Bruxas sempre estiveram entre as personagens mais fascinantes da ficção. Muito antes dos super-heróis, das grandes franquias de fantasia e dos universos cinematográficos compartilhados, elas já dominavam histórias em que magia, desejo, vingança e poder caminhavam lado a lado. Algumas nasceram vilãs, outras se tornaram heroínas. Há também aquelas que nunca se preocuparam em escolher um lado. E, convenhamos, frequentemente são as mais interessantes.
O cinema e a televisão ajudaram a transformar a imagem da bruxa. Da velha assustadora dos contos de fadas à mulher independente que controla forças extraordinárias, a feiticeira deixou de ser apenas uma ameaça para representar também conhecimento, autonomia e resistência. Mas não significa que todas tenham se tornado exemplos de virtude. Felizmente, algumas continuam deliciosamente perversas.
Para este Halloween, resolvi reunir 20 das bruxas mais poderosas do cinema, das séries e da animação. Não é uma competição matemática sobre quem venceria um duelo. Afinal, comparar os poderes de Wanda Maximoff com os de Malévola ou de uma bruxa do universo de Harry Potter seria quase impossível. A seleção considera a dimensão de seus poderes, a influência que exercem em seus respectivos universos e, principalmente, a importância que conquistaram na cultura pop.

1. Wanda Maximoff — A Feiticeira Escarlate
Marvel: WandaVision e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura
Elizabeth Olsen transformou Wanda Maximoff em uma das personagens mais complexas do Universo Cinematográfico Marvel. A Feiticeira Escarlate não apenas manipula energia e matéria, mas pode alterar a própria realidade. Em WandaVision, seu luto aprisiona uma cidade inteira dentro de uma fantasia doméstica. É um poder extraordinário, mas também terrivelmente destrutivo.
Wanda ocupa o primeiro lugar porque sua magia ultrapassa os limites tradicionais da feitiçaria. Ela pode reescrever o mundo ao seu redor. E talvez sua maior tragédia seja justamente não conseguir controlar aquilo que sente, apesar de conseguir transformar quase tudo o que existe.
2. Malévola — O poder de uma mulher rejeitada
A Bela Adormecida e Malévola
Poucas personagens são tão imediatamente reconhecíveis. A Malévola de 1959 estabeleceu um dos modelos definitivos da feiticeira poderosa: elegante, ameaçadora, ressentida e capaz de lançar uma maldição que nem as fadas conseguem eliminar completamente.
Sua transformação em dragão continua sendo uma das demonstrações de poder mais impressionantes da animação clássica. Décadas depois, Angelina Jolie trouxe novas dimensões à personagem, transformando uma vilã absoluta numa figura marcada pela traição e pela perda. O poder permaneceu; o significado da maldade mudou.

3. Jadis — A Feiticeira Branca
As Crônicas de Nárnia
Interpretada por Tilda Swinton, Jadis é uma das grandes feiticeiras da fantasia literária e cinematográfica. Sua capacidade de mergulhar Nárnia num inverno aparentemente interminável demonstra um domínio mágico que vai muito além dos feitiços individuais.
Ela governa pelo medo, pela sedução e pela promessa de poder. Fria, calculista e autoritária, representa uma magia que não busca equilíbrio, mas submissão. Há algo profundamente assustador numa mulher capaz de transformar um mundo inteiro em território congelado.
4. Willow Rosenberg — A bruxa que quase destruiu o mundo
Buffy, a Caça-Vampiros
Willow começou como a amiga tímida, inteligente e insegura de Buffy Summers. Aos poucos, porém, seu talento para a magia cresceu até transformá-la numa das criaturas mais poderosas daquele universo.
A evolução da personagem, interpretada por Alyson Hannigan, é uma das melhores construções de poder feminino na televisão fantástica. Quando o luto e a fúria assumem o controle, Dark Willow se torna uma ameaça global. Seu arco demonstra algo essencial: possuir poderes extraordinários não significa ter maturidade emocional para administrá-los.
5. Yubaba — A feiticeira dos contratos
A Viagem de Chihiro
Hayao Miyazaki criou uma das bruxas mais extraordinárias da animação. Yubaba administra uma casa de banhos para espíritos, controla trabalhadores por meio de contratos mágicos e pode retirar nomes, alterando a identidade daqueles que ficam sob seu domínio.
Seu poder não depende apenas de feitiços espetaculares. Está na capacidade de controlar regras, relações e destinos. Yubaba é assustadora porque compreende perfeitamente a força das estruturas que administra. E porque, mesmo num universo de criaturas fantásticas, exerce uma autoridade muito reconhecível.
6. Sabrina Spellman — A bruxa entre dois mundos
Sabrina, Aprendiz de Feiticeira e O Mundo Sombrio de Sabrina
Poucas feiticeiras tiveram tantas vidas na cultura pop. Da Sabrina adolescente, divertida e atrapalhada de Melissa Joan Hart à versão sombria interpretada por Kiernan Shipka, a personagem atravessou gerações e diferentes maneiras de representar a bruxaria.
Na releitura da Netflix, Sabrina enfrenta demônios, entidades sobrenaturais, disputas de poder e escolhas com consequências que ultrapassam a própria existência. Seu maior diferencial, porém, continua sendo o conflito entre dois mundos: o humano e o mágico. Ela quer pertencer a ambos sem abrir mão de sua identidade.

