Nunca houve estrela como Elizabeth Taylor

Em janeiro de 2021 completou a primeira década sem Elizabeth Taylor, que faleceu em 23 de março de 2011, depois de longas batalhas contra câncer, alcoolismo, dependências químicas e outras doenças. Ela tinha 79 anos.

Elizabeth Taylor foi uma das maiores divas da história de Hollywood, sendo por muitos anos a estrela de maior salário na indústria do cinema. Sua vida inteira foi dedicada ao cinema, tendo estreado ainda criança como atriz e conseguido o feito raro de fazer a transição para vida adulta sem perder público ou admiração.

Tudo em Elizabeth Taylor era superlativo: sua beleza, seu talento, sua vida pessoal, sua carreira, sua dedicação aos amigos, à bebida, à comida, aos remédios, às jóias e, principalmente, ao amor. Nas sete décadas que convivemos com ela, se casou oito vezes, protagonizou escândalos, lutas corajosas e contra a morte. Trabalhou em mais de 50 filmes, alguns deles as maiores preciosidades do cinema. Trabalhou com lendas e provou que mais do que uma mulher com olhos inigualáveis de cor violeta, era uma grande atriz. Pioneira sempre, vale relembrar um pouco a sua vida.

Uma carreira única e muitos amores

Elizabeth Taylor chamou a atenção do público pela 1ª vez aos 10 anos, quando estreou a franquia National Velvet, mas já tinha aparecido em alguns filmes antes, incluindo Lassie. De 1944 em diante, o mundo acompanharia cada passo dessa atriz.

A transição para papéis adultos foi estranhamente fácil para ela, mas só passou a ser mais respeitada como atriz quando fez Um Lugar ao Sol, em 1951. Vários filmes de época se seguram até que foi destaque em Giant, ao lado de Rock Hudson e James Dean.

Em 1957, com o filme A Árvore da Vida, foi indicada ao Oscar pela primeira vez. Recebeu um total de cinco indicações e venceu duas, por Disque Butterfield 8 e Quem Tem Medo de Virginia Wolff. Também recebeu um Oscar honorário por sua dedicação à causas humanitárias.

Um milhão de dólares pela Rainha do Nilo

Cleópatra será eternamente uma das principais imagens e referências na vida e da carreira de Elizabeth Taylor.

Quando surgiu o projeto, Elizabeth não se empolgou. Pediu alterações e um salário, na época, estratosférico de um milhão de dólares. Segundo biógrafos, ela não esperava que aceitassem. Mas acabou abrindo caminho para novos caminhos em Hollywood.

O resultado nas telas foi fracasso de crítica e ineficaz nas bilheterias. Hoje tem outra visão, mais respeitosa quanto ao desempenho da atriz inclusive. O que entrou mesmo para a história foi o paralelo da paixão de Marco Antônio e a rainha do Egito com os atores, Richard Burton e Elizabeth Taylor.

O fato de ambos serem casados quando se apaixonaram fez pouca diferença para ela. Afinal, “destruir” casamentos já era, segundo a mídia, um dos maiores talentos de Elizabeth…

As paixões e a sinceridade conduzindo seu coração

Tudo na vida de Elizabeth Taylor foi intenso. O que hoje seria trivial, no entanto, foi chocante nos anos 1950s e 1960s, mas nada importava para ela além de honestidade.

Se casou pela primeira vez em 1950, com Conrad Hilton Jr, mas a união durou pouco, apenas nove meses. Praticamente em seguida a atriz se casou com Michael Wilding, pai de seus dois filhos e 20 anos mais velho. Os dois se conheceram trabalhando juntos em um filme. Portanto o primeiro foi inexperiente e o segundo foi morno. Porém quando conheceu Mike Todd, Elizabeth Taylor se transformou nela mesma.

Na época ele era o maior e mais influente produtor de Hollywood. O amor dois dois foi escandaloso pois ela era uma mulher “bem casada” e mãe de dois filhos. Mas nada poderia se colocar no caminho de sua felicidade. Os dois encararam as críticas sem se desculpar e a felicidade era tão plena e obvia que rapidamente dominou a narrativa. Foi ele quem “iniciou” a paixão de Elizabeth por jóias e diamantes raros, eram quase cafonas em seus exageros e, quando a trágica morte de Mike Todd, pouco mais de um ano depois do casamento do dos dois, fez de Elizabeth viúva aos 30 anos, o mundo chorava com ela.

