O ataque de fúria de Ghislaine Mawxwell

Virginia Giuffre está determinada a fazer com que Ghislaine Maxwell responda pelos crimes com os quais esteve envolvida diretamente quando se relacionava com Jeffrey Epstein. A sobrevivente nunca parou de lutar e conseguiu tirar a empresária do sério durante um depoimento, em 2016. Os documentos, tornados públicos essa semana, revelam que Ghislaine Maxwell teria tido um ataque de fúria durante o interrogatório, em 2016. Bateu na mesa e até derrubou um computador no chão ao reagir ao questionamento se teve relações sexuais com Virginia quando ela ainda era menor de idade. Ela nega.

Segundo os autos, Sigrid McCawley, advogada de Virginia, perguntou a Ghislaine se a empresária achava que era mentira que Epstein teria tido relações com Virginia quando ela menor de idade. Pensando em driblar a Justiça, Ghislaine teria respondido que só poderia falar de mentiras sobre ela mesma, não de outros. “Nós podemos concordar que todos vocês sentados aqui mentem na imprensa que ela tinha 15 anos e todos podemos concordar agora que isso é fake”, reclamou Ghislaine. “Uma mentira divulgada entre todos vocês para fazer a história mais atraente, podemos todos concordar com isso?’, insistiu.

A gravação é interrompida e quando retorna, Sigrid grava para registro que Ghislaine socou a mesa. “A senhorita Maxwell muito inapropriadamente e duramente socou a mesa de forma inapropriada”, ela gravou. “Eu peço que respire fundo e se acalme. Eu sei que é uma posição difícil, mas abuso físico ou ameaças não são apropriados”, a advogada registrou. Todos concordaram em uma pausa, mas Ghislaine insistiu que não fez ameaças.

O depoimento de Ghislaine tem mais de 400 páginas no processo de calúnia que Virginia moveu contra ela. Um mês depois, a advogada deu mais detalhes ao fazer um registro jurídico para forçar a Ghislaine a colaborar com as investigações de abusos de menores. “O depoimento da ré é quase inteiramente de “não me lembro”ou “me recuso a responder a essa pergunta” e também incluiu um ataque físico que derrubou os gravadores e computadores da mesa”, descreveu Sigrid.

Ghislaine não protege apenas a Jeffrey Epstein, que se matou na prisão, em 2019. Ela também poupa seu amigo pessoal, príncipe Andrew.

A história do “boneco” que o príncipe usava para apalpar as menores, relatado por Virginia, veio à tona no mesmo depoimento de sete horas feito por Ghislaine há quatro anos.

“Você viu algum boneco na casa de Jeffrey Epstein na presença de [nome excluído dos autos]?”, pergunta a advogada.

“De novo, boneco, sabe, tem muitos tipos de bonecos”, respondeu a empresearia.

“Qualquer boneco”, insistiu a advogada. “Você viu qualquer boneco que se assemelhe ao que foi descrito”?, perguntou.

Depois de tentar se isentar, Ghislaine admitiu que havia sim alguma coisa. “Não sei como descrever, não era um boneco. Uma caricatura de [nome vetado] na casa do Jeffrey”, disse ela.

Muitos dos nomes do depoimento foram vetados de serem divulgados, mas ficou claro que se tratava do tal boneco do príncipe Andrew, que Virginia disse que ele usou para abusar dela, em 2001. Virginia cita Ghislaine como testemunha. Outra sobrevivente, Johanna Sjoberg, diz que o príncipe fez a mesma coisa com ela. Ghislaine diz não lembrar de ter visto nada.

O julgamento de Ghislaine está marcado para julho de 2021.

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