Quando House of the Dragon apresentou a rivalidade histórica entre Blackwoods e Bracken na segunda temporada, parecia apenas questão de tempo até que Alysanne Blackwood surgisse na série. Eu mesma escrevi sobre isso em 2024, convencida de que a personagem já apareceria durante a Batalha do Moinho Ardente. Não aconteceu. E a ausência chamou a atenção justamente porque, dentro da lógica de Fire & Blood, Black Aly já fazia parte ativa daquela guerra.
Agora, finalmente, as primeiras imagens oficiais da terceira temporada confirmam Annie Shapero como a personagem. E a HBO parece ter entendido exatamente quem Alysanne Blackwood precisa ser.

Ela surge já no campo de batalha, armada, montada e associada à devastação dos Riverlands. Não existe ali a estética mais palaciana que dominou boa parte da segunda temporada. Black Aly chega como consequência direta da guerra civil Targaryen, quase como um lembrete de que a Dança dos Dragões nunca foi apenas sobre dragões ou sucessão, mas sobre o colapso completo de Westeros.
Segundo Fogo e Sangue, Alysanne Blackwood, apelidada de “Black Aly”, era conhecida menos pela beleza e mais pela personalidade feroz, pela língua afiada e pela habilidade como arqueira, amazona e caçadora. George R.R. Martin a descreve como alta, magra, marcada pelos longos cabelos negros e por uma presença quase intimidadora para os padrões femininos de Westeros.
Na guerra civil, a Casa Blackwood apoiou Rhaenyra Targaryen enquanto os Bracken se alinharam aos verdes. A rivalidade histórica entre as duas famílias culminaria justamente na Batalha do Moinho Ardente, um dos confrontos mais importantes dos Riverlands. Nos livros, Sor Amos Bracken mata Lord Samwell Blackwood em combate individual, mas morre logo depois atingido por uma flecha disparada por Alysanne, que atravessa a abertura de seu elmo. Era um dos momentos mais aguardados pelos leitores e acabou ficando de fora da adaptação televisiva.
Talvez agora fique mais claro que a série decidiu reorganizar parte da cronologia para concentrar personagens importantes dos Riverlands na terceira temporada, justamente quando a guerra atinge um estágio mais amplo e destrutivo.
Porque Alysanne pertence muito mais a essa fase da narrativa.

Ela não é uma personagem de intriga palaciana como Alicent Hightower ou Mysaria. Sua presença está ligada às consequências militares da Dança dos Dragões, às casas devastadas pela guerra e ao Norte começando a descer rumo ao Sul. Por isso, sua chegada ao lado de personagens como Roddy the Ruin e Benjicot “Bloody Ben” Blackwood parece tão simbólica para leitores dos livros.
Alysanne também representa um tipo raro de personagem feminina dentro de Westeros. Martin nunca a escreve como uma figura ornamental ou como uma caricatura de “mulher guerreira”. Ela é feroz, sarcástica, impulsiva e profundamente humana. Participa diretamente das campanhas militares, lidera arqueiros das Terras Fluviais e testemunha a morte de parentes e aliados ao longo da guerra.
As “más línguas” de Westeros também questionavam a proximidade entre Alysanne e Lady Sabitha Frey, outra importante comandante do lado negro durante a Dança. As duas dividiam tendas durante as campanhas militares, o que alimentou rumores dentro da própria narrativa histórica criada por Martin. Resta descobrir até que ponto House of the Dragon terá interesse em explorar essa relação.
Mas a importância de Black Aly vai muito além das batalhas.
Mais para o fim da guerra, após a morte de Rhaenyra e durante o breve reinado de Aegon II, Alysanne estará presente em King’s Landing durante a chamada Hora do Lobo, quando Cregan Stark chega ao Sul disposto a restaurar a honra política de Westeros. É nesse contexto que nasce uma das relações mais queridas de Fire & Blood.
Cregan Stark pretende executar Corlys Velaryon por traição, mas Alysanne argumenta pela preservação de sua vida em nome da paz do reino. Em troca, oferece a Cregan o que ele desejar. O Lorde de Winterfell pede sua mão em casamento.
O casamento entre os dois se tornaria uma das raras histórias genuinamente felizes de Westeros.

Em Winterfell, Black Aly ajudaria a reconstruir regiões devastadas pela guerra civil e fortalecer os laços entre Norte e Sul. Muitos homens que desceram do Norte ao lado de Cregan permaneceram nas Terras Fluviais justamente para auxiliar na reconstrução do reino após o trauma da Dança dos Dragões. É uma dimensão mais melancólica e humana da personagem que provavelmente será reduzida ou acelerada na adaptação televisiva.
E talvez por isso seja tão importante que a série compreenda sua força visual e dramática agora.
Porque Alysanne Blackwood nunca foi apenas mais uma guerreira de Westeros. Ela sempre funcionou como símbolo do que sobra depois que os dragões terminam de destruir tudo.
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