A armadilha das surpresas em Raised by Wolves

Raised by Wolves, com sua trama esquisita e estrela carismática (Travis Fimmel), vem se firmando como o conteúdo mais interessante das plataformas nos últimos anos. Abordando temas interessantes como Fé (falta e exceço), Ciência (domínio ou ausência) e futuro, mostra uma Terra destruída pela intolerância humana e a tentativa de povoar um novo e inóspito planeta.

Os andróides Mother e Father são mais empáticos que os Humanos, uma vez que foram programados para cuidar e amar e não podem ser resetados. Entre os homens, a intolerância e violência impede a Paz mesmo em um novo mundo. Interessante, profundo. Aí começaram a surgir monstros, outros andróides, vozes… e estamos beirando o bizarro, senão o ridículo.

Essa semana a série parece ter se jogado no precipício ao adotar perigosas estratégias que funcionaram, por um tempo, em Lost, Game of Thrones e Família Soprano. Será que sustenta em uma história tão simples posando de complexa como Raised by Wolves?

O complexo de “matar” protagonistas

Hoje em dia, quando personagens importantes deixam a história ainda no meio da trama, dizemos que é a “escola Game Of Thrones“, embora antes deles, os Sopranos nos deixassem com o mesmo tipo de insegurança de que nenhuma personagem estaria jamais segura. Qualquer um poderia morrer, a menos que o colete salva-vidas da história, o plot-armour que protege alguns personagens, os salvasse. Tipo Arya ser esfaqueada no estômago, pular de janelas, correr, nadar e sobreviver para matar o Night King. Ou Jon Snow ser ressuscitado. Mas, em geral, ficamos nervosos.

Até agora, Raised By Wolves estava “salvando” os protagonistas. Andróides podem voltar a ser remontados e os humanos dispensados eram coadjuvantes. Quando Paul quase virou a cobra sintética, ficamos ansiosos, mas foi ao “sacrificar” Sue, transformada na Árvore do Conhecimento no último episódio, que Raised by Wolves tomou uma decisão delicada.



Uma das favoritas do público, a personagem estava perdida, mas seria, em tese, a melhor arma contra o vilão, Marcus. Sim, Travis Fimmel é o super vilão da história, não há nada de nobre em nenhuma de suas ações, palavras ou planos, não podemos nos enganar com a simpatia que o ator nos apresenta um homem detestável que mata, mente e rouba para se dar bem. Ele não hesitou em sacrificar seu amor por Sue antes, muito menos agora. Há suspeitas na Internet que ele sabia que teria que ter o sacrifício humano para a árvore. Ele ia entregar Sue ou Paul de qualquer forma. Ela que acidentalmente se ofereceu antes.

A questão é que perdemos Sue e… e agora? Marcus vai certamente escapar de novo, senão a história acaba. E para onde está indo essa história? O que de fato está acontecendo? Os perigos se multiplicam e não se explicam. Ao “matar” Sue, perdemos uma possível Ripley e honestamente? Um tiro no pé.

A praga dos Night Walkers

A sequência do sequestro do filho de Tempest ficou parecida com o inexplicável interesse do Night King nos bebês masculinos de Crasser em Games of Thrones. Aliás, os monstros do mar ácido estão perigosamente semelhantes com os Night Walkers e como a conclusão da saga de Westeros foi incrivelmente insatisfatória sobre o tema, eu teria ficado longe de qualquer ser que remetesse àqueles zumbis.

Os monstros sanguinários aparentemente já “roubaram” os filhos de Mother e Father na 1ª temporada, quase matando inclusive Campion. Vivem nas crateras, na água… gostam de carne e sangue. Seu sangue, no entanto, tem poder uma vez que “salvou” Paul de virar uma cobra sintética (alguém mais lembra que um homem foi atacado pelo mesmo vírus e abandonado na caverna?). A menos que a Árvore/Sue comece a falar (nada me surpreenderia), afinal ela tem conhecimento, ninguém mais sabe o segredo das sanguessugas que a médica tinha descoberto.

Tudo isso nos leva a uma questão de objetivo. Em Lost, os sobreviventes tinham que escapar os Outros. Em Game of Thrones, famílias brigavam pelo Poder… O que está acontecendo em Raised By Wolves? Não é apenas sobrevivência.

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