Depois de Woody Allen e Johnny Depp, será que vamos ter que cancelar Brad Pitt?

Um site hoje garantiu ter tido acesso à papelada do processo de custódia dos filhos de Angelina Jolie e Brad Pitt e a coisa ficou muito ruim para o ator. Segundo o The Blast, há testemunhos – inclusive dos filhos – de violência doméstica. E agora? Cancelamos Brad Pitt ou seguimos acusando Angelina de louca? Como lidar com mais essa?

Angelina e Brad na última vez em que estiveram no tapete vermelho juntos, em 2015. Na semana seguinte começaram o processo de divórcio

Assim como o mundo pré-novela-Família Real, acompanhei a década do triângulo amoroso de Angelina, Brad e Jenniffer Aniston. Diferentemente de muita gente, eu não entendo e não compartilho do sonho que Jenniffer o perdoe. Na verdade, acho que não precisava falar mal, mas a amizade e carinho que ela dedica a ela na fase pós-Angelina é negativa e desafinada para ela. É a aceitação da má escolha dele que abertamente a traiu, constituiu família com outra imediatamente e dava entrevistas comentando como era infeliz no casamento anterior. Deselegante, inconsequente e insensível. Mas ei! Ele deixou a “bruxa” que o seduziu e agora não apenas está tudo bem como temos que celebrá-lo e dar um Oscar? Como assim? O que estamos aprendendo com o #metoo? Brad Pitt foi acusado de abuso físico e admitiu problemas com bebidas e drogas. Angelina, longe de ser santa, mantém que acabou o casamento pela segurança dos filhos. Por que quando vem dela não podemos levar mais à sério? Fizemos isso com Johnny Depp sem mesmo ter simpatia por Amber Heard.

Amber Heard... esse processo dela contra o ex-marido foi um circo de horrores. Se eu fosse o juiz mandava internar todos. Ela batia nele, ele batia nela. Porém ela estava não apenas com as testemunhas do lado dela, mas com um argumento direto: ele bateu em mim mais de uma vez. Johnny Depp nega veementemente, mesmo com vídeos e fotos comprovando. Eu nunca fui fã dele, não sou de Brad Pitt e acho os dois medianos (mas, um dia, lindos). Só cansei de ter que duvidar das mulheres. Engraçado como os homens ainda se apóiam nas falhas das parceiras para “justificar” seus erros. Uma coisa não tem a ver com a outra. Se a Angelina “roubou” o marido da outra, se ela era chata, exigente ou chorona, foi escolha dele estar com ela, casar com ela e ter filhos com ela. Acho que antecipo mais uma fritada de uma mulher porque ousou falar de um cara popular.

Digo isso ainda inflamada com o documentário da HBO, Farrow vs Allen, sobre a briga de três décadas entre Mia Farrow e Woody Allen. Sim outra novela pré-Meghan Markle que acompanhei de perto. Eu amo drama! Escrevi em CLAUDIA sobre Woody Allen mais de uma vez, e como a agressividade que usou em sua biografia para destruir sua sogra (!?) e ex-amante. Em 30 anos, Mia Farrow foi taxada como vingativa, histérica, rancorosa e manipuladora, apenas algumas das palavras usadas pelo diretor para se defender da acusação de assédio sexual da filha dos dois, Dylan. Na época, além da filha de 7 anos acusá-lo de ter abusado dela, Mia descobriu que a outra filha, Soon Yi, estava tendo um caso com ele. Como essa mulher consegue acordar todos os dias eu não sei. A dor dessa humilhação muito pública veio com um agravante de praticamente acabar com a sua carreira enquanto a dele, que saiu na frente para escrever a narrativa, seguiu inabalada. Hollywood apoiou Woody Allen por uns 25 anos até ser colocada contra a parede. Também tem apoiado Johnny Depp. Como vai se posicionar agora com Brad Pitt?

Woody tem a decisão da Justiça americana do seu lado pois nem foi a julgamento. Ele usa como uma prova de inocência, mas há uma sutileza jurídica em que o processo parou por não ter provas suficientes, não por ser infundado. A a insuficiência das provas, como o promotor confirmou hoje na People, foi porque ele não queria traumatizar ainda mais Dylan, que teria que depor. Eu li o depoimento dela, em 2014, já adulta, mantendo a sua versão dos fatos. É um texto muito forte que é combatido ainda com argumentos de que ela teria sido manipulada por Mia de tal forma que hoje não distinguiria mais a verdade da mentira. Estamos falando de uma pessoa que foi abusada sexualmente. Acho que ela deve lembrar sim do que aconteceu. Mas ainda insistimos em culpar as mulheres.

A dificuldade nesses casos está na falta da empatia das três. Angelina e Mia vem de lares disfuncionais, de infâncias marcadas por brigas e dores. Certamente não são pessoas “comuns”, mas traumas não deveriam calar suas histórias. Amber Heard realmente ganhou notoriedade com o casamento e ainda mais com a separação, mas não precisou mentir quando acusou os abusos físicos. O ponto é que um erro não justifica o outro, assim como elas não “toda a história”. Eu sofreria muito de ver artistas de que gosto admitindo falhas graves, mas sofro mais em vê-los usar a tática que não podemos mais aceitar, colocar a culpa integralmente nos ombros das mulheres.

Se Brad Pitt é feito de teflon e vai se livrar, não sei. A briga está muito feia. Mas eu espero, com todo coração, que Jenniffer Aniston se dê mais o respeito e ache um cara bem mais legal. Ele não merece o carinho que ela tem dado a ele, não pela Angelina, mas por ela mesma.

E já que estamos falando de mulheres “culpadas”, há também a corrente condenando Meghan Markle em mais um capítulo contra a Família Real. Também me perco nessa briga, mas se quisermos questionar o quanto ela ainda quer “vingança” não podemos ignorar que ela (salvo não ter feito pesquisa no google) não está mentindo. É importante manter isso em mente. Se ela vai calar, não parece o caso, mas por mais “conduzido” que o príncipe Harry seja acusado de ser, lembre também que ele é um homem de quase 40 anos. A culpa não é das mulheres. Parem de apontar dedos.

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