JB em dobro: John Barry e James Bond

No dia 30 de janeiro de 2021 completaram 10 anos desde a morte de John Barry, autor de 11 e mais marcantes trilhas sonoras de James Bond. Seu “herdeiro”, David Arnold, conseguiu grande sucesso, porém as melodias compostas por Barry são inigualáveis.

John Barry é um dos maiores compositores de trilhas sonoras de todos os tempos. Compôs mais de 125 temas para o cinema, alguns deles clássicos, como Born Free, Em Algum Lugar do Passado, Entre Dois Amores, Dança com os Lobos, para citar apenas algumas. Mesmo com 5 Oscars, ele é sempre mais lembrado por ser o autor do tema de James Bond.

Filho de uma pianista clássica e um dono de salas de cinema, John Barry estava destinado a ligar a música aos filmes. Ele tocava trompete e quando jovem, como muitos de sua geração, se encantou com o jazz. Trabalhou como arranjador até criar sua própria banda, em 1957 a The John Barry Seven. Sua primeira trilha sonora, sozinho, foi a do filme Beat Girl, em 1960, e não parou mais até sua morte.

Quando entrou para para o universo de 007, John Barry ainda não era mundialmente famoso. O tema de James Bond, é fruto de uma polêmica que envolve Monty Norman, autor da música. De 1962 até 1987, foi o compositor britânico que criou todos os temas principais e produziu as canções do espião inglês.

John Barry era como um Puccini das trilhas sonoras: melodioso, popular, frequentemente usando a orquestra completa em arranjos crescentes e grandiosos. É fácil identificar uma música sua.

Mas mesmo à frente de clássicos, foi com James Bond que John Barry fez a melhor dobradinha. Foi ele que escolheu uma jovem e desconhecida Shirley Bassey para gravar Goldfinger, por exemplo. A trilha, aliás, solidificou o estilo bond com sopros e tons jazzísticos. Porém jamais foi reconhecido com um Oscar por esse trabalho.

A proposta que veio com ele foi a de sempre ter um artista pop em evidência cantando o tema de abertura. No início, na maior parte, artistas britânicos, mas Nancy Sinatra quebrou a tradição com You Only Live Twice.

Nos anos 1980s, a colaboração com Duran Duran para A View To A Kill dominou as paradas de sucesso, mas a experiência com a banda A-ha, para The Living Daylights foi abertamente conflituosa, com brigas bastante públicas. Aliás, aproveitando que o interesse amoroso de James nesse filme de estréia de Timothy Dalton é uma música, John Barry faz um cameo como maestro.

Problemas de saúde afastaram John Barry do universo de Bond a partir de 1989. A briga pela autoria do tema de James Bond seguiu em processos jurídicos até 2001, 40 anos depois de seu lançamento.

Monty Norman insistiu em ser o único creditado como autor, dando a Barry apenas o reconhecimento do arranjo. O compositor alegou ter feito mais do que os arranjos e que só abriu mão do crédito para receber um valor fixo porque apostava, com razão, que seria apenas o início de sua carreira. A Justiça inglesa manteve os créditos de autoria apenas para Monty. Até sua morte, John Barry não se conformou com isso.

Embora fosse cidadão britânico, John Barry passou boa parte de sua vida nos Estados Unidos. Ele morreu em casa, aos 77 anos, vítima de um infarto fulminante. Como Arnold definiu, 50% do sucesso de James Bond se deve aos atores que interpretam o espião, mas os outros 50%, são de John Barry. A dobradinha JB que fez história.

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