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Veio então a “nova” Elizabeth Taylor, a “destruidora” de lares, uma pré-Angelina Jolie. Meses após a morte de Mike, ela se casou com seu melhor amigo, Eddie Fisher. Eddie, no entanto, era casado com Debbie Reynolds, a namoradinha da América, e o fato de deixar a mulher por Elizabeth, sua amiga, marcou para sempre a história dos escândalos em Hollywood. Pior, durou pouco mais do que dois anos até que Richard Burton entrasse na vida da atriz.

Uma paixão como poucos

Por Richard Burton, Elizabeth Taylor encarou a fúria do Vaticano e da opinião pública. Ela deixou o marido e ficou abertamente como amante de um homem casado até que ele finalmente encerrasse sua união e oficializasse o amor dos dois.

A química era inegável, mas o efeito destrutivo também. Apaixonados por álcool, comida, viagens, jóias e excessos, as brigas eram públicas, cheias de palavrões e agressões físicas mútuas. Ele era considerado melhor ator, embora ela fosse a maior estrela e a que tivesse um Oscar, porém Richard Burton respeitava Elizabeth Taylor como uma atriz de igual talento e – de fato – ela ganhou o respeito que tanto ansiava nos anos em que esteve com ele, incluindo o segundo Oscar de Melhor Atriz. Fizeram Shakespeare, leram poesias, e ela ficou nos bastidores apenas acompanhando o marido, quase aposentada. Foi a fase em que ela mesma disse ter sido mais feliz e eles eram o casal mais famoso do planeta.

A coleção de jóias cresceu com vários presentes. Mas a intensidade do amor dos dois deu curto circuito e divórcio, embora também uma tentativa de reconciliação, novo casamento e ainda outro divórcio. Os nomes de Richard Burton e Elizabeth Taylor são sinômino de paixão e permanecem ligados na eternidade das telas, dos livros e, sobretudo, da imaginação. Ambos morreram admitindo que não podiam ficar juntos, mas que nunca deixaram de se amar.

Na última etapa de sua vida, Elizabeth, a humanitária e mulher de negócios

Elizabeth sempre foi ícone gay e amiga dos gays. Montgomery Clift, Rock Hudson, Roddy McDowell e James Dean eram apenas alguns dos íntimos que poderiam ser abertamente honestos apenas com ela. Não foi supresa portanto que ela tenha se dedicado de corpo e alma pela causa da AIDS muito antes de que a doença fosse tratada sem preconceito. Conseguiu levantar milhões.

Era a melhor amiga de Michael Jackson, uma de suas confidentes e apoiadoras, mesmo quando surgiram as primeiras denúncias de pedofilia. Mas além de ser o exemplo de fidelidade (quando se tratava de amizade), Elizabeth era uma astuta mulher de negócios. Lançou um perfume com seu nome (uma das primeiras a fazer isso) e foi um grande sucesso de vendas, escreveu livros e continuou fazendo pontas em filmes e séries. Voltou a se casar e se divorciar, o último marido nos anos 1990s, depois de conhecê-lo em uma das passagens de reabilitação por bebida e remédios.

Aliás, Elizabeth Taylor foi uma das primeiras estrelas a não esconder seus problemas de saúde, fossem físicos ou mentais. Quase morreu mais de uma vez, sobreviveu a tumor no cérebro, operação no quadril mas, o coração finalmente não resistiu depois de tantas demandas. Ficou internada por seis semanas antes de morrer por volta de uma hora e meia da manhã do dia 23, em Los Angeles, cercada dos filhos e netos.

O aniversário de 10 anos de sua morte, em tempos de pandemia, passou desapercebido. Porém não poderia chegar ao fim do ano sem lembrar dessa lenda, inimitável e insubstituível. Uma mulher que estava à frente do seu tempo e do nosso e que o cinema eternizou para todas gerações, graças a Deus!

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