O atormentado MacBeth em nova versão

Dentre as grandes peças dramáticas de William Shakespeare há três que são obrigatórias para “atores sérios”: Hamlet, quando jovens; MacBeth, quando mais velhos e Rei Lear, quando aproximam da 3ª idade. No cinema pelo menos, MacBeth é um grande favorito, quase equiparado com a história do príncipe dinarmaquês.

MacBeth, nos Estados Unidos, é como Dom Casmurro no Brasil: uma leitura obrigatória de escola. A história, as personagens e suas motivações são simples, os maus são punidos e o texto tem alguns dos trechos mais conhecidos do bardo inglês, portanto sua popularidade não chega a ser estranha. Muito menos que seja tão presente no cinema desde 1908. Há três versões importantes: a de Orson Welles, de 1948. De Akira Kurosawa, Trono Manchado de Sangue, de 1957 e a versão de Roman Polanski, de 1974, considerada a mais fiel e violenta de todas. Em 2015, Michael Fassbender e Marion Cottilard estrelaram mais uma produção, portanto foi curioso que Joel Coen tivesse escolhido justamente essa história para seu 1º filme solo. A Tragédia de MacBeth traz Denzel Washigton e Francis McDormand nos clássicos papéis de MacBeth e Lady MacBeth.

Não se engane, o filme terá importantes indicações ao Oscar, incluindo Denzel como Melhor Ator. Visualmente estonteante, essa adaptação – em preto e branco – é o meio do caminho de uma moderna montagem teatral e cinema. Com fortes traços expressionistas, ângulos e iluminação brilhantes, que levaram mais de um ano de planejamento e ressaltam sombras e luz, é um veículo para estrelas. Denzel, que é fã de Shakespeare e estrelou mais de uma adaptação de seus textos na Broadway, não tem como errar no papel título. Nem Frances como a manipuladora esposa. No entanto, com o peso de toda ambição e violência, o filme não engrena nem para os fãs do texto original. É pesado, é arrastado e muito vazio. Não há empatia e chega a ser confuso.

O que é preciso elogiar, e MUITO, é a atuação de Kathryn Hunter. Em vez de três bruxas, é ela quem se divide nos três papéis e está apavorante. Sua atuação é uma das melhoes coisas captadas em lente e traz para a produção tudo de moderno e inovador, ao mesmo tempo que clássico. Ela vale o filme.

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