7. Agatha Harkness — A sobrevivente
WandaVision e Agatha Desde Sempre
Kathryn Hahn conseguiu algo raro: transformar uma antagonista numa protagonista ainda mais interessante. Agatha Harkness é poderosa, manipuladora, sarcástica e profundamente consciente de suas habilidades.
Sua magia envolve absorção de poderes, conhecimento de feitiços antigos e uma capacidade extraordinária de sobreviver às próprias escolhas. Mas Agatha se destaca sobretudo pela inteligência. Ela compreende o desejo e a vulnerabilidade dos outros e sabe utilizá-los. Sua força não está apenas na magia, mas na experiência de quem atravessou séculos aprendendo a jogar.
8. Cordelia Goode — A Suprema
American Horror Story: Coven e Apocalypse
Interpretada por Sarah Paulson, Cordelia começa como uma mulher insegura e frequentemente diminuída pela própria mãe, Fiona Goode. Sua transformação numa Suprema revela uma das trajetórias mais interessantes de American Horror Story.
Cordelia manifesta os poderes excepcionais associados à liderança de seu coven, mas sua grandeza vai além das habilidades sobrenaturais. Ao contrário de Fiona, aprende que exercer poder não precisa significar destruir aqueles que estão ao seu redor. É uma bruxa cuja verdadeira força também está na capacidade de proteger.

9. Melisandre — A Mulher Vermelha
Game of Thrones
Melisandre, interpretada por Carice van Houten, é uma sacerdotisa cuja magia está profundamente vinculada à religião, à fé e à interpretação das profecias. Ela pode gerar uma sombra assassina, manipular aparências e realizar rituais capazes de desafiar a morte.
É também uma das personagens mais perigosas justamente por acreditar que suas ações obedecem a uma vontade superior. Seu poder mágico é extraordinário, mas sua convicção pode ser ainda mais assustadora. Melisandre demonstra como a certeza absoluta pode transformar a fé em instrumento de violência.
10. Yennefer de Vengerberg — O preço do poder
The Witcher
Yennefer é uma das feiticeiras mais formidáveis do Continente. Domina diferentes formas de magia, participa de conflitos políticos e demonstra uma capacidade devastadora de manipular energia.
Mas sua história também é marcada pelo preço que paga para conquistar beleza, influência e reconhecimento. A versão interpretada por Anya Chalotra coloca em primeiro plano questões de identidade, autonomia e maternidade. Yennefer quer poder, mas não deseja que ele determine inteiramente quem ela deve ser.
11. Samantha Stephens — A bruxa que poderia fazer tudo
A Feiticeira
Elizabeth Montgomery criou uma das bruxas mais queridas da televisão. Samantha podia transformar objetos, alterar situações e resolver praticamente qualquer problema com um simples movimento do nariz.
E o que fazia com todo esse poder? Tentava viver como uma dona de casa americana convencional, frequentemente atendendo ao desejo do marido de que não utilizasse magia. Vista hoje, A Feiticeira oferece uma leitura deliciosa sobre os papéis femininos dos anos 1960. Samantha talvez fosse poderosa demais para aquele modelo de casamento. E esse sempre foi o verdadeiro conflito da série.

