a Visão uma escolha que torna a discussão sobre sentimentos muito concreta. Para recuperar o comando do corpo e ir atrás de Thomas, o herói precisa desativar as barreiras que impedem a fuga do inimigo para o mundo digital. Manter Ultron preso significa continuar incapacitado enquanto o jovem permanece com o Paladino.

F.R.I.D.A.Y. se opõe ao risco, mas Visão decide derrubar o firewall. Antes de deixá-lo partir, avisa que irá atrás dele e de Jocasta. A liberdade concedida não equivale a confiança ou perdão. F.R.I.D.A.Y. também deixa a casa mental, abrindo uma frente de investigação fora do controle do protagonista.

Ao despertar, Visão está em um transporte de animais a caminho de Madripoor, acompanhado por Lisa. O destino do resgate está definido, mas a situação é mais grave do que antes: ele recuperou a autonomia ao custo de libertar Ultron.

É justamente aí que a tentativa de Ultron de desqualificar o amor de Visão encontra sua contradição. O protagonista aceita uma consequência terrível porque não consegue abandonar Thomas. A escolha é discutível, sobretudo pelo perigo que impõe aos demais, mas nasce de uma responsabilidade que ele já reconhece como sua. Visão ainda não sabe explicar inteiramente o que sente. Já está, porém, tomando decisões como pai.


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