Há uma frase de Billie Eilish que talvez explique melhor a cultura contemporânea do que muitos tratados acadêmicos. Na canção “TV”, ela canta quase casualmente: “I put on Survivor just to watch somebody suffer” (Assisto No Limite só pra ver alguém sofrer). A brutalidade da honestidade está justamente no fato de que ninguém estranha a frase. Pelo contrário. Ela soa engraçada porque é reconhecível. Todos entendem imediatamente o que ela quer dizer. Não assistimos apenas para descobrir quem vence. Assistimos para acompanhar desgaste, humilhação, colapso emocional, traição, medo, punição. O sofrimento virou espetáculo tão naturalizado que já não precisa mais ser escondido atrás de justificativas morais sofisticadas.

É justamente isso que Euphoria leva ao extremo de maneira tão sintomática. A série de Sam Levinson sempre operou menos como um drama adolescente e mais como uma máquina estética de sofrimento. Desde o início, a produção constrói um universo no qual cada personagem parece condenado a algum tipo de destruição psíquica inevitável. Drogas, abuso, violência, sexo compulsivo, manipulação, depressão, humilhação pública, crises nervosas. Tudo em Euphoria é organizado como experiência de excesso. Não existe respiro emocional porque a própria lógica da série depende da manutenção constante do desconforto.
O caso de Nate Jacobs é particularmente revelador porque transforma o sadismo não apenas em ferramenta narrativa, mas em mecanismo de audiência. Nate sempre foi construído como o antagonista absoluto da série, alguém projetado para concentrar ódio coletivo. Violento, manipulador, cruel, controlador, ele rapidamente virou alvo da fúria do público. O que Sam Levinson faz então é perceber esse desejo da audiência e devolvê-lo amplificado. Nate não apenas precisava ser punido. Precisava sofrer ao máximo.
A sequência da cascavel é uma das representações mais explícitas disso na televisão recente. A morte do personagem não funciona apenas como encerramento dramático. Ela é construída como ritual de punição pública. Antes dela, Levinson já havia submetido Nate a sucessivas humilhações físicas, emocionais e psicológicas ao longo da temporada. A morte sufocante, lenta, grotesca e dolorosa surge quase como catarse coletiva para espectadores que desejavam vê-lo destruído. E o mais perturbador é que funcionou exatamente assim. A cena gerou enorme procura online, debates incessantes, viralização, compartilhamentos, choque coletivo. Sofrimento virou engajamento. Dor virou tráfego.
O próprio Levinson praticamente admitiu isso ao afirmar que queria “fazer Nate sofrer o máximo possível”, quase como uma resposta aos desejos da audiência que odiava o personagem. Existe algo profundamente revelador nessa declaração porque ela desmonta qualquer pretensão mais sofisticada sobre o que está acontecendo ali. Não se trata exatamente de uma investigação sobre violência, masculinidade tóxica ou pulsão destrutiva. Trata-se de alimentar uma economia afetiva baseada em punição. O espectador deseja ver o monstro sofrer e o criador entrega isso da maneira mais extrema possível.
Mas há um detalhe importante: Levinson parece incapaz de refletir verdadeiramente sobre o próprio mecanismo sádico que mobiliza. Em vez de discutir o sadismo, ele o reproduz enquanto se protege atrás de um discurso de provocação artística. Quase como se dissesse: “vocês queriam isso”. E queriam mesmo. O problema é que apontar o dedo para a audiência não dissolve a responsabilidade de quem constrói a máquina. Pelo contrário. Isso talvez a agrave.

Por isso Euphoria frequentemente parece tão vazia apesar de toda a sofisticação estética. A série pensa obsessivamente sua superfície visual, suas luzes, seus enquadramentos, seu impacto imagético, mas raramente alcança algo além da própria excitação do sofrimento. O choque existe para continuar produzindo choque. A dor existe para continuar sendo consumida. Levinson talvez seja um dos melhores retratos contemporâneos do sadismo travestido de prestígio artístico porque sua obra constantemente confunde profundidade emocional com intensidade visual.
