And Just Like That: a vida que segue

Vamos falar do episódio três abertamente. Quem acompanha esse blog sabe que a essa altura não preciso nem avisar quanto a SPOILER. Tudo foi acompanhado durante as gravações, mas talvez o melhor segredo tenha efetivamente ficado guardado porque Sara Ramirez, como a podcaster e ativista Che tem sido a melhor coisa de And Just Like That e suas cenas eram quase todas em estúdio.

Primeiro, o resumo do episódio e os encaixes do que já sabíamos.

Carrie, ainda se ajustando à viuvez, segue tentando se manter durona. Ela está se agarrando às boas lembranças dos últimos anos com Mr. Big, onde estavam genuinamente felizes. Porém, a leitura do testamento do marido (quantos milhões ele distribuiu e quantos deixou para Carrie?), ela se surpreende com a menção da ex-mulher, Natasha, uma das beneficiadas. É o gatilho para que a antiga” Carrie – a insegura, neurótica, narcisista e masoquista – ressurja e fique questionando sua realidade. Estava feliz ou cega? Big mudou ou fez com ela o que fazia com todas? Ela finalmente e realmente conhecia Mr. Big?

A sequência é importante para endereçar o que incomoda muitos fãs: como Mr. Big, depois de ter sido um cachorro por sete temporadas, terminou como príncipe encantado e um homem compreensível e apaixonado, nos dois filmes após a série. Para mim, sempre soou estranho e escrevi sobre isso várias vezes, tanto que no meio das minhas lágrimas pela morte dele, ri quando uma personagem fala no velório: “sou a única que lembra de como ele foi horrível com ela?”, em retrospecto, o que reclamei do frio cartão de Samantha pela morte do marido da amiga me parece coerente e mais uma vez positivo para personagem.

Voltemos à And Just Like That. Sem Big para responder, Carrie fica obsessiva em fazer contato com Natasha, mesmo que em vários episódios marcantes a ex de Big tenha deixado claro que nunca a perdoaria pela dor e vergonha que o caso entre Carrie e Big infligiram à ela. Vemos então quase todas as cenas que foram gravadas nas primeiras semanas desfilarem à nossa frente, agora em contexto, incluíndo a frase completa que a PageSix divulgou, mas que acreditava ser sobre um divórcio. Ao fim, para alívio da escritora, Big e Natasha não estavam tendo caso e nem se falavam o dinheiro refletia a culpa do milionário de ter sido um homem de quinta com a ex-mulher, o que mostra o lado humano de uma personagem complexa como era John James Preston. Ainda assim, Carrie não consegue mais estar no local onde viveu com ele e termina o episódio voltando para seu antigo apartamento (e persona).

Tão envolvida em seu próprio drama, Carrie estava alheia de toda vida andando para Charlotte e Miranda, que estão trazendo para a trama as questões do mundo atual.

Charlotte aparentemente é a personagem com menor evolução ou desenvolvimento, pior até do que Carrie (também imutável). Seu casamento com Harry é perfeito e saudável, mas como desconfiávamos ela está precisando lidar com a possível realidade sexual de Rose, que não se vê como uma menina. Charlotte quer fazer a coisa certa e dar apoio à filha, mas ainda não acerta seus passos. No entanto, é a única que repara que Miranda anda bebendo a mais e tenta conversar sobre isso. Carrie não quer falar de ninguém além de si mesma, portanto fica no ar a infelicidade de Miranda, que admite que tem uma profunda amizade com Steve, mas não mais um casamento.

O que nos traz à Che, mais do que Miranda. A advogada está confusa, frustrada e tentando se reencontrar no mundo. Brady já está adolescente e Steve continua na mesma. Com a energia de Che invadindo a cena, confiante, sexy e divertida, Miranda está fascinada com a podcaster. E sim, há uma energia sexual entre elas. O que vão fazer sobre isso? Pelas cenas que vazaram em gravações, Miranda vai abraçar a causa LGBTQ+ e estará sempre com Che, aludindo que a personagem seguirá os passos de Cynthia Nixon na vida real e assumirá sua homossexualidade.

Para falar de Miranda, Big e as questões atuais, estão em posts separados (clique em seus nomes). Nos 3 dos 10 episódios dessa temporada, vemos muita pressa para alcançar o hiato da história, o que parece um pouco fora de ritmo. Com Carrie mantida nas questões sentimentais, sobra para Charlotte e especialmente Miranda ocuparem o espaço deixado por Samantha, o que cansa um pouco. A infelicidade do casamento e da relação da advogada com Steve é longa (vamos falar no post dela) e ocupou boa parte do primeiro filme, é como se tivéssemos voltado ao ponto de partida. Ainda assim, graças ao talento de Sara Rodriguez, quando Che está em cena a série ganha outra dinâmica. Desconfio que encontramos a substituta de Samantha Jones.

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