Westworld vira “crazyworld” e encerra 4ª temporada

Repito que meu post, como o anterior sobre a série, não será popular. Depois de dedicar anos de atenção a um conteúdo que prometia questões interessantes, Westworld ficou no parque no Crazyworld, na velha armadilha de “subverter expectativas” e jogar pela janela qualquer sentido. O que começou com o questionamento de inteligência artificial, seu uso e a maldade da alma humana passou a ser a “destruição do mundo por almas corrompidas”. O algo assim. Honestamente? Tanto faz. Ficou muito chato de acompanhar. Um episódio profeticamente batizado como Que será, será tampouco era bom sinal. Falarei com spoilers.

A segunda questão, a obsessão humana pela vida eterna, ficou completamente perdida. A resposta é de que sempre dá erro nas máquinas, não importa o número de versões. Caleb (Aaron Paul) chegou mais perto de ser o que ele era, mas seu número 279 falhou como os outros. No entanto William (Ed Harris), jamais fez um arco de recuperação, às vezes me pergunto se tivessem colocado forçadamente o chapéu branco nele se teria alguma chance. Mas não, ele é pode e contaminoso, seja versão de hóspede ou humano. E segue o vilão apenas pelo direito de ser mal. Um arco plano, previsível e a essa altura, insuportável. Desperdício de Ed Harris na tela. “Você está tão quebrado quanto o homem que você matou”, explica Charlores (Tessa Thompson) – quase despertando em nós a resposta, “Não diga?”mas é William hospede que vem com ainda mais básico – “O patético corpo humano de William está apodrecendo, mas ele não morreu. Seus impulsos vivem”, diz. Por um segundo temi que mais uma vez William ia sobreviver, mas pelo visto nos deram essa esperança e que não. “Eu era um William melhor do que ele. William não morreu, ele se evolui”, ele completa. Há controvérsias sobre esse pensamento…

Personagens que tiveram alguma função, como Clementine (Angela Sarafyan) viraram o protótipo de O Exterminador. Não havia dúvida de seu destino.

Chalores/Charlote/Wyatt (Tessa Thompson) teve um arco menos constante, uma humana ambiciosa e corrupta transformada em uma hóspede em crise na segunda, para voltar como ultra manipuladora e invencível na 4ª. Ah, sim, e passar para o lado de “heroína” também ao se opor a William. De novo. Por que não o matou e destruiu suas cópias? Essas decisões incongruentes que só servem para virada de roteiro dão sono. “Eu criei você para o meu próprio código, juntos conquistaríamos o mundo”, ela justifica sem nos convencer.

Sabe o que é pior? Ela questionar o objetivo de William host de extinção total. Para quem estava entediada e matando os poucos humanos sobreviventes com moscas e violência, como Charlores ousa ridicularizar uma meta transparente e “honesta”? “Bernard e Dolores queriam liberdade”, William compara (obrigada! outro objetivo com sentido!). “Você queria mais, transcedência. Você estaja jogando o jogo errado”. Nunca pensei que William fosse nos representar!

E as casualidades desse erro de Charlores, surpresa que errou no cálculo (“esse não era o mundo que eu criei”, outro argumento com controvérsias) foram efetivamente as personagens infinitamente mais interessantes que ela: Caleb, Arnold (Jeffrey Wright) e Maeve (Thandiwe Newton), que foram reduzidos da narrativa e a série sentiu isso. Pior, pelo que foi sugerido, estão possivelmente fora de uma infeliz e provável temporada final.

Nesse cenário, outra subutilização foi Dolores/Christina (Evan Rachel Wood) cuja temporada chorosa ao lado de um Teddy sem explicação (James Marsden) também foi tempo perdido. Ela é a esperança para criar um “mundo melhor”, uma vez que é ela quem define as narrativas. Com a “vitória” de Charlores, Christina anuncia que teremos “um jogo final, com mais perigos”. A pior notícia do ano.

Não fosse a trilha sonora inspirada de Ramin Djawadi, com mais um cover de Radiohead na conclusão (dessa vez, Pyramid Song) eu juro que gritava. Com tantos cancelamentos da HBO Max nessa confusa fusão com a Discovery, me parece que Westworld não precisa de uma nova oportunidade. Já deu.

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