Rhaenyra é rainha. Mas sentar no Trono de Ferro nunca foi confortável e certamente não é simples. Alicent entregou Porto Real rápido demais, e as bandeiras vermelhas deveriam estar tremulando diante de todos, mesmo que a ex-rainha não tenha agido por malícia. A rainha dos Pretos está prestes a descobrir da pior maneira possível que usar a coroa não significa conquistar respeito, lealdade ou liderança.

O terceiro episódio era apontado por quem assistiu antecipadamente como a verdadeira abertura da temporada e como mais uma grande vitrine para Emma D’Arcy. Em parte, é verdade. Mas também reforça aquilo que a série vem fazendo desde o início: uma Rhaenyra que governa chorando, hesitando, desconfiando e frequentemente se atrapalhando. Como Alicent observa, ao ser confrontada por também ter sido enganada por Larys Strong, talvez as mulheres desta história continuem pagando o preço pelas decisões dos homens ao redor delas. Mas essa é uma discussão para depois.
Abrimos com Daemon, cercado por dragões, confrontando Ormund Hightower. Se ele reconhecer Rhaenyra como rainha, sua vida será poupada. Ormund aceita rápido demais. E Daemon, convencido de sua própria superioridade, exige ainda que ele entregue Daeron. Novamente, Ormund cede com facilidade suspeita. Nós, espectadores, sabemos que algo está errado. Daemon, porém, não conhece Ormund tão bem quanto acredita. E Ormund acaba enganando praticamente todo mundo.
A pergunta inevitável é: se Daemon realmente acreditava ter capturado Daeron, por que não exigiu que o jovem montasse Tessarion? Bastaria um voo para desmontar toda a farsa.

Os créditos iniciais, ao menos, continuam espetaculares. A versão do tema de Game of Thrones com percussão que parece inspirada no Olodum permanece uma das melhores escolhas estéticas da temporada.
Rhaenyra fala sobre fantasmas. Literalmente e metaforicamente. Em conversa com Daemon, ouvimos a praticidade dele, que admite que preferiria simplesmente incendiar todos os inimigos, mas como ela insiste que deseja governar como Viserys gostaria, faz o que a esposa pede. E, apesar da situação caótica, Rhaenyra continua determinada a realizar sua coroação formal.
Ao conhecer o suposto Daeron, ela questiona como nunca conheceu o meio-irmão e o considera jovem demais para representar uma ameaça real. Daemon, pragmático como sempre, lembra que eventualmente ela precisará matá-lo. Logo depois, Rhaenyra descobre que os cofres estão vazios. Ainda assim, insiste na cerimônia. Mysaria e Corlys sugerem recuar. Ela ignora ambos.
Os problemas só aumentam. Rhaenyra confronta Alicent pelas surpresas deixadas para trás. Helaena pergunta se ela se sente melhor após ordenar a morte de Otto. Rhaenyra se recusa a acreditar que Alicent desconhecia tudo e, por isso, decide não cumprir integralmente o acordo feito entre elas. Ambas saem decepcionadas.

Curiosamente, Rhaenyra demonstra pouca preocupação imediata com seus filhos , Aegon e Viserys, mas ordena que Joffrey, seu herdeiro direto, seja trazido para perto dela. É preciso lembrar que, no livro, Viserys é dado como morto e Rhaenyra fica ainda mais obcecada em proteger seus filhos porque acredita que só tem Joffrey e Aegon. Se não fosse importante para o fim da história, não chamaria a atenção dessa falta de explicação.
Assombrada e incapaz de confiar em qualquer pessoa, Rhaenyra descobre que o Grande Septão se recusa a coroá-la. Aegon foi ungido perante os Sete e, segundo ele, apenas a prova definitiva de sua morte legitimaria outra coroação. A recusa vem acompanhada de uma ameaça velada.
Já isolada, mas sem reconhecer isso, haverá mais decisões equivocadas. Durante o jantar com Corlys e seus filhos, o Senhor das Marés pede que Alyn e Addam sejam reconhecidos oficialmente. Rhaenyra hesita. Não entendemos completamente o motivo de sua recusa naquele momento. Tampouco entendemos por que ela praticamente ignora Baela. Rhaenyra claramente não está bem e, sem conseguir dormir no quarto que pertenceu a Viserys, ela procura Daemon.

