As dúvidas de Miranda em And Just Like That

Miranda Hobbes é a vertente racional e prática do quarteto original de Sex and the City. Independente, com uma carreira em ascensão e fazendo dinheiro, Miranda é a melhor amiga de Carrie Bradshaw. Se há um desafio para ela, é encontrar um homem interessante que não se assuste com seu sucesso.

Cynthia Nixon trouxe uma dose perfeita de ansiedade, doçura e dúvidas para a personagem, acostumada a ser forte e puxar a força de suas amigas. Nas primeiras temporadas, Miranda se envolve com um rapaz mais novo, Skip, de quem gosta mas não ama. Quando leva um bolo de Carrie, que a troca por uma noite com Mr. Big, Miranda tem uma noite de sexo casual com o bartender, Steve, e aí nasce sua grande história de amor.

Miranda notoriamente foi a personagem que viveu o ‘ele não está afim de você’, foi confundida como homossexual (e até considerou, mas disse que não funcionava) e, depois de ter sido mãe solteira de um filho de Steve, quando o viu feliz com outra mulher, se viu apaixonada por ele. Lutou e conseguiu de volta, terminaram a série felizes, completos e casados.

Já nos filmes, vimos que “para sempre” estava “para nunca”. Segundo Miranda, a maternidade e a convivência acabaram com a vida sexual do casal. Steve dá uma escapada, confessa e ela o coloca para fora. Ao fim do filme, faz a decisão de voltar para o marido e os dois aparentemente recuperam a atração, com o sexo voltando sem problemas. Na continuação nada disso volta à tona, mas, em And Just Like That, não apenas o sexo deixou de existir, como Miranda passou a beber e se vê, claramente, atraída por Che (Sara Rodriguez). É muita coisa para uma personagem só. Por que a questão da bebida não foi para Charlotte, a romântica, rica, bem casada, bem resolvida sexualmente com o marido e com duas filhas lindas? O drama de Charlotte será apoiar a filha com potencial homossexual?

Os dramas de fazer Steve como iô-iô são coerentes com Miranda, que é dominante e que facilmente se entedia com a docilidade do marido. Se ver novamente em uma situação onde viveu há alguns anos não chega a ser estranha, mesmo que tenha sido uma das mais vocais contra Samantha quando ela se relacionou com uma mulher. Como Cynthia era casada com um homem quando fazia a série e se apaixonou por uma mulher quando acabou, certamente sabe como fazer a transição de Miranda dar certo. Já está dando, em três episódios vemos por que Miranda está se apaixonando por Che, seu espelho de uma mulher líder e bem resolvida. O que será de Steve é que não sabemos, mas Miranda é o Mr. Big dele, podemos considerar isso.

Agora a bebida? Miranda está infeliz e passou a beber? Acho ruim isso. Fazer da personagem uma Ben Affleck de saias me parece uma opção injusta com ela. Mas aqui está o problema da ausência de Samantha Jones, porque com a “perfeição” de Charlotte, apenas Miranda poderia herdar os maiores conflitos, uma vez que Carrie é imperfeita, mas a narradora distanciada também.

O envolvimento de Miranda com Che vai levá-la a participar de movimentos LGBQ+, mas não temos certeza do destino do pobre – e surdo – Steve. A acomodação dele acabou com a libido dos dois, mas ele merecia mais. Pobre Steve!

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