Poucas séries contemporâneas transformaram o sadismo em espetáculo de maneira tão emblemática quanto Game of Thrones. E talvez nenhum personagem televisivo recente represente isso de forma tão absoluta quanto Ramsay Bolton. Diferente de vilões impulsivos ou simplesmente violentos, Ramsay era organizado pela crueldade. Inteligente, imprevisível, manipulador e profundamente prazeroso diante do sofrimento alheio, ele não apenas machucava suas vítimas. Ele destruía subjetividades.
O arco de Theon Greyjoy continua sendo uma das experiências psicológicas mais brutais já produzidas pela televisão popular. Durante mais de uma temporada, Ramsay não se limita a torturar Theon fisicamente. Ele desmonta lentamente sua identidade. O personagem perde nome, autonomia, linguagem, desejo e dignidade até se transformar em “Reek”, quase um resto humano definido apenas pelo medo. O mais interessante é que Game of Thrones constrói ali um movimento emocional profundamente complexo: Theon era um personagem odiado, arrogante, cruel e frequentemente insuportável antes disso. Mas Ramsay produz uma violência tão extrema que a audiência passa gradualmente da raiva à pena.
Isso é muito revelador porque mostra como o sadismo reorganiza moralmente o olhar do espectador. Theon não se torna inocente. O que muda é a proporção da crueldade sofrida. O sadismo extremo de Ramsay desloca completamente o eixo emocional da narrativa.
E Ramsay permanece singular justamente porque sua violência nunca parece apenas estratégica. Há prazer evidente na destruição emocional do outro. Ele não quer apenas vencer inimigos. Quer quebrá-los internamente. Quer assistir à degradação psicológica acontecendo diante dele. Erich Fromm descrevia exatamente isso ao diferenciar agressividade defensiva de sadismo propriamente dito. O sádico não se satisfaz apenas em derrotar. Ele quer dominar totalmente a vulnerabilidade alheia.
Não por acaso Ramsay continua sendo um dos vilões mais memoráveis da televisão contemporânea. Não porque seja “forte”, mas porque a série o constrói como alguém quase sem limite interno para crueldade. E o mais desconfortável é perceber como isso produzia fascínio coletivo. O público odiava Ramsay, mas ao mesmo tempo aguardava ansiosamente suas cenas. O sadismo repulsa e captura simultaneamente.
Isso aparece de maneira ainda mais perturbadora na Batalha dos Bastardos. Ramsay vence Jon Snow estrategicamente durante quase todo o confronto. Jon sobrevive menos por superioridade militar do que pela intervenção de Sansa Stark e das tropas de Littlefinger. E existe uma ironia profundamente sombria nisso: Sansa, que foi violentada e absusada por ele, derrota Ramsay utilizando outro manipulador cruel a seu favor.


Sansa, aliás, é uma personagem fundamental para entender como essas narrativas funcionam emocionalmente. Antes de Ramsay, ela já havia sido vítima de outro sádico emblemático da televisão contemporânea: Joffrey Baratheon. Joffrey talvez fosse menos inteligente que Ramsay, mas igualmente organizado pelo prazer da humilhação. Ele gostava de expor sofrimento publicamente. Gostava de aterrorizar psicologicamente. Gostava da posição de poder absoluto diante da vulnerabilidade do outro.
As mortes de Joffrey e Ramsay revelam algo muito importante sobre o sadismo do próprio público. Joffrey é envenenado diante de todos, sufocando lentamente enquanto sangue escorre de sua boca. Ramsay é devorado vivo por cães famintos enquanto Sansa observa silenciosamente. São duas sequências profundamente desconfortáveis de assistir. E, ainda assim, foram celebradas coletivamente quase como momentos catárticos de recompensa emocional.
