Marlene Dietrich: O Ícone Fashion e a Influência no Mundo da Moda

Já estava aqui me preparando para escrever sobre Marlene Dietrich, apenas porque ela é uma das maiores Divas da história, quando uma pequena cena da série Becoming Karl Lagerfeld me deu a justificativa final.

Na série, o costureiro alemão precisa de uma celebridade para colocá-lo em destaque na Vogue e quando a lendária atriz o procura, vê enfim a maior oportunindade em mãos. A princípio ela diz que o procurou porque “estava com saudades de falar alemão”, mas acaba cedendo e acredita que Lagerfeld vá ajudá-la a se desatacar como referência fashion. Quando Marlene vê o modelo criado para ela, sai correndo, mas antes o avisa “o designer é apenas o espelho da mulher que está vestido”, ela avisa “você só existe se o reflexo do que vejo no espelho me agrada”, resume.

Se isso foi verdade ou não, a série deixa em esclarece, mas é uma cena que tem a cara da Diva.

Marlene Dietrich, que morreu aos 90 anos, em Paris, em 1992, é ainda um símbolo internacional de glamour e sexo, com uma vida controversa e complexa em iguais doses. Cantora, atriz, modelo, espiã e celebridade, Marlene sempre estará na lista restrita de maiores e uma das personalidadeas mais influentes do século 20.

Nascida em Berlim em 1901 como Marie Madgalene Dietrich, ela era filha de um tenente da polícia e ex-major da cavalaria, que morreu quando ela tinha 9 anos e neta de um rico comerciante de relógios, crescendo no conforto de uma classe média alta. Aluna de escolas particulares, Marlene sonhava ser violinista, mas uma lesão na mão mudou os planos para o teatro, onde adotou seu nome artístico diante da desaprovação familiar.

Ainda nova, apareceu em peças, cabarés e filmes, mas sem protagonismo. Sua sorte mudou quando começou a trabalhar com Josef von Sternberg, que não apenas faria dela uma estrela internacional com O Anjo Azul, em 1930, como seria sempre seu mentor.

O filme, baseado no romance de Heinrich Mann “Professor Unrat”, foi gravado tanto em alemão como em inglês, abrindo as portas para a diminuta atriz com um ego duas vezes sua altura. O mundo nunca mais foi o mesmo depois de vê-la como Lola-Lola, a cantora que destrói um professor idoso apaixonado (Emil Jannings). O sucesso também a levou diretamente para Hollywood, onde, mais magra 13 quilos, virou um dos nomes mais comentados do mundo do entretenimento, mas sempre comparada à Greta Garbo.

A essa altura, Marlene tinha se casado e tido uma filha, Maria (que viria a ser atriz também) e o marido e a criança vieram com ela para os Estados Unidos, mas o casamento se desfez rapidamente, embora nunca tenham se divorciado.

A verdade é que mesmo participando de grandes filmes e sendo uma lenda, Marlene sempre viveu à sombra da decadente, sexualmente liberada e ambígua Lola-Lola. Seus papéis eram sempre da mulher fatal misteriosa e exótica, em grande parte, talvez por causa de seu forte sotaque, contribuindo para a persona a qual é associada até hoje. “Eu interpretei prostitutas”, reconheceu anos mais tarde, “Eu nunca interpretei nenhum personagem recomendável.”

Sua vida pessoal era alvo de curiosidade e, mais tarde citada como abertamente homossexual, colecionou amantes famosos de John Gilbert, a Gary Cooper, Jimmy Stewart e John Wayne. Do seu romance com o escritor Erich Maria Remarque, autor de All Quiet on the Western Front, surgiu a inspiração para a personagem Joan Madou no romance Arch of Triumph.

Quando a 2ª guerra começou a se desenhar, Marlene Dietrich foi uma das mais abertas oponentes ao nazismo, ajudando como podia a judeus escaparem da Europa. Ainda assim, agentes de Hitler lhe ofereceram uma fortuna para à Alemanha e fazer filmes locais. Sua recusa levou ao ditador a decretar que qualquer filme seu estaria banido na Alemanha e isso só fez com que a atriz decidisse ainda mais rapidamente virar cidadã americana.

Como tal, participou de transmissões anti nazistas em alemão, de campanhas de títulos de guerra e visitou tropas aliadas para incentivá-los.

Em tempos de Paz, com menos ofertas na Hollywood etarista, voltou a se apresentar em shows de cabaré ao redor do mundo, fazendo fortunas. No início dos anos 1970s, se mudou para Paris e nunca mais voltou para América. Foi ficando reclusa e sem paciência com a imprensa. Chegou a escrever uma autobiografia, mas foi se isolando até virtualmente não ser mais vista em público.

Mas tão significativa como o Cinema, foi o reconhecimento de Marlene Dietrich como símbolo fashion tendo sido pioneira em usar roupas masculinas de forma feminina, como o smoking, que muitos alegam ter inspirado Yves Saint Laurent a criar sua peça assinatura décadas depois. O look ficou conhecido como a “silhueta Dietrich”, destacando sua magreza e posicionamento bissexual.

“Eu me visto para a imagem. Não para mim, não para o público, não para a moda, não para os homens”, ela explicou certa vez. “Toda a minha vida eu representei o glamour em um meio que era tudo menos glamouroso. As pessoas não vêm para me ver, mas para olhar para mim,” explicava.

Em geral, Marlene tentava parecer que todas suas escolhas eram casuais, mas os biógrafos se recusam a endossar essa imagem. Para eles, a atriz sabia mesclar seu posicionamento político e pessoal em cada papel ou roupa que vestia, unindo uma declaração de moda com opinião. Por exemplo, sua recusa aberta e ferrenha de vestir qualquer peça da Chanel era por conta do que a costureira fez ao se relacionar com nazistas durante a invasão em Paris. Marlene nunca a perdoou. Já as peças de Christian Dior eram parte integral de seu guarda-roupa.

Fosse no palco ou fora dele, Marlene Dietrich só aceitava a perfeição. “Glamour é garantia. É um tipo de saber que você está bem em todos os sentidos, mentalmente, fisicamente e na aparência, e que, seja qual for a ocasião ou a situação, você é igual a ela,” ensinou. “E a imagem? Um conglomerado de todos os papéis que já interpretei na tela”, continuou.

Eterna, não é? Tanto que a Dior se inspirou nela para a coleção de 2024. “Ela [Marlene] era hiper glamourosa”, disse Maria Grazia Chiuri, atual diretora criativa da marca. “E uma das primeiras atrizes a entender o poder de um visual para definir quem ela era”. Uma definição atemporal e perfeita, De um gênio. De uma Deusa.


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