Sentada no Trono de Ferro, Rhaenyra vê as reclamações se multiplicarem. Falta comida. Falta dinheiro. Os ratos proliferam. A ansiedade da rainha se torna quase sufocante. A ausência de notícias sobre Aemond só agrava a situação. No Conselho, Daemon e Mysaria entram em choque constantemente.
Rhaenyra eleva as três Sementes de Dragão à posição de lordes, mas continua recusando-se a reconhecer Addam como Velaryon. Hugh pergunta pela casa prometida a eles e informa que sua esposa retornou para Tumbleton. Atenção: a cidade é central para o principal confronto da temporada e mais de uma vez vimos as sementes serem semeadas para a traição. Hugh, que perdeu a filha, agora perdeu a mulher que está na cidade e na frente de Ormund. Daemon deixou claro que Ulf está louco para ter um castelo. Ormund não é um homem desatento.
Alicent pede autorização para levar os restos mortais de Otto e enterrá-lo ao lado da esposa em Oldtown. Rhaenyra concorda. E, aproveitando o momento em que estão sozinhas, pergunta a Alicent como ela suportou governar quando era esposa de Viserys. A resposta é amarga: para manter um trono, será preciso fazer coisas terríveis. Rhaenyra discorda: ela acredita que será boa como foi seu pai e Alicent lembra que, como homem, Viserys vivia uma realidade bem distinta da que as duas conhecem.
Numa cena retirada do livro, no banquete oferecido aos nobres que a traíram, Rhaenyra prepara sua própria demonstração de força. O prato servido é feito de ratos, a comida que restou ao povo depois que a aristocracia acumulou recursos. Ela anuncia o confisco de seus bens. Exatamente a estratégia que Daemon havia recomendado evitar e que a deixaria impopular com a nobreza que poderia apoiá-la.

Quando está sozinha com o marido, Daemon aproveita para lembrá-la de que ela continua pensando pequeno. Quem possui dragões, argumenta ele, não precisa governar pelo consenso. E, cedo ou tarde, ainda precisará matar Daeron.
Exausta e incapaz de dormir, Rhaenyra admite a Mysaria que continua movida pela raiva. Talvez por isso decida sair e falar diretamente com o povo. Distribui comida, promete misericórdia e, pela primeira vez no episódio, parece encontrar algum apoio genuíno.
Mas nem isso dura. Corlys volta a exigir o reconhecimento de seus filhos como Velaryon. Rhaenyra recusa, argumentando que legitimar Alyn e Addam colocaria em xeque a legitimidade de seus próprios filhos. Corlys, com razão, finalmente perde a paciência e eleva a voz para sua rainha. Ele não está pedindo a ela nada que ele mesmo não tenha feito pelos filhos dela: bastados a quem ele aceitou como Velaryons. Não fica claro como a conversa acaba, mas, não há como negar que haverá mágoa e dúvida de Corlys quando falar de Rhaenyra.

E então vem a revelação final. Rhaenyra reafirma a Alicent que não pretende matar Daeron, mas enviá-lo para a Muralha. Alicent, apesar da relação distante com o filho, insiste que ele é inocente e pede para vê-lo. Quando entra no quarto, desmonta imediatamente a farsa de Ormund: aquele jovem não é Daeron. Rhaenyra percebe, tarde demais, que foi enganada.
E a notícia seguinte é ainda pior: os Hightower tomaram Tumbleton com a ajuda do verdadeiro Daeron. Para recuperar a cidade, ela precisará incendiar inocentes.
A pergunta que encerra o episódio não é mais se Rhaenyra está preparada para governar. É o que, exatamente, Ormund Hightower está planejando.
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