O detalhe mais importante talvez seja este: as séries contemporâneas aprenderam que punições brutais geram enorme satisfação coletiva quando o personagem foi previamente transformado em alvo absoluto de ódio. O sofrimento deixa de ser apenas consequência narrativa. Ele vira evento. Vira espetáculo esperado pela audiência.
Poucos filmes entenderam essa relação entre sadismo, espetáculo e fascínio coletivo de maneira tão radical quanto Laranja Mecânica. Stanley Kubrick não apenas mostra violência. Ele transforma a violência em experiência estética sedutora e obriga o espectador a confrontar o próprio prazer diante dela.
Alex DeLarge continua sendo um dos personagens mais desconfortáveis da história do cinema justamente porque sua crueldade aparece misturada com carisma, inteligência, humor e magnetismo visual. Kubrick filma agressões, estupros e humilhações com enquadramentos sofisticados, música clássica, ironia estética e uma beleza visual quase hipnótica. O espectador frequentemente se percebe fascinado antes mesmo de conseguir elaborar moralmente aquilo que está vendo.
Nenhuma sequência representa isso melhor do que a cena em que Alex invade uma casa, agride um homem e estupra sua esposa enquanto canta “Singin’ in the Rain”. Kubrick destrói completamente a separação confortável entre prazer e horror. A música associada à alegria clássica de Hollywood é transformada em trilha para brutalidade. O resultado é emocionalmente perturbador porque o espectador percebe algo profundamente desconfortável: a violência também pode ser consumida como espetáculo sedutor.

E isso conecta diretamente Laranja Mecânica ao funcionamento do entretenimento contemporâneo. O filme pergunta constantemente não apenas por que Alex é violento, mas por que nós continuamos olhando. Existe fascínio na crueldade. Existe captura emocional no excesso. O sadismo raramente funciona apenas através da repulsa. Ele também seduz.
Freud ajudaria a pensar Alex como expressão radical de pulsões sem freio civilizatório. Lacan enxergaria ali uma figura organizada pelo gozo absoluto, alguém que ultrapassa qualquer limite simbólico em busca de satisfação. E o mais perturbador é que Kubrick não limita o sadismo ao protagonista. Quando o Estado submete Alex ao tratamento Ludovico, transformando-o em objeto de tortura psicológica, o filme desmonta a fantasia de que apenas monstros individuais ocupam a posição sádica. A ciência, a moral, as instituições e até o espectador também podem desfrutar da violência quando ela aparece legitimada.
É justamente isso que diferencia Kubrick de parte do entretenimento contemporâneo. Em muitas produções atuais, o sofrimento funciona apenas como combustível emocional eficiente para gerar choque, engajamento e audiência. Em Laranja Mecânica, Kubrick transforma o próprio desconforto do espectador em tema central da obra. O filme devolve ao público sua própria imagem voyeurística.
E aqui a questão psicanalítica se torna inevitável: por que isso produz prazer?
Freud já compreendia que prazer e desprazer jamais estiveram realmente separados. A pulsão humana nunca foi organizada apenas em torno da busca por conforto. Existe também fascínio pela destruição, pela repetição traumática, pelo contato com aquilo que ameaça. Mais tarde, em Além do Princípio do Prazer, Freud percebe algo ainda mais perturbador: o sujeito frequentemente retorna ao sofrimento mesmo quando ele produz dor evidente. A compulsão à repetição desmonta a ideia de um ser humano organizado racionalmente em torno do bem-estar. Existe insistência psíquica no trauma, no excesso e na destruição.
Isso ajuda muito a pensar Euphoria. Nate não é apenas um agressor externo. Ele próprio parece organizado por uma estrutura profundamente autodestrutiva. E Levinson, por sua vez, transforma essa destruição em espetáculo consumível. O sofrimento não aparece como consequência incidental. Ele é a própria engrenagem emocional da série.
