Flo-Jo, a mulher mais rápida do mundo ganha filme

Florence Griffith-Joyner, mais conhecida como Flo-Jo é até hoje a mulher mais rápida do planeta. Ela estabeleceu o recorde em 1988, tanto nos 100m como nos 200m, e até hoje não foi superada. Dez anos depois, morria repentinamente enquanto dormia. Tinha apenas 38 anos.

A curta e rápida trajetória de Flo-Jo no Esporte e na vida cultural americana foi marcada por dramas, superação e polêmicas. Suas medalhas de ouro são suspeitas de terem sido conseguidas com doping (jamais foi comprovado) e a atriz Tiffany Haddish está trabalhando em uma biopic sobre ela. Promete.

A californiana Florence Griffith-Joyner descobriu o atletismo ainda nova e competiu como estudante da faculdade, sonhando com a Olimpíada de Moscou, em 1980. Conseguiu se qualificar para os 100m, mas em plena Guerra Fria os Estados Unidos boicotaram o evento e o sonho de medalhas teve que ser adiado.

A estréia foi em casa, na Olimpíada de Los Angeles, em 1984, mas a atleta só conseguiu a prata, o que não a deixou feliz. Na qualificação tinha feito o quarto melhor tempo e sua prata foi vencida sem encarar sua principal rival na pista, a americana Evelyn Ashford, que se machucou. A essa altura, o visual de Flo-Jo, com longas unhas postiças já viraram sua marca registrada.

Depois dos Jogos de Los Angeles, Florence participou de poucas competições e retomou a carreira de cabeleireira e até trabalhou em um banco. Em 1980, enquanto se preparava para os Jogos de Moscou conheceu e se apaixonou pelo atleta Al Joyner, campeão no salto triplo em 1984 e 1987. Os dois se casaram e formaram o casal de atletas mais famoso em Seul, em 1988.

Quando Florence Griffith-Joyner chegou em Seul, como favorita, estava muito diferente da atleta que o mundo tinha visto em Los Angeles. Mais forte, determinada… e rápida. Nas eliminatórias ainda estava sempre atrás de Evelyn, sua principal rival, mas sua determinação pelo ouro prevaleceu e os tempos melhoraram assim como passou a bater recordes mundiais, como os 100m em 10.49 segundos. Antes mesmo da Olimpíada já estabeleceu o recorde mundial dos 200m, vencendo em apenas pouco mais de 21 segundos.

A evolução recorde chamou a atenção das autoridades e colegas. Antes dos jogos, ela trocou de técnico, passando a treinar com o marido, porque estava insatisfeita com a falta de patrocínio e queria mais oportunidades. Segundo Flo-Jo e Al, os treinos passaram a incluir reforço nas pernas – com arrancadas e agachamentos, mas muitos apostavam no uso de esteróides.

Houve investigações, que só foram concluídas em 1997, incluindo os aparelhos que mediam tempo e vento, mas, mesmo com irregularidades, a vitória e marca de Flo-Jo foram mantidas. Na época, os exames de anti-doping eram aleatórios e Florence foi testada mais de uma vez, sem nada ter sido oficialmente identificado nos exames. Ainda assim, a mancha em sua vitória – fosse apenas por suspeita – jamais foi apagada pois muitos acusam o médico que conduziu o exame de ter burlado os resultados.

Quero contar a história de Flo-Jo como merece ser contada e que gerações mais novas conheçam minha heroína e a mulher mais rápida do mundo

Tiffany Haddish

A Olimpíada de Seul foi a “Olimpíada de Flo-Jo”. Com as três medalhas de ouro e uma prata, ela estabeleceu recordes até hoje imbatíveis. Em Seul, finalmente superou Evelyn Asford e passou a ser a mulher mais rápida do planeta.

Além disso, seu número de medalhas a colocou como a segunda maior atleta feminina da História, ficando atrás apenas de Fanny Blankers-Koen, que conseguiu quatro medalhas de ouro em 1948, quarenta anos antes.



Logo após Seul, Flo-Jo se aposentou repentinamente do atletismo e passou a fazer campanhas publicitárias e a aparecer na TV. Uma boneca como a Barbie foi criada em sua homenagem e até arriscou algumas participações como atriz. Em 1990, teve uma filha, Mary Ruth Joyner.

Em 1996 chegou a anunciar seu retorno ao atletismo, visando alcançar o recorde e o ouro que faltavam, nos 400m. Ela treinou arduamente, mas uma tendinite na perna direita encerraram o sonho. Al também tentou voltar, mas igualmente lesionado foi obrigado a desistir.

Em setembro de 1998, Florence morreu enquanto dormia, em casa, repentinamente. A causa de sua morte foi falta de ar como consequência de um ataque epilético, causado por um problema vascular cerebral congênito. Segundo familiares, ela tinha tido episódios de síncopes anos antes, começando em 1990. A autópsia só identificou em sua corrente sanguínea sinais de que tinha tomado Tylenol e Benadryl.

Florence tinha apenas 38 anos.

Florence Griffith-Joyner é ainda uma das principais atletas e referências americanas, e sua fama de destemida foi o que motivou a atriz Tiffany Haddish investir na biopic. O roteiro ainda está sendo escrito, mas, segundo o site Deadline, vai ficar nas vitórias e impacto da atleta no mundo esportivo, sem evitar as polêmicas. Al Joyner vai ser um dos produtores do filme, ainda sem título.

“Quero contar a história de Flo-Jo como ela merece ser contada. Quero que as gerações mais novas conheçam minha heroína e a mulher mais rápida do mundo”, disse. “É uma honra”. Vamos acompanhar!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s