12. Úrsula — A feiticeira dos desejos
A Pequena Sereia
Úrsula é uma das grandes vilãs da Disney. Não precisa controlar um reino inteiro para exercer sua influência: basta compreender o que os outros desejam e oferecer um contrato aparentemente irresistível.
Sua magia permite transformações, aprisionamento e manipulação. E, quando conquista o tridente de Tritão, alcança um poder ainda mais ameaçador. Mas é a inteligência emocional perversa que torna Úrsula tão memorável. Ela sabe exatamente o que Ariel quer e quanto está disposta a sacrificar para conseguir.
13. Winifred Sanderson — A líder das irmãs
Abracadabra
Bette Midler transformou Winifred numa das bruxas mais divertidas do cinema. Autoritária, vaidosa e extremamente temperamental, ela lidera as irmãs Sanderson com uma mistura de crueldade e humor.
Winifred domina feitiços, utiliza um livro mágico extraordinário e consegue atravessar séculos graças à própria feitiçaria. Seu objetivo principal é recuperar a juventude, mesmo que isso signifique sacrificar crianças. Nada muito simpático, evidentemente. Mas poucas vilãs conseguem ser tão assustadoras e tão engraçadas ao mesmo tempo.
14. Hermione Granger — A inteligência como magia
Harry Potter
Hermione não nasceu numa família de bruxos tradicional, mas tornou-se uma das estudantes mais brilhantes de Hogwarts. Sua capacidade de dominar feitiços complexos, compreender teorias mágicas e improvisar soluções em situações extremas supera frequentemente a de personagens mais experientes.
Interpretada por Emma Watson, Hermione demonstra que conhecimento também é poder. Sua magia não depende de profecias ou linhagens extraordinárias. Depende de estudo, disciplina, curiosidade e coragem. E isso a torna uma das feiticeiras mais importantes de sua geração.
15. A Bruxa Má do Oeste — O arquétipo original
O Mágico de Oz
A personagem interpretada por Margaret Hamilton em 1939 ajudou a definir a imagem cinematográfica da bruxa: pele verde, chapéu pontudo, vassoura voadora e uma gargalhada inesquecível.
Seu poder envolve feitiços, vigilância, criaturas a seu serviço e a capacidade de aterrorizar Oz. Mas sua importância vai além das habilidades sobrenaturais. Ela se tornou um arquétipo visual e cultural.
Com Wicked, sua história ganhou novas interpretações, especialmente por meio de Elphaba. Aquela que aprendemos a temer passou a ser vista também como uma mulher incompreendida, perseguida e transformada em inimiga pública. Uma das reviravoltas mais interessantes da cultura pop.