Lacan radicaliza essa discussão de forma ainda mais desconfortável porque desloca o debate do prazer para o gozo. E gozo, em Lacan, não significa felicidade. Muitas vezes significa justamente sofrimento excessivo. O sujeito pode gozar através da dor do outro, mas também através do próprio sofrimento. Há algo quase viciante no excesso emocional. Isso explica por que determinadas narrativas violentas não afastam espectadores, mas os capturam ainda mais profundamente.

O sadismo contemporâneo também é profundamente voyeurístico. Reality shows, true crime, vídeos de humilhação pública, cancelamentos online, linchamentos digitais, tudo isso envolve prazer em observar o outro exposto. O sujeito olha porque o sofrimento alheio produz uma posição narcísica de falsa superioridade, controle ou segurança. Ver alguém cair oferece momentaneamente a ilusão de que nós ainda estamos protegidos.
Poucas culturas transformaram isso em espetáculo tão eficientemente quanto a contemporânea. O consumo emocional da dor virou modelo de negócios. Basta observar como documentários sobre serial killers dominam plataformas de streaming, como crimes reais se tornam obsessões coletivas, como julgamentos públicos nas redes sociais produzem milhões de visualizações ou como realities sobrevivem através da degradação emocional contínua de seus participantes.
Melanie Klein oferece outra chave importante para entender por que isso funciona tão profundamente. Klein percebe que amor e agressividade aparecem misturados desde muito cedo na formação psíquica. O bebê ama o objeto, mas também sente raiva dele. Deseja possuir completamente aquilo que ama e, diante da frustração, fantasia controlar, atacar ou destruir o objeto desejado. A agressividade não surge apenas da sociedade. Ela faz parte da própria constituição humana.
Isso ajuda inclusive a pensar fandoms contemporâneos. Muitos públicos “amam” séries, artistas e personagens de maneira profundamente possessiva. A relação deixa de ser apenas admiração. Surge desejo de controlar narrativas, exigir punições, humilhar personagens odiados e até perseguir pessoas reais associadas à ficção. O afeto facilmente se converte em violência simbólica.
O caso de Nate Jacobs ilustra isso de maneira muito clara. A audiência não queria apenas que o personagem fosse responsabilizado. Queria vê-lo destruído emocionalmente. Existe uma diferença importante entre justiça narrativa e prazer punitivo. E talvez Euphoria tenha cruzado essa fronteira justamente porque percebeu que sofrimento extremo produz enorme retorno emocional e comercial.
Wilhelm Reich oferece outra camada possível para entender esse fenômeno ao relacionar repressão social e violência. Para Reich, sociedades altamente reprimidas frequentemente deslocam desejos frustrados para formas agressivas de descarga emocional. Parte do fascínio contemporâneo por punição pública pode ser lida exatamente assim. Sujeitos profundamente frustrados encontram satisfação indireta ao assistir à degradação emocional alheia.
Isso ajuda a explicar por que a cultura digital parece tão obcecada por exposições públicas, cancelamentos e linchamentos morais. O sofrimento do outro produz sensação coletiva de descarga. Não importa se estamos falando de um personagem fictício, um participante de reality show ou uma celebridade atravessando escândalo público. O mecanismo emocional frequentemente é semelhante.


Erich Fromm é um dos autores mais importantes para pensar especificamente o sadismo social. Em Anatomia da Destrutividade Humana, ele diferencia agressividade defensiva de destrutividade propriamente sádica. Para Fromm, o sádico não quer apenas ferir. Como mencionei antes, ele quer dominar completamente o outro, reduzir o outro à condição de objeto vulnerável e impotente. Existe prazer em controlar a fragilidade alheia.
Isso aparece de maneira assustadoramente clara nos realities contemporâneos. O público frequentemente escolhe “vilões” que precisam ser esmagados emocionalmente semana após semana. Não basta eliminar. É necessário humilhar, ridicularizar, expor, destruir simbolicamente. O prazer coletivo nasce justamente dessa posição de tribunal permanente no qual milhões observam alguém se deteriorando emocionalmente diante das câmeras.
