O Pai da Noiva, gerações e culturas diferentes… e comuns

Nos anos 1950s, Elizabeth Taylor já era uma grande estrela. Tinha apenas 19 anos quando anunciou que iria se casar (pela primeira vez), e – em tempos pré-reality – a MGM transformou o evento pessoal em algo mundial. Com isso veio o filme, O Pai da Noiva, dirigido por Vincente Minnelli, estrelado por Spencer Tracy sobre um homem tentando lidar com os preparativos para o casamento de sua filha. No elenco, a popular Joan Bennett, a jovem Elizabeth Taylor e outros nomes famosos na época. O roteiro foi inspirado em um livro de Edward Streeter e chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Ator (Tracy), Melhor Filme e Melhor Roteiro. O vestido de noiva de Elizabeth, foi assinado por Helen Rose, a mesma que anos depois fez o modelo de Grace Kelly.

Em 1991, Steve Martin, Diane Keaton e Kimberly Williams estrelaram o super bem sucedido remake, que ganhou uma sequência quatro anos depois. Precisou outras quase três décadas para que uma versão atualizada ganhasse fôlego. Em 2018 a Disney anunciou que iria fazer a versão latina do filme original, e é o que chegou em cartaz na HBO Max com Andy Garcia e Gloria Estefan nos papéis de pais da noiva.

Desta vez, é uma família cubano-americana, mais especificamente a de Billy e Ingrid Herrera (Andy Garcia e Gloria Estefan) que lida com a surpresa do casamento de sua filha. Como ex-emigrantes de Cuba, eles têm expectativas para seus filhas, e quando Sofia (Adria Arjona), anuncia que vai se casar com Adan (Diego Boneta), um mexicano, há a base do conflito cultural usando atores que falam espanhol fluentemente e trabalhando nos nuances culturais das diferentes “latinidades”.

O estranho é que… não é engraçado. Trabalhando todos os clichês, não chega a ser engraçado em nenhum momento, apenas mais um filme que trata do preconceito de como os latinos ainda não conseguem ser bem retratados em inglês. Tudo é previsível e monótono, batendo nas teclas de tradicionalismo versus modernismo. A estrela é Andy Garcia, que está meio de lado no cinema, mas que não tem necessariamente a veia cômica necessária. Porém é sua seriedade que encontrou os elogios da crítica. E Gloria Estefan, estrela da música latina, grande estrela antes Shakira, é doce como a mulher negligenciada, mas empática.

Uma pena. Não pena que Hollywood não consiga entender a cultura latina. Mais uma tentativa perdida.


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