245 anos de Jane Austen

Jane Austen foi uma escritora brilhante. Sou fã de carteirinha e escrevi sobre ela algumas vezes no site de CLAUDIA, antecipando a comemoração de seus 245 anos. Jane, para mim, é necessária.

Embora fosse ótima para contar histórias, Jane não era aberta a falar de si mesma e muitos fatos de sua vida pessoal foram perdidos. Há dois filmes lindos sobre sua vida, Jane Austen Regrets, da BBC, com Olivia Williams, mas que é difícil de achar, e Finding Jane, de 2007, com Anne Hathaway. Um completa o outro e são ambos emocionantes.

Jane nasceu em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, Hampshire, Inglaterra. O pai era pároco da pequena cidade e, para sustentar a família de oito filhos, suplementava os ganhos familiares dando aulas particulares a alunos que residiam em sua casa.

Jane tinha apenas uma irmã, Cassandra, de quem era extremamente próxima. As duas receberam educação e liam muito porque o pai tinha uma excelente biblioteca em sua casa. Desde cedo mostrou que gostava de romances, sem ter vergonha sobre isso. Escrevia contos e peças para a família, fazendo paródias e revelando seu estilo mordaz que a fez imortal.

Jane era uma excelente observadora e conseguiu imortalizar um período em que as mulheres não tinham voz. Era irônica e uma excelente roteirista. Suas histórias, embora de aparência simples e românticas, têm uma profundidade singular e captam a alma e a psicologia das pessoas. Em seus livros, Jane nunca é cruel com a pior das personagens, mas jamais deixa passar um detalhe que não revele as limitações mesquinhas e vaidades que podem infligir dor.

Não era comum ter mulheres escritoras, mas Jane lutou – e conseguiu – publicar suas obras ainda em vida. A primeira foi Razão e Sensibilidade, que nos anos 1990s virou filme e rendeu um Oscar para Emma Thompson como roteirista.

Jane não pôde assinar a primeira edição, que saiu como escrito “por uma mulher”. Com 750 cópias feitas em julho de 1813, foi sucesso e logo foi preciso uma segunda edição, em outubro do mesmo ano. As vendas encorajaram a publicar o que é considerado a sua melhor obra, ou melhor, sua obra mais popular e uma das mais lidas em todos os tempos, Orgulho e Preconceito. Aliás, se fosse pela escolha do pai de Jane, Eliza teria vindo antes de Eleanor, mas o editor recusou.

Orgulho e Preconceito foi escrito por Jane antes de completar 21 anos de vida. Originalmente batizado como First Impressions, Primeiras Impressões, ganhou o nome final com a revisão da autora. O livro tem mais de dois milhões de cópias ao redor do mundo.

Jane Austen sabia escrever sobre amor como poucos, mas nunca se casou. Não se sabe de nenhum pretendente oficial. Há a história do amor com Thomas Lefroy, que inspirou o filme Finding Jane. No filme, James McCavoy interpreta o jovem que teria inspirado Mr. Darcy. As dificuldades econômicas impediram a união dos dois, segundo uma carta dela (uma das raras a sobreviver) para Cassandra.

Há também a história de um pretendente que se enamorou da escritora quando ela vivia em Bath e que teria inspirado Persuasão (meu favorito). Infelizmente, ele morreu e apesar de não constar de nenhuma de suas cartas, os estudiosos sobre ela descobriram a história. Há o noivado com Harris Bigg-Wither (que é a base de Jane Austen Regrets), mas não durou mais do que 24h antes dela romper com o compromisso. Como curiosidade, o sensível Jane Austen Regrets traz Hugh Boneville, de Downton Abbey, como um ex-amor de Jane e Imogen Poots e Tom Hiddleston no início da carreira.

Sem um casamento, que era a única forma de uma mulher “decente” ter condições financeiras decentes, Jane e Cassandra passaram dificuldades e foram ajudadas pelos irmãos para sobreviver.

As obras de Jane Austen ganharam popularidade com ela ainda viva. Até o príncipe regente George IV era fã dela. Por isso ela fez uma dedicatória a ele quando publicou Emma.

Em 1816, começou a se sentir mal enquanto escrevia Persuasão. Ainda começou a escrever outro livro, Sanditon, mas a saúde a impediu de continuar. Mesmo recebendo tratamento, faleceu subitamente em agosto de 1817. Acredita-se que tenha morrido pela Doença de Addison,  também conhecida como insuficiência adrenal primária e insuficiência adrenocortical primária crônica. Dizem que suas últimas palavras foram “Não quero nada mais que a morte“. Jane Austen tinha apenas 41 anos. Deixou seis livros publicados. Dois mais seriam póstumos. E um legado de heroínas românticas e idealistas.

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