16. Morgana — A feiticeira das lendas arturianas
As diferentes adaptações de Camelot
Antes de muitas das grandes feiticeiras da fantasia contemporânea, havia Morgana le Fay. Presente nas lendas arturianas e reinterpretada inúmeras vezes no cinema e na televisão, ela é uma figura associada ao conhecimento mágico, à ambição e às disputas de poder em Camelot.
Seus poderes variam conforme a adaptação, mas incluem encantamentos, ilusões e manipulação de forças sobrenaturais. Morgana merece um lugar nesta seleção não apenas pelo que consegue fazer, mas pela influência de sua imagem sobre praticamente todas as grandes feiticeiras que vieram depois.
17. Eda Clawthorne — A bruxa rebelde
A Casa Coruja
Eda é uma das personagens mais interessantes da animação recente. Conhecida como a Dama Coruja, domina diferentes modalidades de magia e desafia abertamente as instituições que procuram controlar seu mundo.
Ao mesmo tempo, convive com uma maldição que limita suas habilidades e afeta sua existência. Essa combinação de força e vulnerabilidade torna a personagem particularmente rica. Eda não é uma feiticeira exemplar: é independente, irônica, desobediente e frequentemente caótica. Justamente por isso é tão fascinante.
18. Fiona Goode — O poder como obsessão
American Horror Story: Coven
Jessica Lange transformou Fiona Goode numa das grandes personagens femininas do terror televisivo. Suprema do coven de Nova Orleans, Fiona possui habilidades mágicas excepcionais, mas sua verdadeira obsessão é impedir que o próprio poder desapareça.
A possibilidade de envelhecer, morrer e ser substituída é intolerável para ela. Fiona é quase uma herdeira contemporânea da Rainha Má de Branca de Neve. Sua vaidade e seu medo da perda se misturam à crueldade, ao humor e a uma presença irresistível. Uma personagem que domina qualquer cena.
19. Regina Mills — A Rainha Má que ganhou outra história
Once Upon a Time
Interpretada por Lana Parrilla, Regina Mills começa como uma versão da Rainha Má dos contos de fadas, mas ganha uma trajetória muito mais complexa ao longo da série.
É capaz de lançar maldições poderosas, manipular memórias e alterar o destino de comunidades inteiras. Entretanto, sua transformação é o aspecto mais interessante da personagem. Regina demonstra que o poder não precisa estar eternamente associado à vingança. Sua jornada de redenção não elimina o passado, mas permite que ela escolha outro futuro.
20. A Grande Bruxa — O terror sob uma aparência elegante
Convenção das Bruxas
Anjelica Huston criou, em 1990, uma das figuras mais assustadoras do cinema infantil. A Grande Bruxa lidera uma organização dedicada à destruição das crianças e esconde sua aparência monstruosa sob uma imagem sofisticada.
Seus poderes incluem transformações, poções e uma magia cruel, especialmente aterrorizante para o público infantil. A versão de Anne Hathaway, lançada em 2020, revisitou a personagem, mas a interpretação de Huston continua sendo uma referência absoluta do horror familiar. É impossível esquecer aquela transformação.

E as irmãs Owens?
É impossível falar das grandes bruxas do cinema sem lembrar Sally e Gillian Owens, de Practical Magic. Sandra Bullock e Nicole Kidman interpretam duas irmãs cuja herança mágica está profundamente ligada às relações familiares, ao amor e à ameaça de perder aqueles que amam.
Mas a força das Owens não está propriamente na dimensão sobrenatural de seus poderes. Está na união, na cumplicidade e na capacidade de romper um ciclo de sofrimento. Por isso, elas merecem uma abordagem própria, diferente de um ranking sobre força mágica.
O mesmo pode ser dito das irmãs Halliwell, de Charmed, cuja magia é multiplicada pela união familiar. Há personagens que se tornam extraordinárias precisamente porque não precisam enfrentar o mundo sozinhas.
Afinal, quem é a bruxa mais poderosa?
A resposta depende do que entendemos por poder. Wanda Maximoff pode alterar a realidade. Malévola é capaz de amaldiçoar gerações. Jadis controla um reino congelado. Willow quase destrói o mundo. E Samantha Stephens poderia resolver praticamente qualquer problema com um simples movimento do nariz. Mas talvez o aspecto mais fascinante dessas personagens seja justamente a maneira como representam diferentes relações com o poder.
Algumas o desejam porque têm medo de perdê-lo. Outras porque nunca tiveram oportunidade de exercê-lo. Existem aquelas que o utilizam para proteger, para destruir ou simplesmente para sobreviver. E há as que descobrem, tarde demais, que controlar a magia é muito mais simples do que controlar os próprios sentimentos.
Durante séculos, as histórias ensinaram que mulheres poderosas deveriam ser temidas. O cinema e a televisão transformaram essa ameaça em espetáculo, fantasia e, cada vez mais, identificação. Hoje, as bruxas não precisam ser necessariamente boas para conquistar nossa admiração. Podem ser ambiciosas, contraditórias, egoístas, generosas, engraçadas ou terríveis.
E talvez essa seja a maior magia de todas: finalmente terem o direito de ser personagens tão complexas quanto qualquer herói.
Feliz Halloween!
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