A televisão percebeu cedo algo brutal: sofrimento cria narrativa instantânea. Quando alguém está feliz e equilibrado, há menos tensão dramática. Quando alguém desmorona, o olhar coletivo imediatamente se fixa. O sadismo contemporâneo já não depende necessariamente de violência explícita. Ele opera através da observação contínua da deterioração emocional alheia.
E isso também ajuda a entender o apelo do horror. O terror oferece um espaço relativamente seguro para experimentar medo, morte, destruição e ansiedade sem consequências reais. O espectador se aproxima da violência sabendo que poderá sair ileso ao final. Mas seria ingênuo reduzir tudo apenas à catarse psicológica. Existe também fascínio voyeurístico em observar aquilo que ameaça o humano. Queremos olhar o grotesco porque ele nos confronta com algo reprimido sobre nós mesmos.
Slavoj Žižek, misturando Lacan com cultura pop, ajuda a pensar como o capitalismo contemporâneo aprendeu não apenas a tolerar excesso emocional, mas a lucrar diretamente com ele. O sistema transforma choque, violência, medo e sofrimento em mercadorias afetivas altamente eficientes. Narrativas intensas produzem engajamento intenso. O espectador sente que está acessando algo “real”, “cru”, “autêntico”, mesmo quando tudo já está profundamente mediado pela lógica do espetáculo.
Talvez seja por isso que tantas obras contemporâneas confundam intensidade emocional com profundidade artística. Quanto mais devastadora a experiência, maior a sensação de relevância cultural. O sofrimento virou prova de autenticidade.
As redes sociais radicalizaram ainda mais esse processo porque transformaram indignação em moeda algorítmica. Quanto maior a revolta, maior o compartilhamento. Quanto mais violenta a reação emocional, maior o alcance. O algoritmo aprende rapidamente que sofrimento prende atenção. Não importa se o conteúdo desperta ódio, choque ou ansiedade. O importante é manter o sujeito olhando.
Talvez por isso a cultura contemporânea pareça tão obcecada por punição pública. Séries, realities, documentários criminais, escândalos virais, linchamentos digitais. Tudo funciona através da mesma lógica emocional: acompanhar a queda de alguém produz uma estranha sensação coletiva de satisfação moral. O sofrimento do outro vira espetáculo legitimado porque quase sempre vem acompanhado da ideia de que a vítima “mereceu”.
Este é provavelmente o aspecto mais perigoso do sadismo contemporâneo: ele raramente aparece como sadismo. Surge mascarado de justiça moral. “Ele merecia.” “Ela precisava ser exposta.” “É karma.” “Quero ver sofrer.” Isso permite que o prazer cruel seja vivido não como violência, mas como virtude ética.

É exatamente aqui que a fala de Sam Levinson se torna tão reveladora. Porque ela rompe parcialmente essa máscara e admite a lógica do espetáculo punitivo. O sofrimento de Nate não é apenas consequência narrativa. É recompensa emocional oferecida ao público. E o mais perturbador é que boa parte da audiência não apenas aceitou isso como desejou avidamente cada segundo da destruição do personagem.
E é exatamente aqui que Euphoria se torna tão simbólica do nosso tempo. Nate Jacobs é monstruoso. A série faz questão de tornar isso claro. Mas quando o sofrimento do personagem vira prazer coletivo consumido como evento, algo mais complexo aparece. O espectador deixa de apenas condenar violência para começar também a desfrutar dela. O sadismo se desloca do personagem para a própria audiência.
Talvez a questão mais desconfortável seja justamente perceber que o entretenimento contemporâneo já não apenas representa violência, medo e degradação emocional. Ele aprendeu a transformar essas experiências em produto altamente eficiente de consumo afetivo. Quanto mais intenso o sofrimento, maior o engajamento, maior o debate, maior a circulação. E quando dor vira mercadoria emocional tão lucrativa, a linha entre crítica e exploração começa lentamente a desaparecer.
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