Nova biografia sobre a misteriosa Garbo

Se há uma lenda em Hollywood que os anos não devanecem, essa lenda é Greta Garbo. A esfínge, a “Garbo”, a famosa frase “me deixem em paz”… sua beleza, talento e acima de tudo, autenticidade colaboraram para o mito. Ela pode ter vivido nos anos 30 ou 40, mas ainda em 2021, Garbo é moderna. E misteriosa! Uma nova biografia sobre sua vida pessoal, cheia de affairs com homens e mulheres, deve reascender a curiosidade sobre ela. Garbo, de Robert Gottlieb, que escreveu um excelente relato do George Balanchine há alguns anos, vai focar nos relacionamentos amorosos da atriz.

A sueca que foi uma estrela do cinema mudo, depois falado, nasceu em Estolcomo como Greta Lovisa Gustafsson, em uma família pobre. Solitária e tímida desde a infância, descobriu o gosto pelo palco muito nova. Seu pai morreu quando ela ainda tinha 14 anos, por causa da epidemia da febre espanhola. A jovem começou a trabalhar como modelo e em 1920, estreou no cinema em uma pequena ponta. Sua beleza já era clara e chamou a atenção de diretores de prestígio. A jovem Greta entrou para a Academia Real de Teatro na Suécia de onde saiu direto para estrelar mais filmes. O diretor Mauritz Stiller teria feito a ponte para apresentá-la a Louis B. Mayer, da MGM, a trazendo para uma nascente Hollywood.

Sem falar uma palavra de inglês (o que não fazia diferença no cinema mudo), Greta se mudou para os Estados Unidos em 1925. Irving Thalberg fez um teste de vídeo com ela e ficou impressionado e passou a trabalhar na transformação de Greta em Garbo, arrumando os dentes, a fazendo passar por uma dieta e a aprender inglês. A imagem de Greta Garbo foi construída como uma figura exótica e sofisticada, uma mulher conquistadora, algo que ela não gostou, mas aceitou. Em apenas um ano já era a maior estrela do estúdio que tinha as maiores estrelas do cinema.

Em oito filmes, Greta Garbo era uma super estrela mundial. Foi no cinema mudo, ao estrelar três deles com John Gilbert, que a amizade e romance entre os dois ganhou fôlego. Sempre sensual, a atriz era também ousada. Avessa à convenções sociais, vivia com o namorado sem ser casada, um escândalo de proporções assustadoras na época.

Mais do que lindíssima, Garbo era conhecida como uma grande atriz. E, como a principal estrela entre as estrelas, começou a ganhar a fama de difícil, com exigências que incluiam proibir a entrada de pessoas no set a falar com ela. Com a chegada do som nos filmes, houve uma preocupação de que seu forte sotaque fosse atrapalhar sua carreira, mas ao contrário, trouxe mais personalidade. Como Anna Christie, que ela refilmaria depois, ela foi indicada ao Oscar. Na segunda versão, Garbo era o maior salário da época e chocou o mundo ao se vestir de homem e beijar uma mulher em cena.

Durante as gravações de Camille (A Dama das Camélias), Irving Thalberg morreu (aos 37 anos) e a atriz ficou desvastada. No mesmo ano, já tinha perdido John Gilbert e as duas perdas, assim como sua queda nas bilheterias, impactaram Garbo. Ela foi indicada ao segundo Oscar e para sempre citava o filme como um de seus favoritos. Em Ninotchka ela fez sua estreia nas comédias (“Garbo ri!”), mas mesmo dançando e cantando em Duas Vezes Meu, não estava vendendo ingressos como antes. Decidiu se aposentar aos 36 anos.

Garbo ainda flertou com uma volta, mas não se concretizou. Se recusou a fazer Crepúsculo dos Deuses e se mudou para Nova York, para uma vida que queria longe das câmeras. Ficou com a famosa frase “me deixem sozinha” (I want to be alone), mas o que teria dito era “me esqueçam” (I want to be left alone).

A verdade é que, homossexual e sendo obrigada a esconder sua vida pessoal, Greta Garbo se cansou de Hollywood e da atenção. Ela viria a morrer em 1990, aos 84 anos, como consequência de um câncer no seio. Em bom português, nos bastidores, Greta era antipática. Fosse por timidez, mas não frequentava festas, se recusava a assinar autógrafos ou responder aos fãs, concedia poucas entrevistas. Em uma delas em 1928, confessou “desde que me lembro, sempre quis ficar sozinha. Destesto multidões, não gosto de muitas pessoas”, disse.

Essa atitute alimentou o apelido de Esfíge e sua imagem de uma mulher misteriosa. Porém também a transformou na mulher mais perseguida e famosa do século 20, algo que detestava. Seus óculos grandes viraram assinatura de estilo. As fotos maravilhosas de Cecil Beaton, seu ex-amante, ressaltaram sua beleza e atração para as lentes. Sim, apesar de ter romances com mulheres, a atriz também se envolveu com homens.

Colecionadora de arte, que incluíam quadros de Renoir (tinha 3 originais) e Kandinsky, ela deixou seus milhões para uma sobrinha, quando faleceu, no seu apartamento na Rua 52, leste, em Nova York.

O novo livro vai ressaltar a força da personalidade de Garbo, que jamais se rendeu ao que era esperado dela. Sua privacidade era o que mais prezava, mas seus amigos revelaram alguns de seus segredos ao longo dos anos. Gotlieb descreve como a atriz se relacionava sexualmente com homens e mulheres, como sua famosa inimizade com Marlene Dietrich pode ter nascido de um rompimento de um romance entre as duas. Segundo o autor, a lista de amantes foi realmente longa, incluindo Orson Welles, Tallulah Bankehead, Mercedes de Acosta, Josephine Baker, Louise Brooks e até Billie Holliday.

Com bom texto e material de pesquisa, a biografia deve ser interessante. Em breve a avaliarei aqui. É só acompanhar!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s